segunda-feira, 15 de julho de 2013

Campanha Eleitoral e Poder Econômico.

Após inúmeras manifestações no mês de junho (e outras que se arrastam atualmente), o resultado mais tangível que podemos perceber é a volta da questão da reforma política. Adormecida durante um bom tempo, eis que surge como o grande debate nacional, tendo o financiamento da campanha eleitoral como sendo o ponto mais sensível da tal reforma. E agora? Teremos os partidos sendo financiados por dinheiro público? Ao que parece sim, e com a mais ridícula das justificativas: impedir a interferência dos interesses do capital durante a eleição (isso mesmo, no melhor estilo Luciana Genro de argumentar).
Ocorre que o financiamento de campanha, (por grandes empresas ou quem quer que seja) não é a causa do favorecimento dado aos patrocinadores após o resultado do pleito, mas um meio para que os anseios daqueles que "investiram" neste ou naquele candidato possam colher as suas vantagens durante o governo dos eleitos. A verdadeira causa da existência do "interesse do capital" e sua influência dá-se por um motivo óbvio, porém esquecido: o poder econômico do Estado.
A estrutura gigantesca de um Estado como o brasileiro, facilita tanto a influência de grupos empresarias, como a corrupção interna de suas estruturas. Quando determinada facção política chega ao governo e se depara com um aparato recheado de  autarquias, agências reguladoras e empresas e bancos estatais (que virtualmente controlam a economia) fica fácil por demais formar novas alianças e angariar novos admiradores. Desta feita, pode dar as regalias prometidas durante a campanha eleitoral  não apenas a empresários, mas também a antigos adversários eleitorais que podem acabar formando sua base aliada mediante a troca de um cargo ou outro na administração.
Fosse o financiamento de campanha de origem pública, a situação continuaria a mesma. O agravante é o fato de que quem detém a gerência dos recursos acaba sendo o governo. O resultado já podemos imaginar não é mesmo? Ou será que num país onde se consegue comprar um congresso inteiro não se conseguiria desviar um ou outro recurso para favorecer o candidato da situação?
O caminho para que se minimize a influência econômica de qualquer grupo em um governo passa necessariamente pela retirada do poder econômico deste governo. Muito mais eficiente seria diminuir drasticamente o número de órgãos de assessoramento, empresas e bancos estatais. O poder econômico não reside em uma campanha eleitoral, mas na atual estrutura estatal.