sábado, 20 de abril de 2013

Situação Extrema, Solução Extrema.

O julgamento dos policiais que atuaram no "massacre do Carandiru" tornou-se assunto recorrente no noticiário nos últimos dias. Na ação, cento e onze presos foram mortos, ou melhor, massacrados como a imprensa e os velhos conhecidos "cientistas sociais" das mais variadas especialidades preferem. De acordo com esses "especialistas", a ação policial foi injustificada, pois usou o excessivo e repressor poder do Estado contra indefesos detentos. Afinal, como todos sabem, só existem inocentes nas cadeia. O esteriótipo do bom presidiário foi ainda mais difundido com o filme "Carandiru", baseada na obra literária do médico vermelho Drauzio Varella.
Passados vinte anos, revolvem-se os escombros da tragédia e, como de praxe na historiografia tupiniquim, o fato é sacado de seu contexto para ser interpretado e julgado à revelia das circunstâncias nas quais ocorreu. Pouco importa se a ação policial extrema foi motivada por situação ainda mais extrema: uma rebelião generalizada dentro da penitenciária que colocava em risco a vida de todos os integrantes do complexo prisional, ou ainda, da própria segurança pública caso se configurasse uma fuga generalizada. Não basta: os "bad guys são os PMs! (é no que querem que acreditamos)
Naquele momento, o Governo do Estado de São Paulo e suas forças policiais viram-se diante de uma situação muito delicada, perigosa e extrema. Uma rebelião violenta e generalizada. Haviam duas opções possíveis: ignorar e deixar que a carnificina prosseguisse (assumindo o risco da perda total do controle da população do presídio), ou debelar a crise mediante uma ação enérgica, rápida e violenta. Sim, violenta, e por mais difícil que seja para alguns aceitar, a ação foi necessária e foi eficiente, pois pôs fim à crise (que nunca é demais relembrar, era extrema). Ou alguém entraria numa prisão em caos, com presos sendo mortos por outros detentos, com bandeiras brancas, rosas e uma canção do John Lennon? 
Trágico, também, é que daquele triste acontecimento para cá pouco (ou quase nada) foi feito para evitar este tipo de situação se repita. Afinal, ninguém gostaria que tal ação fosse necessária. Nunca. Entretanto, as prisões continuam lotadas e permeáveis a celulares, advogados inescrupulosos, armas e drogas que fornecem um constante combustível para que rebeliões prisionais continuem sendo uma ameaça. A diferença nos dias de hoje é que, dos estabelecimentos prisionais, o terror pode ser planejado, e desencadeado para além dos seus muros, atingindo pessoas que estão a centenas de quilômetros dali. 
Jogar o peso da incompetência de toda a estrutura estatal, dos teóricos da segurança, da frouxidão da legislação penal brasileira e do (já naquela época) falido e promíscuo sistema prisional brasileiro nas costas daqueles que tiveram que resolver um problema que lhes foi imposto é um ato de covardia, injustiça e ingratidão. Tivesse a polícia fechado o local e deixado que os presos "resolvessem a crise entre si" teríamos hoje o julgamento devido à omissão do Estado... E o número de mortos seria bem maior. Afinal, diferente  do que diz o filme, "gente boa" e ingênuos são apenas traços estatísticos no universo da população de uma penitenciária.

2 comentários:

  1. O inferno é cheio de boas intenções mesmo. Quem tem pena de ladrão, assassino e traficante que tivesse colocado esses "anjinhos" dentro da própria casa. A ação da PM foi heróica e, se tivesse sido mais apoiada ao invés de criminalizada pela mídia, talvez até o PCC hoje estivesse mais manso...

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  2. Mas, e eu não sei!!!! Eles estimulam e fortalecem os bandidos cada vez mais, com leis fracas e direitos dos manos, cometem crimes cada vez mais bárbaros, e enfraquecem a população e as polícias com leis mais duras, e sem direito a própria defesa, de suas famílias e propriedades. Tudo isso propositalmente?

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