terça-feira, 23 de abril de 2013

Surpresas Que Vêm da França

A França pode ser tudo, menos monótona. Muitos amigos próximos não gostam dos franceses. São fracos, dizem. Afinal, desde o fim do período napoleônico, o país abandonou o papel de gigante europeu, bastão que passou à Inglaterra e à Alemanha. Dizem, ainda, que desde o império romano, os herdeiros dos gauleses vivem sendo conquistados e derrotados. Humildemente discordo. A França foi a grande protagonista da Idade Média. Evitou a islamização da Europa ao derrotar o inimigo mouro em Poitiers, em 732. Com Carlos Magno, formou um império que possibilitou o ressurgimento da cultura, da arte e da economia. A própria formação dos Estados germânicos derivou-se do Império de Carlos Magno. Foi da França, precisamente do reino vassalo da Normandia, que a Inglaterra deve a consolidação de sua formação.
Antes da Revolução Francesa, o país era a maior potência econômica européia, centro de referência do mundo. E é aí que começam as singularidades da França. Ao exterminar a nobreza, os revolucionários desencadeariam, a longo prazo, a queda da hegemonia dos franceses, que perderia lideranças em todos os setores da sociedade. Com Napoleão, os franceses conquistariam virtualmente toda a Europa continental; mas como bem observa o historiador Paul Johnson, a nomeação de franceses para governar os Estados germânicos seriam determinantes para a união nacional alemã que, embora sendo a liderança cultural, não tinha, àquela época, a noção de Estado Unificado. Assim, os dois fatos históricos mais ovacionados pelos franceses (a Revolução Francesa e Napoleão) foram, ironicamente, decisivos para que a França deixasse de ser uma potência dominante para ser apenas coadjuvante.
Os filósofos franceses trouxeram o pensamento revolucionário com Rousseau e o pensamento liberal com o laissez faire, laissez passer. Como heroína, possui a Santa Católica Joana D'arc como símbolo máximo da luta contra a invasão inglesa na guerra dos cem anos, ao mesmo tempo que possui um número considerável de pessoas que se declaram ateus, bem como uma crescente tolerância para com os muçulmanos, os mesmos que foram expulsos em Poitiers. O país é um dos lugares onde mais se come gordura, e onde mais se vive.
Tanta variedade tornam difícil prevermos o que esperar da França. E l'Hexagone, parece não se importar em nos surpreender. Pois dentre tantos países com fama de conservadores, de oposição organizada, de culto aos valores judaico-cristãos, foi justamente lá que surgiu uma manifestação digna da grandiosa e fascinante história francesa: os protestos contra a aprovação da lei que legaliza o casamento e a adoção pelos homossexuais. Justamente de um país tão progressista e na "vanguarda" que os defensores da família tradicional resolvem fazer uma oposição à imposição homossexual que impera no ocidente. Isso sim é prova de que existem pessoas que não se calam diante da ditadura do arco-íris (aliás, até o belo arc en ciel eles monopolizaram). 
O protesto dos franceses não é efetivamente contra os homossexuais, mas sim à equiparação com os heterossexuais. Ora, o casamento, na essência, presume o compromisso de um casal heterossexual em formar uma família e garantir a perpetuação da espécie. Ao equipararmos héteros com homos estamos dizendo que ambos podem gerar descendência, o que é mentira. E, por fim, gays são diferentes, tanto que usam este argumento para tentar arrancar dos legisladores, direitos especiais que os tornam superiores a qualquer outra classe de indivíduo.
Muito mais que uma oposição à união matrimonial homossexual, os protestos na França nos mostram cabalmente aquilo que nossa mídia, imprensa, e meio cultural insistem em esconder e mascarar: nem todos (diria que a maioria) não está disposta a transformar o homossexualismo em algo plenamente natural e mesmo desejável. Não se prega a violência contra os homossexuais, apenas que sejam mantidas as diferenciações óbvias que advém de uma orientação que foge da normalidade esperada. Queiram ou não queiram, aceitem ou não aceitem, gostem ou não gostem, uma verdade precisa ser dita: homossexuais não são iguais a heterossexuais. Se fossem, seriam héteros. 
Parece que os franceses acordaram... Justamente os franceses.




Um comentário:

  1. Agora só falta botarem rédeas curtas nos muçulmanos, que andam pregando um anti-semitismo comparável ao dos nazistas que invadiram a França durante a 2ª Guerra.

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