sexta-feira, 17 de maio de 2013

O Humorista Relativista.



Ao ler o texto “Os Cães de Guerra” de Luiz Fernando Veríssimo, reproduzido na página 2 da edição de 16 de maio do jornal Zero Hora, confirmo o que eu temia: sou um total imbecil. Afinal, como pode alguém não achar a tanta graça nos textos humorísticos desse senhor ou não tomar como respeitáveis e sapientíssimas as suas opiniões? Pois é. O cara que não acha graça no L. F. Veríssimo... Que leu o seu texto e o achou deprimente... Esse cara sou eu!
No referido escrito, o autor questiona a não observância pelos militares das regras estabelecidas pela Convenção de Genebra no combate contra a guerrilha do Araguaia, enfatizando que “a maioria não sobreviveu e nem seus corpos foram encontrados”. Ainda, afirma que quanto ao que aconteceu no que ele chama de “salas de tortura da repressão”, não restam dúvidas ou apenas suposições: está vivo na memória dos torturados e suas famílias (deixei de colocar entre aspas devido ao esquecimento do sinal de pontuação “dois pontos” no texto original de Zero Hora que, acredito, seja erro de impressão, visto que um erro básico como este não pode ser esperado de tão eminente intelectual).
Como bom esquerdista alienado que é, cobra um tratamento humanitário a prisioneiros por parte da “ditadura”, porém silencia sobre como eram tratados aqueles que sofriam nas mãos dos grupos terroristas (como a guerrilha do Araguaia) e mesmo acerca dos justiçamentos a que eram submetidos, inclusive, integrantes do próprio movimento guerrilheiro. O companheiro Veríssimo jamais escreveu uma única linha sobre as torturas praticadas pela esquerda e as violações da Convenção de Genebra por ela cometidas. Ademais, muitos que “lutaram contra a repressão da ditadura” não foram mortos ou “torturados” pelo aparato policial do Estado, mas por seus próprios companheiros. Mas isto, claro, é sonegado ao leitor.
O autor, entretanto, acerta quando fala que “(...) o grande mudo dessa história é a instituição militar, que nunca fez uma autocrítica conseqüente, nunca desarquivou voluntariamente seus arquivos ou colaborou nas investigações (...)”. Se os militares fizessem isso, José Dirceu, Dilma, e companhia estariam atrás das grades. E as vítimas do terrorismo de esquerda poderiam também ser indenizadas pela violência sofrida. Mas optou-se pela estratégia do silêncio, uma decisão no mínimo equivocada.
Para fechar com "chave de ouro", Veríssimo compara o ocorrido na Itália com o que aconteceu no Brasil, lembrando que lá “o governo enfrentou uma violenta contestação armada sem sacrificar um direito civil, ameaçar uma instituição democrática ou recorrer a seu próprio terror. Sem, enfim, soltar os cachorros”. Ao comparar a realidade italiana com a brasileira à época, desnuda-se o seu desconhecimento sobre acontecimentos estratégicos que se passavam.
Ao final da leitura, a despeito da ignorância do autor sobre acontecimentos históricos recentes e a Convenção de Genebra, temos o exemplo do típico intelectual oriundo da fábrica esquerdista: um ser despido de qualquer parâmetro moral e impregnado até a medula óssea de relativismo. A mensagem do texto é clara: os excessos cometidos pelos agentes de segurança do Estado devem ser todos apurados e seus responsáveis punidos. Quanto aos cometidos pelos grupos da luta armada (terroristas e guerrilheiros) estes são perdoáveis, sacrossantos e justificáveis. Louváveis até.
Escritores e intelectuais como Veríssimo além de se constituírem na imensa maioria, são justamente os mais respeitáveis e influentes. Para eles, as atitudes pessoais e o valor da vida ou da dignidade humana não são valores absolutos: dependem do lado ao qual pertencem o agressor e a vítima. 
Quisera eu que "Os Cães de Guerra" fosse apenas mais um texto cômico sem muita graça...

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Culpados e Inocentes

Os crimes cometidos contra Cinthya Magaly Moutinho de Souza e Victor Hugo Deppman, ela incendiada, ele executado, têm algo em comum: a participação de menores de idade. Menores sem rosto e sem nome que, protegidos sob as mantas bondosas da nossa "constituição cidadã". A violência e a repercussão destes dois casos fazem com que a população exija o enrijecimento das leis, tendo a redução da maioridade penal como uma das demandas. Infelizmente, o pensamento da maioria é deixado de lado em nome da teimosia ideológica.
Em meio às lagrimas das famílias destroçadas, surge a voz dos especialistas, juristas, psicólogos, artistas, jornalistas e membros do governo afirmando que apertar as leis é inócuo. Pior, fazem disso sua bandeira e passam a determinar o que deve ser feito, sem sequer terem sido eleitos para tanto. Entre as palavras de condolências aos familiares, o verdadeiro desejo dessas pessoas é que os menores que cometeram estes bárbaros crimes estejam livres e com suas fichas imaculadamente limpas em três anos. A isso, chamam justiça. A vontade popular de que criminosos menores de idade passem a responder por seus atos como adultos, vingança. O menor de 16 anos pode escolher quem irá dirigir o país, mas não pode ser culpado pelos crimes que comete...
Soma-se a estes dois casos, a abordagem extremamente tendenciosa que o programa Fantástico deu ao caso da eliminação do traficante Matemático. Muito pode ser questionado em tal operação, mas reconhecer o mérito da força policial que tirou de circulação um criminosos de alta periculosidade deveria ser fundamental. Mas não foi. Matemático passou de criminoso a vítima em um piscar de olhos. Antes, traficante, assassino, estuprador. Agora, apenas mais um dos excluídos que "não tiveram outra opção na vida."
Estes são apenas três dos inúmeros exemplos que poderiam ser citados para ilustrar o grau de corrupção moral que vivemos. Nossos valores estão sendo invertidos por intermédio de uma elaborada estratégia que faz com que deixemos de lado valores absolutos do que é certo ou errado, do que é bom e mal. A enxurrada de especialistas inundando a mídia com explicações "humanistas" para a violência nos faz crer que os menores que cometeram aqueles crimes bárbaros e o traficante Matemático não são criminosos e nem bandidos, mas vítimas de uma sociedade maléfica e condições sócio-econômicas que não lhes deixaram outra opção que não seja a criminalidade. 
Assim, o verdadeiro "mau elemento" somos nós, pessoas comuns que trabalham, pagam seus impostos e rezam para chegar em casa com vida. Somos nós, com nossa malevolência e ganância que obrigamos os "excluídos" a cometerem atos criminosos que nada mais são do que "pedidos de ajuda". A responsabilidade não é do indivíduo, mas da sociedade. A responsabilidade não é do menor que riscou o isqueiro para atear fogo em sua vítima, mas nossa. Nós somos os verdadeiros culpados. Ele não pode ser punido; ele precisa de ajuda... E o conto da carochinha prossegue... E a corrupção moral se aprofunda. A população segue pedindo, clamando por justiça. Os especialistas chamam este clamor de "desejo de vingança, não de justiça".
O grande problema é que, como ensina Yuri Bezmenov, quando alguém está com seus valores morais completamente corrompidos e relativizados não há nada que possa ser feito para reverter o processo. Ainda, este processo não acontece da noite para o dia, pelo contrário. Demanda tempo, precisamente o tempo de escolarização do indivíduo, computado desde as séries iniciais até os bancos acadêmicos. Após este período, o cidadão, exposto ao processo, será incapaz de enxergar além de suas convicções, mesmo que provas irrefutáveis sejam colocadas diante de seus olhos, mesmo que esta pessoa tenha passado por uma situação traumática que tornaria suas convicções fabricadas absurdas. Absolutamente nada abala o idealismo que lhe foi implantado e consolidado durante os anos.
Um exemplo recente do comportamento de alguém no qual o processo de corrupção moral foi concluído é o caso da jornalista que foi estuprada por um menor de idade, mas que é contra a redução da maioridade penal. No texto, podemos identificar claramente a deturpação dos valores morais pela qual esta mulher foi submetida (formada pela USP, esperar o que também não é...). Percebemos que, à época do crime, a vontade dela era de eliminar, matar, se defender do criminoso. Nada mais normal. Porém, achou que a declaração da autoridade policial de que deveria "mandar logo um tiro" no menor soou como justiçamento em sua cabeça. Ainda, faz questão de deixar claro que sabia que ela era a vítima; mas nas entrelinhas, deixa escapar que a vítima também era o menor delinqüente. E vítima de quê? Ora, da sociedade, que não lhe deu oportunidades, da falta de estrutura familiar (estrutura esta sendo desconstruída ao galope). Afirma, ainda, que a redução da maioridade penal não seria a solução para a redução da criminalidade, que esta ocorreria somente com investimentos sociais do estado.
Mas ninguém está dizendo que a redução da maioridade penal redundaria, necessariamente, na redução dos índices de criminalidade. A questão não é esta, mas garantir que as pessoas saibam que suas escolhas têm conseqüências, que suas ações geram reações. É dizer que um indivíduo de 16, ou mesmo 14 anos, possui discernimento suficiente para saber o que é certo e o que é errado, o que é um estupro, um assassinato ou um roubo, e que estas atitudes são erradas. Por fim, não há qualquer garantia de que, em uma sociedade altamente desenvolvida, os menores (e as pessoas em geral) estarão automaticamente desprovidos de instintos maléficos. Simplesmente tal afirmativa não encontra respaldo na realidade que observamos justamente em sociedades onde os indicadores sociais são altamente elevados (e que possuem idade penal menor que a brasileira).
Outro argumento recorrente àqueles que são contrários à redução da maioridade penal é a de que "os presídios são universidades do crime", que o infrator leve acaba se tornando um elemento de alta periculosidade, mesmo comandando ações de dentro das instalações carcerárias. Portanto, submeter um menor a essas condições seria apenas piorar a situação. Este tipo de afirmação, muito difundida aliás, apenas soma-se ao desejo da população no endurecimento das leis, especialmente as que garantem regalias aos presidiários tais como visita íntima, a dispensa de revista a advogados, isolamento físico entre visitante e apenado, trabalho forçado, dentre outras. Muito mais importante, porém, é a aplicabilidade da lei, da certeza da punibilidade do infrator, da presteza do sistema judiciário, etc.
Precisamos despertar do feitiço revolucionário no qual estamos mergulhados. Somente assim poderemos exigir que os criminosos sejam tratados como criminosos, e não como vítimas de uma sociedade que, na sua maioria, é composta de pessoas que trabalham, estudam, e apenas querem a garantia de que aqueles que cometerem um ato criminoso serão responsabilizados. Infelizmente, as verdadeiras vítimas estão sendo culpadas e os culpados são cada vez mais tratados como vítimas.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Autoprobantes

Quando qualquer pessoa apresenta uma nova explicação para determinada demanda, espera-se que esta advenha de algo fundamentado em provas concretas, estudos realizados, observações e pesquisa aprofundada, a fim de que possa fundamentar o que se está propondo. Além disso, é necessário que a proposição apresentada seja confrontada com um argumento em contrário, de maneira que possa ser realizado o contraponto que resultará na validação ou refutação da teoria, o que demandaria uma revisão completa de todo o estudo até se chegar a uma conclusão definitiva.
Nas terras tupiniquins, e em grande parte do mundo, entretanto, ocorrem algumas afirmações que simplesmente não precisam ser provadas ou confrontadas. São conclusões baseadas não em um estudo científico, mas em alinhamento ideológico. Desta maneira, tudo o que está consoante com o revolucionário torna-se autoprobante, ou seja, sua simples afirmação basta para sua validação.
Ao afirmar que os EUA apoiaram o "golpe de 64" (tem até gravação no cinema), que impediu que Jango fizesse as reformas que levariam o Brasil a dar um grande salto, o pseudo historiador não precisa provar nada. É lugar comum: o governo militar foi fruto da articulação dos EUA para impedir que o Brasil crescesse. Momento histórico, Guerra Fria, influência russa, a própria divisão que existia dentro do Exército, nada é levado em conta. Foram os americanos e ponto final! Prova? É autoprobante... Mas mesmo assim colocaram umas gravações da CIA para dar um quê de veracidade...
Quando alguém diz que "o aquecimento global é culpa do homem que emite gás carbônico para a atmosfera", nada mais precisa ser dito: é verdade. Pouco importa os fatores históricos e naturais, a dinâmica do clima, os períodos de aquecimento e resfriamento que ocorreram ao longo da história ou o ciclo de atividade solar. É culpa do homem e pronto! Como conseqüência, grupos insistem na desindustrialização do planeta. Os culpados: os EUA e sua indústria poluidora, claro... Já da China, nem uma vírgula.
Algo semelhante ocorre com algumas outras afirmações: "vivemos um surto de homofobia! Vejam as estatísticas, gays estão morrendo". Pronto, mais um argumento autoprobante. Não importa se foi um gay que matou outro gay por qualquer motivo, se morreu um homossexual porque estava sendo assaltado, seqüestrado ou por bala perdida. Não importa, sequer, que a população de gays vítima de crimes contra a vida seja infinitamente menor que a de heterossexuais. Negativo. A verdade já foi determinada: temos homofobia. 
Ainda na questão gay, temos ainda a famosa: "a pessoa nasce gay". Mais uma verdade fabricada. Pouco importa se não existe nada que aponte para um gene gay, ou se a conduta sexual possa ser fruto da experiência psicológica de cada um, ou mesmo uma patologia. Aliás, neste último, os cientistas estão proibidos de pesquisar a respeito, visto que já foi determinado que o homossexualismo não é doença. Prova? Não é necessário. É autoprobante.
Quanto à criminalidade, mesmo caminho. A culpa não é da legislação frouxa, de penas que não se cumprem, de presídios lotados ou da escolha do indivíduo em se tornar criminoso. Absolutamente. A culpa é do Estado, da sociedade. O criminoso é apenas alguém desesperado que tenta sobreviver a este maldito ser que fez com que ele se tornasse malvado. Afinal, o ser humano nasce bom, a sociedade é que o corrompe já dizia Rousseau... Mas se o homem nasce bom, e a sociedade é formada por homens, a sociedade deveria ser boa... Não importa, já foi determinado e é autoprobante: criminosos são coitadinhos, vítimas das pessoas malvadas que compõem a sociedade.
Muitos outros exemplos podem ser citados como sendo afirmativas autoprobantes. São justamente estas que tornam qualquer papagaio repetidor de teorias não comprovadas, mas ideologicamente alinhada com o que é revolucionário, passa a ser denominado de intelectual. 
Diga que vivemos uma epidemia de homofobia, que a ditadura militar matou, perseguiu e torturou pobres estudantes e artistas, que o homem é culpado pelo aquecimento global, que leis mais duras não inibem o crime, enfim, qualquer coisa que sirva à estratégia revolucionária e, parabéns. Acabas de se tornar um típico especialista brasileiro, angariando o respeito da academia e da imprensa. Se precisas provar o que dizes? Não... É tudo autoprobante.


quarta-feira, 1 de maio de 2013

Corrupção Moral, Transição Fatal

Embora a religião e a família sejam as fundações sobre as quais qualquer civilização se assenta, não são as únicas instituições ou setores da sociedade que sofrem um progressivo processo de deterioração. Imprensa, educação, política, relações trabalhistas, forças policiais e relações humanas em geral também estão sendo constantemente atacadas não por forças ocultas, mas por uma estratégia de subversão moral que consiste em convergir as diversas minorias contrárias aos valores morais e religiosos tradicionais em uma mesma direção, com o objetivo de desestabilizar a sociedade.
O processo iniciou-se no Brasil ainda na década de 1970, quando o governo dos militares debelou o terrorismo de esquerda armado, porém permitindo a existência de uma esquerda desarmada. Esta esquerda sem armas acabou infiltrando-se nas redações dos jornais, na mídia, na política e nas universidades. No intuito de promover ainda mais a democracia, os militares deram ao subversivo o acesso à mais poderosa de todas as armas: a mente de nossa intelectualidade e juventude. Foi trocado o poder de fogo de um fuzil pelo poder da formação de opinião e multiplicação ideológica, estes infinitamente mais poderosos e danosos do que simples armas de fogo.
Tomando posse dos meios formadores de opinião, a esquerda pode colocar em marcha sua estratégia subversiva de longo prazo, visto que pela força falhara por duas vazes. Assim, no seio da academia, começaram a ser plantadas sementes que demorariam trinta anos para germinar, mas que teriam efeito fulminante na organização social e na moral do país, abrindo caminho para a conquista do poder. Os frutos da estratégia podem ser observados em nosso cotidiano em virtualmente todos os setores de nossa sociedade. Vivemos hoje em pleno processo de subversão moral, quiçá concluído, onde valores são invertidos e o relativismo impera como força dominante.
Ligue o televisor, leia as páginas dos jornais ou ouça ao rádio. Estarão lá exemplos notórios deste relativismo. Músicas, novelas e reportagens têm como tema principal a desconstrução de valores morais básicos. Traição, promiscuidade, corrupção e compra de votos (por intermédio das inúmeras bolsas), são tratados com naturalidade e mesmo incentivados. Chega-se ao cúmulo de, em determinadas situações, a população torcer pelos amantes ficarem juntos em detrimento do casamento, ridicularizando este. A precoce sexualização de nossas crianças e a vulgarização total da mulher são coisas que não deveriam ter espaço, mas que são impulsionados e ovacionados, especialmente pelo feminismo. Bandidos são mortos por policiais e a reportagem que sai dá conta que foram os agentes da lei que cometeram a atrocidade, e não o contrário. Total confusão acerca de responsabilidade e do que é certo e errado.
Nas nossas escolas, a situação também é de grande preocupação. Ensinam a nossas crianças assuntos banais, sem qualquer preocupação em ensinar-lhes o que de fato interessa. Assim, os estudantes, desde a mais tenra idade, são bombardeados com assuntos como educação sexual, economia doméstica, alimentação natural. Nada de Química, Física, Matemática, Línguas Estrangeiras, História, Geografia, Português, enfim, os conhecimentos que são de fato construtivos e produtivos, transformando nossos futuros professores, médicos e engenheiros em meros disseminadores da ideologia, visto que são moldados ao longo de sua vida escolar justamente para isso. E não é precisamente o que ocorre?
Dentro da política a corrupção não só é freqüente como de conhecimento público. O detalhe, neste caso, é a criação de um sistema burocrático tão denso, complexo e tortuoso que torna praticamente impossível a qualquer integrante do sistema, agir sem lançar mão de meios ilícitos ou imorais. Os inúmeros mecanismos estatais que são necessários para a aprovação de uma lei, ou a regulamentação de uma nova empresa acabam por forçar a ocorrência da corrupção. E qual é a resposta que nos é dada? Mais órgãos de controle, mais leis, mais entidades estatais. E o ciclo se repete.
No que tange às relações trabalhistas, o direito do trabalhador de cobrar pelo que é seu, ou seja, o valor de seu trabalho lhe é subtraído sob o pretexto de garantir-lhes vantagens. A legislação trabalhista, assim, não dá sequer espaço para que o funcionário decida, por exemplo, que não quer recolher FGTS nem previdência oficial ou contribuição sindical em troca de um aumento no seu vencimento. Não existe esta possibilidade. Novamente, o ente invisível (o Estado) decidiu por ele o que fazer com o valor do seu trabalho. A parte interessada não é sequer ouvida, não pode simplesmente não querer contribuir para essa ou aquela finalidade. Alimenta-se, pois, o eterno conflito entre empregador e empregados.
Poucos, entretanto, estão em situação tão complicada quanto às forças policiais. No cinema e nos jornais (e mesmo na literatura), o policial é constantemente retrato como alguém truculento, imbecil, bronco e ignorante, ao passo que o bandido é o malandro, o boa-pinta. Ele não está ali porque ele quer, mas por pressão da sociedade... Ele é até bonzinho. Esta situação faz com que a população deixe de confiar em suas forças policiais, deixe de acreditar naqueles que são a sua proteção, e passe a tratá-los com reservas. Soma-se a isto, a baixa remuneração, falta de treinamento e frouxidão dos códigos legais que soltam o bandido antes mesmo do policial terminar o seu turno, o que vai minando a vocação do agente legal e fazendo com que ele tenha que ter um "bico" ou mesmo se corromper, já que ele também seria uma vítima da pressão da sociedade. Cria-se, ainda, uma contradição entre a força policial e os movimentos de direitos humanos que acabam transformando os criminosos em pobres coitados, vítimas da truculência da polícia.
No que concerne aos relacionamentos humanos, as relações interpessoais são progressivamente substituídas por agências e órgãos governamentais que regulam a vida de cada indivíduo. As demandas entre vizinhos que anteriormente eram resolvidas no âmbito da vizinhança, de sua comunidade, agora passam a ser caso de polícia, tornando cada cidadão um agente inconsciente do Estado. Sob o discurso de promover a igualdade, os grupos minoritários ganham proteção estatal excessiva, tornando-os superiores ao indivíduo comum. Estatutos são promulgados, leis são expedidas e no fim das contas o que acontece é o acirramento dos ânimos. Aqueles que não se incomodavam com as minorias começam a questionar o porquê de estas terem um tratamento diferenciado, visto que todos os crimes previstos nesses novos códigos já estão qualificados na lei comum; ou será que é mais grave agredir um homossexual do que um cidadão comum? Novamente, o objetivo é criar uma polarização, um conflito constante.
Nem mesmo a cultura escapa da estratégia de corrupção moral. Por intermédio dela, a alta cultura funde-se com a cultura e o resultado é que temos o funk elevado à mesma condição de uma obra de Mozart ou Vivaldi. "São apenas expressões diferentes" diriam os promotores da ideologia, mas o fato é que existe um oceano de diferença entre uma e outra. O ensino de nossa língua sofre também. A erudição que deveria ser incentivada passa a ser ridicularizada, sendo substituída pela expressão coloquial que passa a ser a norma culta, visto que "a língua precisa se adaptar". Desta maneira, deixamos de promover a verdadeira alta cultura para promover a cultura ordinária ao mesmo posto, anestesiando o cérebro de nossa população e não exigindo dela mais conhecimento do que a alfabetização para que nos sintamos "cheios de cultura". A prova é que, pelo menos nos últimos 20 anos, não produzimos quase nada que seja digno de ser citado como sendo de alta cultura e, quando o fazemos, a obra ou o indivíduo não encontra espaço no país, sendo obrigado a um exílio cultural ou a apresentações no exterior em virtude do vício tupiniquim por cultura de massa.
Ainda, temos a situação do direito de propriedade, onde se cria a famigerada função social da propriedade privada que nada mais é do que uma brecha para que o Estado retire este direito sob qualquer pretexto. Fazendas podem ser invadidas pelo MST, e o proprietário nada pode fazer para expulsá-los. Pior, ainda pode perder parte de sua fazenda para os invasores! Tudo isso sob aplausos calorosos de Ministros de Estado, Partidos Políticos e jornalistas. Novamente, cria-se uma tensão entre proprietários de terras e MST (que é um movimento comunista inspirado na estratégia maoísta)
Toda esta situação não é fruto do acaso, nem tampouco do destino. Trata-se de uma estratégia muito bem montada para possibilitar a progressiva centralização do poder e a imposição de um governo totalitário. Como? Ora, é preciso que se crie uma tensão constante entre os diversos grupos, entre a sociedade tradicional e os movimentos minoritários internos de questionamento a ela. Esta tensão precisa ser constantemente alimentada até chegar a um ponto em que se torne insuportável. Ao chegar a este ponto, o Estado entra em cena, propondo medidas totalitárias como restrição de liberdades, intervenção e sustação de direitos individuais. Tudo com o objetivo de trazer a normalidade e cessar as animosidades, o que dará respaldo popular, político e jurídico às medidas.
Abrimos mão de nossas liberdades em prol do combate à instabilidade e à insegurança, mas não nos damos conta que esta mesma instabilidade e insegurança foram plantadas e alimentadas por aqueles que agora querem combatê-las.
A corrupção ou subversão moral é apenas mais um importante passo rumo à centralização total do poder. Uma transição necessária para que, finalmente, os objetivos do partido sejam alcançados. Os sinais são evidentes: PNDH-3, ECA e demais Estatutos, cotas nacionais na TV paga, Guarda Nacional Pretoriana, Marco Regulatório da Imprensa e a escolarização compulsória de nossas crianças a partir dos quatro anos de idade são apenas alguns exemplos de que estamos em uma transição para um regime totalitário. Não é teoria da conspiração: é fato.

*Ainda sobre subversão moral soviética, clique aqui.