quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Instrumentos de Poder

Qual é a relação do ENEM com o leilão do campo de Libra (ou melhor, com o monopólio do petróleo)? Aparentemente nenhuma. Exceto, talvez, pelo sucesso alcançado por ambos. O ENEM, exame já consolidado como método de entrada para o ensino universitário, vem ganhando cada vez mais a adesão das universidades, sendo que, futuramente, poderá vir a ser o único método de ingresso em uma universidade pública. E o leilão de Libra? Também obteve sucesso oras! Por mais que tenha havido apenas uma proposta, o consórcio vencedor terá que pagar cerca de 40% do óleo retirado à estatal Petrobrás. Mais importante, porém, que a ladainha de "proporcionar aos estudantes do ensino público o ingresso ao ensino superior" do primeiro e "garantir a auto-suficiência do Brasil em petróleo" do segundo, está no que efetivamente significam o ENEM e a Petrobrás (e por extensão, empresas do porte dos Correios, Banco do Brasil, e Caixa Econômica Federal) o motivo de seus sucessos: são instrumentos de poder.
O Exame Nacional do Ensino Médio garante a padronização da educação vigente, fazendo com que o governo se assegure de que ingressarão nas universidades estudantes comprometidos e corrompidos com e pelo pensamento marxista. Uma análise, por superficial que seja, das questões do tal exame é suficiente para que identifiquemos, sem maiores dificuldades, que ali são postas perguntas cujas respostas inevitavelmente direcionam-se à agenda socialista. Com efeito, o estudante que presta o ENEM precisa apenas estar suficientemente doutrinado no ideal socialista para obter sucesso, especialmente nas questões de ciências humanas. 
O resultado é que se aprofunda ainda mais o controle governamental acerca de um dos principais instrumentos de poder: a educação. Garante-se, pois, a simpatia ideológica de futuros intelectuais, professores e formadores de opinião com a causa; sedimenta-se o papel doutrinador e centralizador do MEC que, com suas diretrizes pedagógicas para o ensino em todos os níveis, garante a conclusão do processo de desconstrução dos valores religiosos e familiares sobre o quais se assenta nossa população, abrindo espaço para "novas idéias para um mundo em transformação" que possibilitará a completa transição da superioridade socialista na qual vivemos para a sua supremacia o que, em suma, irá escancarar o totalitarismo no qual vivemos, com constante patrulhamento jornalístico, cultural e artístico.
No que tange ao leilão de Libra, também se observa que o negócio foi um sucesso. Não, não do ponto de vista econômico, mas no ponto de vista da manutenção do controle estatal. Aliás, qualquer que fosse o resultado da hasta, o sucesso estaria garantido. Em qualquer cenário, lá estaria o todo-poderoso Estado pronto a abocanhar generosa fatia da produção petroleira e, conseqüentemente, os petrodólares gerados. E a manutenção do petróleo nas mãos da Petrobrás é extremamente importante! Afinal, o petróleo é nosso e sua riqueza poderá ser utilizada para o bem da nação... Só que não! Ou será que deixamos de ser o país cujo preço da gasolina está entre os mais altos do mundo? 
A importância da Petrobrás, e das demais grandes empresas estatais, reside na manutenção de dois importantes instrumentos de poder nas mãos do governo: o poder econômico e o poder político. Detendo empresas estatais que atuam em setores ditos estratégicos da economia é de fundamental importância para que o poder econômico gerado por elas seja utilizado no financiamento da imprensa e da produção artístico-cultural tupiniquim. Não obstante, os maiores anunciantes da mídia são justamente as empresas estatais como o Banco do Brasil, os Correios, a Caixa Econômica Federal e a própria Petrobrás. Isto gera certo grau de dependência nos veículos de entretenimento e informação, que acabam ficando reféns das gordas verbas publicitárias estatais, adotando posturas e discursos consoantes com o partido governante. Semelhante situação acontece com a produção cultural, especialmente a cinematográfica, que depende de patrocínio para que um projeto efetivamente "saia do papel". 

Não fosse suficiente o domínio econômico, as empresas estatais servem como instrumentos políticos de poder. Através delas o partido governante, seja ele qual for, pode trocar cargos por alianças partidárias de acordo com sua conveniência. O resultado é que o governo pode virtualmente escolher seus aliados e adversários, fazendo com que o jogo político fique extremamente desequilibrado por conta da compra de consciência e votos das bancadas parlamentares. E não precisa ser de forma ilegal, com mensalões ou dólares na cueca: basta um assento nos Correios, uns carguinhos no Banco do Brasil ou a diretoria de uma das famigeradas agências reguladoras e voilà! Aliados e adversários escolhidos! Tudo pago, claro, com nosso suado dinheiro, roubado na forma de impostos.