domingo, 17 de março de 2013

O Que Conquistamos Com a República

Quando o marechal Deodoro da Fonseca proclamou a república, o Brasil deu uma guinada. Saímos de uma monarquia e passamos a administração e posses do Estado para o público, para o povo. Afinal, a própria origem do  vocábulo república significa "coisa do povo, bem público". Encerrava-se, assim, um período de poder absoluto imperial e nascia uma nova era. Bom, pelo menos é isso que os livros didáticos nos ensinam. Ao olharmos para nosso passado relativamente recente, entretanto, uma pergunta se faz imperativa: o que ganhamos com a república? Muita coisa...
Com ela ganhamos a política do café-com-leite, prática das oligarquias de MG e SP que inspirou a condução política do país desde então. Ganhamos os currais eleitorais e seus coronéis que, pela força, pelo medo ou mera ignorância do povo, ainda perduram nos dias de hoje. Conseguimos, também, uma burocracia estatal que amarra a vida do cidadão comum, cuja única contribuição é dar emprego a cartórios, despachantes e outros órgãos inúteis e sem razão de existir.
Conquistamos, ainda, um sistema político onde três poderes que deveriam coexistir harmonicamente o são caoticamente. Um emaranhado de cargos indicados por meras preferências políticas formadas nos calabouços partidários, mobiliados com o objetivo de atender a interesses pessoais e sujeitos à toda sorte de corrupção, desvios e incompetência de seus integrantes. Adquirimos, com a república, um sem-número cada vez mais crescentes de agências, empresas e órgãos administrativos e reguladores cujos integrantes repousam, soberanos, nas redes da estabilidade do emprego, tornando a prestação de serviço estatal ineficiente, incompetente e corrupta.
Com o novo sistema de governo, porém, conquistamos a democracia. E como é bela a democracia brasileira! Graças a ela, elegemos um presidente fascista que até hoje é ovacionado como o pai dos pobres, mesmo quando sua legislação trabalhista tornou empresário e operário, escravos do Estado. Com a democracia, conquistamos o sufrágio universal, que permite a eleição indefinida de políticos populistas que nada de efetivo fazem para gerar emprego, renda e desenvolvimento, fazendo da distribuição de bolsas e esmolas as suas bandeiras, garantindo um eleitorado fiel e devotado.
A democracia republicana brasileira, permitiu que as minorias calassem a maioria, como no caso da famigerada questão homofóbica. Nosso governo do povo conquistou o direito dos bandidos portarem armas, e o cidadão não. Nossas cotas, de todos os tipos, impõem uma discriminação asquerosa e humilhante àqueles que o Estado abandonou... E nem a televisão por assinatura escapou, impondo ao assinante a existência de programação nacional nos canais ditos "estrangeiros", isto sem o governo sequer ter ouvido os... Assinantes (a parte que não só paga pelo serviço, como é a mais interessada).
Há quem diga que a monarquia era por demais absoluta, por conta do Poder Moderador. Os que se agarram neste argumentam mostram sua profunda ignorância acerca deste período. Ademais, como diria Edmund Burke, a democracia não é o melhor sistema de governo, é apenas mais um sistema de governo.
Graças ao atual mecanismo de governo e ao sufrágio universal na eleição de nossos representantes, não existe qualquer possibilidade de modificação do quadro atual. Governos populistas continuarão sendo eleitos. Senadores e Deputados continuaram sendo comprados. Juízes continuaram se achando os deuses do Olimpo... E o Presidente da República? O próprio Deus. 
Para fechar a conta, a União detém em suas mãos o poder político, econômico e cultural, concentrando a riqueza produzida e deixando os Estados e Municípios reféns de sua boa vontade. Foi precisamente devido a esta excessiva centralização que ocorreram as Revoltas Regenciais, notadamente a Revolução Farroupilha. Mas, naquela época, vivíamos numa monarquia, onde o Imperador tinha o dever de lutar pelo bem estar de seu povo e buscar o melhor para o seu reino. Infelizmente, a historiografia tupiniquim insiste em rotular os monarcas como déspotas maléficos, esquecendo-se que foram sob a coroa de um monarca que a civilização efetivamente floresceu.


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