segunda-feira, 31 de março de 2014

Um Editorial de Merda

O editorial de hoje do jornal Zero Hora, O Papel dos Militares, é extremamente revelador. Nele podemos verificar o completo despreparo e incompetência da editoria deste periódico além, é claro, do seu já conhecido posicionamento esquerdista (grande novidade!).
O texto começa versando sobre um suposto desconforto com que os militares vêem o registro feito pela imprensa e as redes sociais dos 50 anos da Contra-Revolução de 31 de Março de 1964. A causa seria, conforme o editorial, o fato de a esquerda estar no poder, “incluindo-se aí pessoas que participaram diretamente da luta contra o autoritarismo, entre as quais a própria presidente da República” ela mesma, a terrorista.  Imediatamente, passa a afirmar que as reportagens não estão omitindo o apoio e a participação dos diversos setores da sociedade e do governo no que é chamado “quebra da democracia”, numa tentativa patética de dar isenção ao texto.
O cerne do texto, entretanto, revela o quão imbecil, desinformada e leviana é a equipe editorial de Zero Hora: Os militares alegam que foram chamados para impedir a implantação do comunismo no país e que, pelo menos num primeiro momento, cumpriram o dever constitucional de defender a população. Trata-se, evidentemente, de uma falácia. Numa democracia, não é preciso fazer uso da força para substituir governantes que desonram seus mandatos, como os próprios brasileiros demonstraram posteriormente em 1992, no movimento de impeachment que provocou a renúncia de Fernando Collor. Ninguém precisou pegar em armas nem foi preciso colocar tanques nas ruas para mudar o governo em pleno mandato.
No primeiro trecho do parágrafo, o brilhante jornal Zero Hora, classifica a ação dos militares como sendo uma falácia, sob o argumento de que Numa democracia, não é preciso fazer uso da força para substituir governantes que desonram seus mandatos, como os próprios brasileiros demonstraram posteriormente em 1992, no movimento de impeachment que provocou a renúncia de Fernando Collor. Ora... A falácia quem está cometendo são vocês editores idiotas. Vocês precisam estudar, e muito. Precisam se informar antes de fazer um texto de merda desses! João Goulart não apenas desonrou seu mandato. Ele queria dar um golpe. Ele queria implantar as reformas de base no país que nos fariam caminhar para o abismo comunista. Ou será que vocês não sabem disso? Vocês acham que ele foi visitar a China comunista para conhecer a Grande Muralha é isso? Vocês, por acaso, têm noção da gravidade que foi o discurso feito por Jango aos sargentos no Automóvel Clube de São Paulo? Não, vocês não têm essa noção porque vocês são muito burros. Ali se pregava a quebra da hierarquia e da disciplina das Forças Armadas. E isso é grave. Militares, de qualquer país do mundo, são treinados e preparados para a guerra, para momentos de crise, e a integridade da instituição depende destes dois valores, inclusive para defenderem a segurança de vocês seus idiotas!
Vocês se esquecem que estávamos em plena Guerra Fria. Sonegam ao leitor a influência soviética nos partidos da esquerda brasileira. Calam-se quanto ao treinamento de Luís Carlos Prestes em terras comunistas com o objetivo de liderar o levante armado contra o país. Ignoram as ações do serviço secreto soviético por intermédio de Ladislav Bittman, agente tcheco, que forjou a influência norte americana nas ações daquele 31 de Março de 1964. Vocês, editores da Zero Hora, são incapazes de estabelecer uma ligação entre a Intentona Comunista de 1935 com os fatos que deram origem à ação militar para salvar o país daqueles que pregavam a implantação de um regime assassino que matou mais de cem milhões de pessoas ao redor do mundo, que calou a imprensa, e que destruiu a religião e os valores morais nos países que o experimentaram. Acaso é este o regime que vocês defendem? Acredito que sim, visto que nada dizem a respeito das violações dos direitos mais fundamentais que sofrem os cubanos, os norte-coreanos os chineses e mesmo os russos.
Para completar a verdadeira falácia, o editorial traça um paralelo com o que aconteceu com o presidente Collor em 1992. Acontece que Collor não estava envolvido em, essas sim, “tenebrosas transações” para transformar o país em uma ditadura (de verdade viu?), como estava Jango. Não havia situação de quebra da hierarquia e disciplina nas Forças Armadas. Não havia um Brizola, tão idolatrado por vocês, que não passava de um delirante ideológico que queria impor à força o regime comunista no Brasil, recebendo financiamento de Cuba para fazê-lo (talvez Fidel tenha se cansado da sua incompetência). Não havia uma divisão dentro das três forças singulares entre os legalistas e aqueles que queriam evitar o golpe vermelho. Collor apenas foi condenado por corrupção, uma condenação da qual foi absolvido no STF. E vocês querem comparar a situação de Collor com João Goulart... Vocês ocultam que os simpatizantes de Jango pegaram em armas sim para defender o presidente. A situação era incomparavelmente mais grave. Não era uma simples troca de governante seus burros: era a troca de um sistema democrático por um totalitário! Censurar estas preciosas informações a seus leitores só pode ser obra de pessoas que são ou ignorantes ou ideologicamente comprometidas com a “causa”. (aliás, perto do Molusco, Collor é ladrão de galinhas!)
No prosseguir do editorial, tenta-se separar os atuais integrantes das Forças Armadas daqueles “golpistas e autoritários”. Ora... Não há separação, não há discordância. Há o que sempre houve: Forças Armadas coesas e comprometidas com a liberdade, com a verdadeira democracia e com os anseios do povo brasileiro, e não de um grupo político que aparelha o Estado, as universidades, a imprensa e mesmo a Igreja.
Como arremate, o editorial termina afirmando que o distanciamento histórico dos acontecimentos de 1964 permite uma avaliação mais serena da participação dos militares no “golpe”, ressaltando que não se trata de revanchismo tal revisão, mas de se reavaliar o passado para que os erros daquele período não se repitam. Destaca que os civis e militares que protagonizaram aquele episódio (o 31 de março de 1964) não são isentos de crítica mesmo que protegidos pela lei da anistia. O engraçado é que a tal “revisão da história” só deve ser feita para os civis e militares que realizaram a contra-revolução. Calam-se quando se trata dos terroristas, aí incluindo a Presidente da República e alguns atuais colunistas do jornal, que participaram do planejamento ou da execução de seqüestros, homicídios, estupros e torturas  inclusive de seus companheiros de causa (justiçamentos). Estes, segundo o editorial, são isentos de críticas e de culpabilidade, diferente daqueles. Recebem, aliás, polpudas indenizações paga pelo bolso de todos nós brasileiros, inclusive dos editores de Zero Hora.
A editoria de Zero Hora produziu um dos artigos mais infeliz, burro e idiota que eu já li. Poderiam ter feito melhor. Poderiam ter começado com a idéia de que “apesar da justificativa de salvar o país do comunismo, os militares acabaram endurecendo o regime... blábláblá AI-5.... blábláblá exílio em Paris, Roma e Londres... blábláblá censura.... blábláblá pobres estudantes e artistas lutando pela democracia... blábláblá torturas nos porões da ditadura... blábláblá viva Lula e Dilma”. Seria contestável também, mas muito mais verossímil.

Mas não. Quiseram criticar justamente o ponto onde a intervenção dos militares foi justificada, necessária e decisiva... O resultado: um editorial de merda.

quinta-feira, 20 de março de 2014

O Cálice Vermelho

A censura que houve durante o período do governo militar pode-se dizer que foi, no mínimo, inócua. Uma ou outra música tinha sua letra alterada ou era vetada pelo censor. Algumas notícias eram vetadas ou editadas, mas, cedo ou tarde, elas acabavam sendo publicadas. Os motivos para que alguma obra fosse vítima da censura não é do meu conhecimento; uma coisa, porém é certa: se a intenção era evitar ou impedir a disseminação dos ideais socialistas e comunistas (de esquerda em geral) conclui-se que foi um fracasso retumbante.

A prova mais cabal desse fracasso é a nossa atual geração de intelectuais, jornalistas e professores que promovem uma doutrinação ideológica há pelo menos três décadas sem que pudessem encontrar maior resistência. E não me venham com a desculpa do exílio! Até onde consigo enxergar, não existe um único documento ou processo deste tipo produzido pelo governo na época.  Aqueles que partiram para Londres, Roma, Paris ou Nova Iorque (todas cidades porco-capitalistas) o fizeram pelo simples motivo de não querer enfrentar o processo legal por seus supostos crimes. Ademais, contavam com um bom suporte financeiro para poderem viver nessas cidades (quem os sustentou?).

Censura é assunto por demais delicado. Há os que dizem que ela não pode existir em hipótese alguma. Há aqueles que a defendem como forma de proteger a sociedade de idéias potencialmente nefastas. Sobre esta utilidade da censura, convém lembrar o que disse Yuri Bezmenov quando de sua palestra a uma classe de estudantes norte-americanos acerca do processo de subversão moral soviética. Bezmenov, como ex-agente de propaganda soviético, fala que a censura (em determinado estado do processo de subversão) pode impedir que o país alvo seja completamente destruído e dominado por uma ideologia alienígena. É precisamente por este motivo que o bloco soviético sobreviveu por tanto tempo. Tudo o que vinha do mundo ocidental (ou capitalista, como queiram) era sumariamente censurado.

Na luta contra a figura do censor no Brasil, Chico Buarque e Milton Nascimento compuseram a música Cálice, uma crítica ferrenha à censura no país. Apesar do posicionamento político dos autores (apoiar um regime que praticou a censura como nenhum outro), não podemos deixar de reconhecer a qualidade da composição. E o cálice, de vinho tinto de sangue, precisava ser afastado. O engraçado da história é que o período da República onde mais este cálice se fez presente foi na ditadura Vargas. Existiu naquele período um departamento especificamente criado para vetar tudo aquilo que contrariasse o que o ditador considerasse errado e, ao mesmo tempo, exaltá-lo (procedimento tipicamente socialista e fascista). Ninguém jamais protestou contra este cálice.

A mão de quem serve é determinante (para nossos intelectuais) na aceitação ou não do cálice. Quando ele é servido por mãos da dita “direita”, mesmo que quase inofensivo, torna-se algo imediatamente hediondo e nefasto. Quando a mão é camarada, cessam-se os problemas e a bebida deixa de ser amarga para se tornar uma dose da qual se deve beber e agradecer pela sua existência. É exatamente isto o que vivemos hoje. Não é à toa que, no cálice vermelho, a censura se torna doce. É preciso que aqueles que bebem de seu conteúdo não sintam que estão sendo silenciados. O vinho tinto de sangue foi substituído pelo doce licor do politicamente correto, que esmaga opiniões e cala as vozes daqueles que ousam questionar o status quo.


Estamos vivendo um dos períodos de maior censura de nossa história. O problema é que não percebemos. Sequer as Forças Armadas escapam. 

quarta-feira, 12 de março de 2014

Guerra Não Militar

A pena é mais poderosa do que a espada. Custei a entender esta afirmação. A mim simplesmente não fazia sentido: a espada mata, fere. A pena... Bem, a pena apenas escreve palavras sobre o papel. Porque deveria ser, pois, mais poderosa do que a espada? Mas é. Descobri que as espadas são apenas os instrumentos utilizados por ela. Não fosse pelo poder da pena, talvez milhões de vidas fossem salvas do holocausto comunista e fascista. Uma assinatura de Stálin ou Hitler e pronto: mais alguns milhares de mortos. A espada mata; a pena também. Ambas entram em conflitos. Ambas entram em guerra.
Neste exato momento estamos em plena guerra. Não uma guerra onde blindados se chocam contra formações de infantes ou fogos de artilharia destroem casas-matas. Vivemos em uma guerra não militar, um combate que não se desenrola por intermédio das armas de fogo, mas por teclados de computadores. O campo de batalha não são colinas, cursos d’águas, florestas ou a vastidão dos pampas. O terreno é outro. São as redações de jornais, as universidades, os meios de comunicações e, sem dúvida, a área política.
Armas diferentes, terreno diferente. As táticas, entretanto, permanecem as mesmas (ou pelo menos muito semelhantes). No combate militar, a avaliação do terreno e do inimigo são dois dos principais aspectos a serem considerados. Na guerra sem tiros, também. A estratégia a ser utilizada pelos combatentes sem armas não diverge muito daquelas que são aplicadas no conflito bélico. Guerra é, pois, um conceito bastante abrangente, que extrapola o conceito tradicional de dois exércitos em conflitos.
Vejamos o caso do Brasil. Nas últimas décadas estivemos envolvidos no combate não militar, quando a ideologia de esquerda (derrotada no campo tradicional) partiu para a guerra não armada. Ocupou espaços na mídia, na academia, no meio artístico e cultural apossando-se dos principais objetivos para conquistar a vitória. Silenciosamente, preparou a sua ascensão política e hoje domina virtualmente todos os espaços de criação, discussão e execução das idéias, expurgando o pensamento conservador e liberal do campo de batalha tornando-se, assim, extremamente poderosa e dotada de todos os meios para aniquilar qualquer adversário que se apresentasse.
Diante da situação apresentada, os remanescentes desta corrente de pensamento adotaram uma tática comum aos exércitos que são derrotados, mas que permanece com o objetivo de recuperar o terreno perdido, qual seja a preparação de seus quadros. Quando os meios são reduzidos, a formação intelectual passa a ser fundamental para que se possa ter a possibilidade de entrar novamente em batalha e recuperar o espaço subtraído. Não obstante, o surgimento de lideranças é fundamental para que se mantenha viva a esperança de se voltar ao combate em condições de provocar alguma mudança no cenário. Neste cenário, pensadores e jornalistas como Olavo de Carvalho, Percival Puggina, Heitor de Paola, Graça Salgueiro, Carlos Azambuja dentre outros foram aqueles que, em um esforço hercúleo, resolveram assumir a responsabilidade de preparar, informar e contrapor o pensamento dominante. Foi por esta razão que a esquerda não conseguiu sua vitória total.
Além desta atitude, essas mesmas pessoas passaram a adotar uma tática que, transportada para arte da guerra, caracterizar-se-ia por ações irregulares. Negado o acesso aos meios de informação e opinião regulares, passaram a utilizar o mercado editorial (em editoras menores) para expor suas obras, suas idéias e as informações que possuíam. Em alguns casos chegaram a ocupar um espaço, extremamente reduzido é verdade, na redação dos grandes jornais onde puderam entregar ao leitor uma visão diferente da homogeneidade reinante. Isto até suas presenças tornarem-se inconvenientes. Neste caso são sumariamente eliminados (Olavo que o diga).
Mesmo com todas as restrições impostas (justamente por aqueles que se auto-intitulam defensores da liberdade), conseguiu-se formar novos defensores do pensamento conservador. O aporte de novos estudantes, jornalistas, filósofos e profissionais das mais diversas áreas deram um novo ânimo às forças conservadoras a ponto de ser possível quebrar o cerco e partir para o enfrentamento mais contundente. Mas como?
Estando em uma situação de cerco, existem duas maneiras de se quebrá-lo: um resgate ou um ataque maciço no seu ponto mais fraco. Como a primeira opção estivesse fora de cogitação, utilizou-se a segunda tática, atacou-se o ponto no qual a esquerda não detinha a supremacia: a internet. Através de páginas pessoais, revistas eletrônicas, blogs e redes sociais, o pensamento conservador conseguiu romper o cerco, atingindo grande parcela da população.
A grande vantagem, entretanto, está no fato de que a população brasileira é de viés predominantemente conservador. Órfã de quem expressasse sua opinião, seus anseios, seus receios e seu pensamento, o povo começou a ter na grande rede mundial de computadores o eco que não ouvia no restante da mídia. Novos nomes surgiram, defendendo os valores conservadores e liberais e a população se deu conta de que aquelas pessoas a representava. A esquerda, inebriada em seu próprio transe, acreditava que seus ideais eram comungados com o povo. Enganou-se redondamente.
Para fazer frente à investida conservadora, tratou de enviar sua tropa especial: pessoas e grupos treinados e preparados para derrubar páginas, hackear perfis em redes sociais, lançar calúnias e atacar em todas as frentes a índole e a moral de seus inimigos (visto que no campo da argumentação, o embate é simplesmente impossível em virtude da incapacidade desta esquerda refutar, anular ou contrapor o que lhe é apresentado). Ao mesmo tempo a população descobriu que era na internet (e não na mídia tradicional) que ela encontraria um contraponto consistente e com credibilidade à monotonia esquerdista, passando a entender melhor o que se passa tanto no Brasil quanto no mundo (especialmente em nossos vizinhos).
A esquerda, identificando sua fraqueza, não tardou a agir. Passou a defender como algo fundamental a criação do famigerado marco civil (tanto da imprensa como da internet). Só assim ela teria a justificativa legal para vetar conteúdo, calar vozes e aparelhar ainda mais esses meios de comunicação com seus quadros, sob a falácia de “democratizá-los”. Ocorre que a tarefa, desta feita, não será assim tão simples de se executar, em virtude do espaço conquistado por aqueles que, outrora marginalizados, foram adotados como representantes dos anseios dos brasileiros pelo próprio povo. A oposição a essas medidas decorre não apenas do fato delas serem planejadas especificamente para silenciar (outra vez) o pensamento conservador e liberal, mas por se tratar de evidentes atos atentatórios à liberdade.

O cerco ao qual o pensamento conservador esteve submetido foi rompido. Resta saber se, finalmente, encontraremos eco na política para pormos fim a décadas de hegemonia socialista no Brasil. Para isto, porém, é imperativo que as forças dispersas se reúnam e passem a se organizar em torno do próximo objetivo: a reconquista do espaço político. É isso ou as forças, ainda divididas, serão destruídas uma a uma. Pode ser que desta vez, porém, ocorra uma aniquilação total dos remanescentes. Se há alguma coisa que a esquerda faz muito bem é analisar suas ações, identificar os erros, corrigi-los e aprimorar seus métodos (exatamente como uma força armada faria) em busca do sonhado e utópico novo mundo possível.

terça-feira, 4 de março de 2014

O Ator Solitário do Século XX

O mês que ora se inicia tem, no seu último dia, o marco do momento mais importante da história recente do Brasil. Nesse dia, o movimento cívico-militar de 1964 alcançará o seu jubileu de ouro e muito provavelmente, por força da caneta vermelha petista, pouco ou nada será dito nas Organizações Militares brasileiras espalhadas no território nacional (órgãos civis, nem pensar). Sobre isso, nada a declarar (aliás, já declarei). Os cinqüenta anos da contra-revolução de 31 de março de 1964 muito provavelmente serão relembrados da maneira corrente que este período da história nacional é tratado, ou seja, muita desinformação e falsificações (como tem sido a tônica do estudo historiográfico tupiniquim).
Precisamente sobre esse período nossos ilustres pesquisadores, historiadores e jornalistas de meia pataca em geral, resolvem sacar do contexto histórico o período dos governos militares, retirando-lhe de um quadro complexo e simplificando-o como sendo “uma ditadura sanguinária que torturava inocentes, censurava, perseguia e era contra a democracia”. A coisa, porém, não é tão simples. A ascensão dos generais à presidência da república não é fruto do nada e tampouco foi um movimento unilateral das Forças Armadas; foi a resposta dada ao clamor popular contra a implantação do comunismo em solo pátrio, regime este amplamente reprovado pelo povo brasileiro (e de retumbante fracasso em todos os países que o adotaram).
Entretanto, não é desta maneira que os estudiosos brasileiros enxergam o período. Para eles os militares só chegaram ao poder por intermédio dos EUA, que interferiram diretamente na política nacional. Tem até filme sobre assunto. O interessante é notar que, para os entendidos tupiniquins, a história do século XX foi protagonizada por um ator solitário: os Estados Unidos da América. Ignoram por completo que desde os primórdios do século passado o mundo tem sido dividido entre os norte-americanos e a antiga URSS, hoje Rússia.
Mesmo com o surgimento da China ou dos países árabes como atores importantes no cenário internacional, o conflito cultural e político ainda está polarizado entre esses dois países que lutam constantemente por exercerem sua influência nos recantos mais longínquos do globo. Ainda assim, nossos autores insistem em extirpar da cena histórica a decisiva influência russa, mais precisamente da Internacional Comunista, no Brasil. Ainda hoje quando se fala que a contra-revolução foi necessária para impedir o avanço comunista no país os formadores de opiniões torcem o nariz.
Contudo, a ameaça vermelha (e eu não estou falando do glorioso Sport Club Internacional) era e é bastante real. Pelo menos desde 1935, quando da Intentona Comunista, o Brasil vem sendo constantemente alvo de pessoas, partidos e governos que insistem em implantar um sistema comunista ou socialista no país. Durante a ditadura do Estado Novo, o Partido Comunista Brasileiro entrou para ilegalidade e foi duramente reprimido por Vargas. Nesse período, continuou a doutrinar as massas proletárias de todos os setores da sociedade, (inclusive os militares, notadamente as praças) com o objetivo de disseminar o ideal comunista e angariar apoio e novos militantes para a “causa”.
Para obter sucesso o movimento comunista utiliza-se de variadas táticas para poder alcançar seu objetivo estratégico final, qual seja implantar a ditadura do proletariado (na prática, a ditadura do partido). O comunismo é um movimento de dominação totalitária e apátrida que possui um modus operandi de amplo espectro, pois pode ter seus objetivos atingidos pela via violenta ou pacífica.
Em 31 de março de 1964, optou-se pela via violenta, a ponto de Luis Carlos Prestes (a essa altura um agente da Internacional Comunista treinado e doutrinado em Moscou) acreditar que as Forças Armadas estavam sob seu controle ideológico. Por um momento o Exército chegou a estar dividido entre legalistas que apoiavam a permanência de Jango e aqueles que estavam dispostos a enfrentar a ameaça comunista. De fato, não fosse a intervenção do general Emílio Garrastazu Médici (então comandante da Academia Militar) e seus cadetes, poderia ocorrer um conflito dentro do Exército que possivelmente desembocaria em uma guerra civil no Brasil.
Por intermédio de uma maciça movimentação popular (a maior que o Brasil já teve), envolvendo todos os setores da sociedade, os militares viram-se obrigados a responder ao clamor das ruas e impedir que o país fosse transformado em mais uma “república popular ou democrática”. A tentativa de golpe dos comunistas havia sido desarticulada e neutralizada em um espaço de tempo extremamente curto e o Brasil pode ver-se livre do genocídio que somente o comunismo pode proporcionar.
Mas a luta armada daqueles que queriam a ditadura proletária no país não iria parar. Grupos financiados e treinados pela URSS através de seu posto avançado, Cuba, passariam a aterrorizar a população e a promover o terrorismo no país sendo o atentado ao aeroporto de Guararapes, em 25 de julho de 1966, um importante sinal de que a luta estava apenas começando. Esta e outras ações terroristas justificariam a publicação do AI-5, uma resposta tardia do governo à violência praticada pelos “pobres defensores da democracia”. A partir daí, surgiriam grupos terroristas tais como o MR-8, a VAR-Palmares (da Dilma), a ALN e o Partido Comunista Brasileiro Revolucionário. Esses grupos foram responsáveis por inúmeros atos de violência contra pessoas inocentes e forças de segurança do governo. Mataram, seqüestraram, estupraram e roubaram. Hoje seus ex-integrantes recebem polpudas indenizações por terem sido “perseguidos políticos da ditadura".
Esses grupos, assim como as células organizadas e comandadas por Leonel Brizola (que recebia dinheiro de Cuba para treinar seus quadros) não eram financiados por doações de pessoas que acreditavam em sua causa. Havia duas maneiras destas organizações terroristas se manterem: ou conseguiam seus recursos através de atos criminosos ou eram financiadas por algum órgão estrangeiro que, no caso, era Moscou. O treinamento doutrinário e ideológico era baseado nos ditames estabelecidos desde o Kremlin e realizado em campos localizados em Cuba. Mas porque, então, a história oficial brasileira (aquela aprovada pelo MEC) omite criminosamente tão importantes informações?
A resposta está na outra estratégia comunista de tomada do poder: a via pacífica. Nela, a luta armada deixa de ser importante e a dominação dos meios formadores de opinião passa a ter o papel principal. Apesar de ser um movimento de longo prazo, sua eficácia pode ser comprovada ao folharmos os jornais, assistirmos uma aula de humanas em uma universidade qualquer, ou prestarmos atenção ao sermão da missa. Invariavelmente, os valores comunistas estarão lá, elevados à condição de tábua de salvação. Toda a iniciativa contrária é condenada e imediatamente expurgada do cenário acadêmico, jornalístico e artístico.
No caso da busca pelo entendimento do que aconteceu durante o período militar no Brasil, a coisa acontece da seguinte maneira: tudo o que for denegrir a imagem dos governos militares é elevado à condição de idéia pétrea para o entendimento do regime. Não podemos esquecer claro, da intervenção dos EUA. Analogamente, tudo o que é dito em defesa deste mesmo período, mesmo que fartamente provado, é colocado sob suspeita, invalidado ou (mais corriqueiramente) ignorado. Influência russa? Isso é coisa de paranóico! Assim, progressivamente, a história vai sendo reescrita ao bel prazer da burocracia estatal, cuja Comissão da Verdade é o ápice da ânsia falsificadora esquerdista.
Negar a influência russa e colocar em cena os EUA como único ator do período é de uma canalhice sem tamanho. Querer contar a história brasileira (ou de qualquer outro país), desconhecendo as técnicas de desinformação soviéticas, da conquista pacifica do poder ou sua estratégia de subversão moral é querer participar do grupo de observadores míopes da história. É demasiado ingênuo crer que somente “a direita” recebia apoio do exterior (EUA) e que a Rússia assistia a tudo tranquilamente bebendo Vodka e fumando charutos cubanos!
Os militares, contudo, também possuem sua parcela de culpa. Ao combaterem a guerra de guerrilhas (com sucesso, algo bastante raro na história militar), esqueceram-se do front cultural. Neste aspecto, perderam a guerra no cômputo geral, pois além de o Brasil ter se tornado um país socialista, o período 1964-1985 vem sendo alvo sistemático de desinformação. Isto foi possível devido à formação de uma geração de acadêmicos e intelectuais comprometidos ideologicamente com o ideal comunista. Pouco a pouco, a versão daqueles que efetivamente vivenciaram o período foi sendo substituída pela história oficial.
O tiro de misericórdia foi a estratégia do silêncio adotada pelos chefes militares ao entregarem a presidência aos civis, sob o argumento de que a história julgaria o período. E eis a Comissão da Verdade fazendo seus julgamentos. O preço deste auto-boicote não está sendo cobrado apenas das Forças Armadas, mas de toda a população brasileira que vê seus direitos individuais sendo paulatinamente seqüestrados pelo Estado. Não fossem iniciativas como os livros do coronel Brilhante Ustra e a ação de articulistas como Olavo de Carvalho, Carlos Azambuja e outros, a essa altura, muito provavelmente, nada teríamos que não fosse material comunista.

Ao contrário do que muitos pensam a verdade não possui lados ou versões. A verdade, em si, é uma só. O elemento variável é a capacidade de observação do estudioso que, se não for isento e dotado de senso crítico e rigor científico, irá invariavelmente distorcer aquilo que ele está enxergando. Anular qualquer fonte de dados pelo simples motivo de ser proveniente do “governo da época” ou “da direita” é contribuir para a disseminação de uma visão distorcida da verdade histórica. Infelizmente, as pessoas que são supostamente treinadas e formadas para realizarem tais pesquisas são, na verdade, doutrinadas para perpetuar as informações e os fatos que já estão cristalizados no imaginário acadêmico, especialmente no que tange ao governo dos militares.