sexta-feira, 8 de março de 2013

Redenção Pela Morte

"Basta morrer pra ser Bueno
Basta sofrer pra ser Justo"
Os versos de Darci Fagundes, grande poeta gaúcho, em sua poesia "Último Pouso" descrevem com maestria o modo como tratamos aqueles que sofrem e aqueles que morrem, sem olharmos para suas atitudes, seus defeitos ou suas obras. Ademais, poucos acontecimentos tem um poder transformador tão grande quanto a morte. Apesar das implicações religiosas do tema, não é dele que trato. Afinal, são muitas as explicações dadas a este fenômeno e, definitivamente, não é este o tema desta postagem. Não falo das implicações para o morto em si, mas para aqueles que ficam. Aliás, uma das principais transformações que o falecimento trás é acerca da percepção que se tem do indivíduo que partiu.
Exemplos não faltam, especialmente quando se trata de uma personalidade pública. Sua imagem toma uma nova roupagem, invariavelmente positiva em relação ao que realmente aquela pessoa fez, foi e realizou em vida. Ernesto Guevara é um clássico exemplo. Assassino, revolucionário e sanguinário, fundou, juntamente com Fidel Castro, uma Cuba que tirou de seus cidadãos a liberdade em troca de um sonho de igualdade, fazendo com que todos vivam igualitariamente na lama. Não fossem os alimentos e medicamentos que chegam dos EUA (aquele mesmo país que é acusado de ser o próprio demônio), talvez os cubanos fossem hoje mais um povo extinto.
Com Lênin aconteceu o mesmo. Embalsamado, ainda é fonte de idolatria por parte da esquerda mundial e da intelectualidade diplomada. Pouco importa se ele foi o responsável por colocar em prática uma ideologia totalitária que arrastou cem milhões de almas para a morte (devidamente aperfeiçoada por Stalin). Seu semelhante chinês, Mao Zedong, levou o mesmo terror aos cantos mais remotos da China. Mesmo sendo um estuprador, assassino e destruidor da tradicional religião e cultura chinesa, é igualmente idolatrado, inclusive no Brasil, onde o P C do B, da Manuela D'Ávila, segue sua doutrina. Seu corpo também está embalsamado e exposto ao público como uma atração turística.
Esta transmutação post mortem, no entanto, não é exclusividade dos políticos e governantes. Artistas, celebridades, profissionais dos mais diversos ramos, são elevados à categoria de "exemplos a serem seguidos" mesmo quando, de fato, sua história de vida e suas atitudes ditam justamente o contrário. Famosos como Cazuza, Niemeyer, Ulisses Guimarães, Betinho e John Lenon são apenas alguns exemplos de pessoas que, apesar de algumas possuírem um talento artístico inquestionável, defenderam idéias totalitárias ou foram exemplos de como não se deve conduzir a própria vida. 
Esta semana, o fato se repetiu. Hugo Chávez faleceu e imediatamente lá estavam os jornais chamando-o de "líder", "reformador" ou "grande estadista". Realmente ele pode ter sido tudo isto, (Hitler o foi em uma escala muito maior que Chávez e também não é digno de lamentos ou elogios) mas o importante é avaliar como ele utilizou sua liderança e o que ele proporcionou ao povo venezuelano. Respondo: miséria, cerceamento de liberdades e empobrecimento. Entregou seu país à ditadura cubana e quis impor o socialismo do século XXI, como ele próprio definiu sua revolução, que nada mais é do que o socialismo assassino (perdoem-me pelo pleonasmo) do século XX aplicado ao novo milênio.
Não sou daqueles que desejam a morte de ninguém. Mesmo porque, muitas vezes, a morte ainda é castigo brando ante o crime que cometem certas pessoas. Não podemos, entretanto, entregar-nos ao discurso politicamente correto e absolver aqueles que morrem de todos os seus erros e mazelas que causaram como se, por terem falecido, tornaram-se perfeitos. 
O julgamento de seus atos após sua passagem por este mundo, cabe somente a Deus. Não cabe a nós, pois, exaltar e criar virtudes naqueles que se foram, sob pena de estarmos criando novos falsos ídolos que nada farão além de perpetuar a mentira daqueles que os criaram.




Um comentário:

  1. Bom dia, prezado Morato.
    Pertinente e providencial enfoque sobre a falsa "elevação" espiritual e moral do ditador totalitarista bolivariano, e do seu questionável amor à pátria Venezuelana. Tão apaixonado estava pela pátria-mãe que entregou-a aos "cuidados" do papai Fidel.
    Espero que o verdadeiro povo independente da Venezuela, quando retomar a direção democrática daquele belíssimo país, providencie a transferência da urna do caudilho beiçola para a sua ilha amada.

    Gaudêncio Sette Luas

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