segunda-feira, 7 de outubro de 2013

O Sucesso do Governo

Como se mede o sucesso de um governo? Bem, depende de quem faz a pergunta: se ela vem do lado do partido ao qual pertence, certamente a resposta virá de acordo com os objetivos traçados pelo partido e se foram ou não alcançados. Em contrapartida, se a interrogação origina-se da população governada o sucesso de uma administração será medido conforme as aspirações desta, ou seja, se suas expectativas foram satisfeitas.
Ao voltarmos nossos olhos para os últimos onze anos, pode-se concluir que o sucesso da atual administração quando da perspectiva de seu partido é relevante, se não total. Afinal, basta uma leitura mais cuidadosa de seu Estatuto e convenções para se notar que os objetivos traçados por ele foram ou estão sendo atingidos. Cada vez mais se fundem as noções de governo e Estado (e estas ao partido), realizando, pois, o que prega a cartilha leninista. A desconstrução da estrutura social e familiar que vem sendo executada também é mais uma prova do sucesso que a atual administração obteve na conquista dos objetivos estratégicos partidários.
Ok. Mas e quanto ao ponto de vista da população? Existe o mesmo sucesso? Ora, a julgar pela maioria dos chamados especialistas, o governo atual tem sido muito bom. O argumento mais utilizado é o de que "milhões de brasileiros saíram da pobreza" ou que "o governo está diminuindo a desigualdade através de seus programas sociais", e por aí vai. Aliás, não só os especialistas. Muitos conhecidos e amigos já me vieram com esta: "é, a coisa não está tão boa, mas o governo atual tem feito muito mais que os outros". Aquela velha conversa de sempre... Compreensível que nós, pessoas comuns, sejamos levados a acreditar que tudo não está assim tão mal como alguns "direitistas-reacionários-conservadores" querem nos fazer acreditar. Quando se tem toda a estrutura da mídia, do sistema educacional e econômico trabalhando para manter "o bom nome" do partido governante, não se pode esperar muito mais que isso.
Acontece que nós fomos bombardeados sistematicamente com a idéia de que o sucesso de um governo se mede pelo sucesso alcançado pela economia durante a sua administração. O bom administrador público é aquele que controla a inflação, promove distribuição de renda e deixa a bolsa de valores operando no azul. Foi assim que aprendemos a avaliar. É assim que somos levados a resumir se aquele governante foi bom ou ruim; e é assim que os colunistas e articulistas dos jornais defendem seu amado partido. 
Não obstante as inúmeras falhas de nossa economia (que nos faz ser o país mais caro do mundo, com os maiores impostos e a maior burocracia), façamos um exercício de imaginação. Por um momento, vamos acreditar que nos últimos vinte anos a economia funcionou. Vamos crer que nosso país cresceu como uma China neste período; que centenas de milhares de pessoas deixaram de ser pobres não porque receberam esmolas do governo, mas porque conseguiram um emprego digno. Apenas deixemos o resto como está... Seriam os últimos dez vinte anos, um sucesso? Para os especialistas, com certeza... 
Acontece que existem outros aspectos a serem considerados além da economia. Ao avaliar o desempenho de uma administração pública, é necessário que sejam consideradas áreas como segurança, educação, infra-estrutura e saúde. E nestes aspectos é flagrante nosso atraso. Todos eles, sem exceção, estagnaram na melhor das hipóteses. Continuamos a ser o que sempre fomos: um país violento, burro, esburacado e doente! E qual é a solução apresentada??? PAC (1,2 e 3) até hoje em vias de serem concluídos. 
Além destes aspectos, entretanto, existe outro (sutil e muitas vezes desconsiderado): liberdade. Quão livres somos hoje? Qual é o grau de escolha que temos acerca dos diversos aspectos que permeiam nossas vidas? Podemos nos considerar livres? Para tentar responder a esta questão, proponho o seguinte: vamos checar o que mudou nos últimos vinte anos que possa ter restringido nossa liberdade (e o que ainda está por vir).
Bem. Outrora podíamos decidir se gostaríamos de ir a um bar ou restaurante que aceitasse ou não fumantes. O governo nos tirou esta escolha. Podíamos educar nossos filhos conforme nossos pais e avós o fizeram, corrigindo comportamentos mesmo com uma palmada. O governo nos tirou esta escolha. Podíamos comprar uma arma para nos defender de um assaltante, um homicida ou um estuprador. O governo nos tirou esta possibilidade. Podíamos sair de carro com nossa família, nossos amigos, tomar um chope e voltar para casa. O governo nos tirou esta responsabilidade. Podíamos ensinar a nossos filhos que a família tradicional, constituída de um pai, uma mãe e seus filhos, era algo normal. O governo tornou isto homofobia. Podíamos podar as árvores em nossas casas. O governo tornou isto crime ambiental. Podíamos ir a uma partida de futebol e tomar uma cervejinha para assistir o jogo. O governo diz que não somos capazes de saber quando já bebemos demais.
Estes foram apenas alguns exemplos de como estamos perdendo nossa liberdade sem nos darmos conta. Poderíamos, ainda, citar o marco regulatório da imprensa, a obrigatoriedade de programas nacionais na TV por assinatura, os critérios partidários para a liberação de financiamentos para obras audiovisuais, a pregação ideológica nas escolas, a centralização absurda de poder nas mãos da União enfim, um sem número de ações que estão sendo tomadas que nada fazem além de retirar a liberdade individual, de imprensa e de pensamento.
Nas últimas duas décadas, estamos perdendo aquilo que temos como nosso bem mais precioso. E ainda batemos palmas.


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