quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

A Ilusão da Igualdade

Todos querem igualdade. Bem, pelo menos a maioria das pessoas. Em busca dela, atitudes políticas, culturais e artísticas são aplicadas a fim de que possam tornar cada ser humano igual ao outro. E é precisamente aí que reside o erro. Queiramos ou não, aceitemos ou não, a regra da natureza não é a igualdade entre os indivíduos, mas a diferença entre eles. Por este motivo, qualquer ação que vise estabelecer um padrão igualitário entre as pessoas (ou qualquer ser individual) estará automaticamente gerando injustiças e alterando a ordem natural das coisas. Fôssemos iguais, seríamos meros organismos unicelulares (se olharmos pelo prisma da Teoria da Evolução) ou então o mundo teria seis bilhões de Einsteins, Pelés, Shakspeares ou a mesma quantidade de imbecis, pernas-de-pau ou bobos da corte.
Não é por acaso que todos, repito, todos os movimentos que pregaram a imposição da igualdade geraram à sua esteira apenas morte, injustiça e desigualdade. Foi e é assim desde a Revolução Francesa que, em nome da igualdade, gerou terror, morte e destruição e, de lambuja, transformou a outrora superpotência representada pelo “Reino da França” em um mero coadjuvante republicano da história contemporânea que, não fossem os “fucking americans” estaria hoje comendo chucrute e salsicha bock. (aliás, depois da revolução, a França só tomou pancada dos alemães).
O negócio, porém, não para por aí. De lá para cá, pipocaram novos regimes, inspirados nos filósofos revolucionários, que fundaram sistemas que não tiveram melhor sorte. Da Rússia à Coréia do Norte, passando por Cuba, Camboja, China, Vietnã, Laos, América Latina ou a África Subsaariana, mais de cem milhões de pessoas pagaram com suas vidas o preço da ilusão da igualdade. Não obstante, nesses regimes, formaram-se duas classes dominantes: os proletários pagadores de tributos e os membros do partido, sugadores do trabalho alheio. O resultado: uma elite altamente enriquecida e uma população altamente miserável.
A busca pela igualdade ilusória, que nos é imposta como justa e decisiva para a realização da chamada “justiça social”, é efetivada por diversas determinações, leis e MP que instituem cotas para acesso à educação superior ou serviço público. A equiparação de homossexuais com heterossexuais para todos os fins (mesmo que existam flagrante diferenças entre os grupos) também é um sinal claro da imposição da norma igualitária que permeia a mente de nossos fazedores de leis, intelectuais e artistas. Em ambos os casos, vai-se de encontro ao ordenamento natural e busca-se tornar iguais indivíduos que são diferentes.
As cotas estabelecidas pelo governo para concursos públicos ou vestibulares alteram justamente aquilo que é igual para todos: as exigências do concurso. Retira-se o mérito do indivíduo e passa-se a valorizar a cor da sua pele, o sistema de ensino de onde eles provêm ou sua opção sexual.  Ao mesmo tempo, carimbam o negro, o pobre e o homossexual como seres incapazes, burros e ignorantes, que não possuem condições de competir com os demais cidadãos. Como arremate da obra, assume a incompetência com a qual trata o ensino público que é incapaz de dar condições a seus alunos de competir por uma vaga na universidade ou no serviço estatal.
Situação semelhante ocorre com a distribuição de bolsas. Neste caso, além do caráter ideológico da coisa, há a formação de um permanente curral eleitoral que irá garantir a eleição permanente do governo que fornece dinheiro gratuitamente aos ditos “mais necessitados”, ao mesmo tempo em que pune a força produtiva do país com pesados impostos e uma legislação tão draconiana que torna virtualmente impeditiva a criação de novos empregos, e o ciclo se fecha. O governo distribui bolsas para os pobres e desempregados, cobra impostos e tributos absurdos dos empregadores que não conseguem gerar mais empregos, que geram pessoas desempregadas (que passam à situação de pobreza), que passam a receber o benefício do governo. Tudo para garantir mais votos no suspeitíssimo sistema eleitoral tupiniquim. Novamente, alteram-se as regras de algo que é igual para todos (mercado de trabalho) ao distribuir-se dinheiro. Afinal, muitos simplesmente acharão mais confortável ficar recebendo a mesada estatal do que arregaçar as mangas e procurar um emprego. E os que trabalham são taxados para sustentar os que não trabalham. E chamam a isso, igualdade.
Muitos outros exemplos poderiam ser citados para exemplificar esta verdadeira esquizofrenia que se tornou a busca pela igualdade. Quando obras populares como o funk ou as novelas globais ganham espaço e importância maior que a de nomes como Villa-Lobos, Tom Jobim, Machado de Assis ou Mário Quintana, fica claro e evidente a distorção que temos sobre igualdade.
O que tem que se buscar é a manutenção da igualdade das condições apresentadas, e não igualar os valores individuais, visto que cada pessoa possui um grau de ambição, determinação, responsabilidade e paciência diferentes e isto é o que irá nortear suas decisões e o resultado de suas escolhas. Se o ensino público é fraco, que ele seja melhorado, e não alvo de cotas. Quanto aos negros e aos homossexuais, tenho que eles possuem plenas condições de competir em igualdade de condições com todos. Reservar cotas para estes grupos além de discriminatório é chamá-los de incapazes.
A continuarmos neste ritmo, em breve a política de cotas irá alcançar situações bizarras. Já imaginaram cotas para obesos nas competições de atletismo? Cotas para negros na natação e para brancos nos 100m rasos ou na maratona? Pode parecer um exagero, mas do jeito que a coisa anda, em breve poderemos ter essas aberrações. Imaginem a situação “na prova dos 100m rasos, Usain Bolt deverá correr 120m, a fim de garantir a igualdade com os seus competidores”. Absurdo e ridículo.

Precisamos aceitar que somos diferentes, somos únicos e somos responsáveis por nossas escolhas. É preciso lutar para que o Estado ou o governo pare de interferir em nossas vidas e deixe de atrapalhar as conquistas do indivíduo e passe a garantir condições de igualdade através de regras claras, pouca tributação e ensino despolitizado e de qualidade. A continuar impondo esta ilusão da igualdade estaremos fadados a seguir pelo mesmo caminho que a história já nos mostrou: injustiça, desequilíbrio e desigualdade.