quarta-feira, 12 de março de 2014

Guerra Não Militar

A pena é mais poderosa do que a espada. Custei a entender esta afirmação. A mim simplesmente não fazia sentido: a espada mata, fere. A pena... Bem, a pena apenas escreve palavras sobre o papel. Porque deveria ser, pois, mais poderosa do que a espada? Mas é. Descobri que as espadas são apenas os instrumentos utilizados por ela. Não fosse pelo poder da pena, talvez milhões de vidas fossem salvas do holocausto comunista e fascista. Uma assinatura de Stálin ou Hitler e pronto: mais alguns milhares de mortos. A espada mata; a pena também. Ambas entram em conflitos. Ambas entram em guerra.
Neste exato momento estamos em plena guerra. Não uma guerra onde blindados se chocam contra formações de infantes ou fogos de artilharia destroem casas-matas. Vivemos em uma guerra não militar, um combate que não se desenrola por intermédio das armas de fogo, mas por teclados de computadores. O campo de batalha não são colinas, cursos d’águas, florestas ou a vastidão dos pampas. O terreno é outro. São as redações de jornais, as universidades, os meios de comunicações e, sem dúvida, a área política.
Armas diferentes, terreno diferente. As táticas, entretanto, permanecem as mesmas (ou pelo menos muito semelhantes). No combate militar, a avaliação do terreno e do inimigo são dois dos principais aspectos a serem considerados. Na guerra sem tiros, também. A estratégia a ser utilizada pelos combatentes sem armas não diverge muito daquelas que são aplicadas no conflito bélico. Guerra é, pois, um conceito bastante abrangente, que extrapola o conceito tradicional de dois exércitos em conflitos.
Vejamos o caso do Brasil. Nas últimas décadas estivemos envolvidos no combate não militar, quando a ideologia de esquerda (derrotada no campo tradicional) partiu para a guerra não armada. Ocupou espaços na mídia, na academia, no meio artístico e cultural apossando-se dos principais objetivos para conquistar a vitória. Silenciosamente, preparou a sua ascensão política e hoje domina virtualmente todos os espaços de criação, discussão e execução das idéias, expurgando o pensamento conservador e liberal do campo de batalha tornando-se, assim, extremamente poderosa e dotada de todos os meios para aniquilar qualquer adversário que se apresentasse.
Diante da situação apresentada, os remanescentes desta corrente de pensamento adotaram uma tática comum aos exércitos que são derrotados, mas que permanece com o objetivo de recuperar o terreno perdido, qual seja a preparação de seus quadros. Quando os meios são reduzidos, a formação intelectual passa a ser fundamental para que se possa ter a possibilidade de entrar novamente em batalha e recuperar o espaço subtraído. Não obstante, o surgimento de lideranças é fundamental para que se mantenha viva a esperança de se voltar ao combate em condições de provocar alguma mudança no cenário. Neste cenário, pensadores e jornalistas como Olavo de Carvalho, Percival Puggina, Heitor de Paola, Graça Salgueiro, Carlos Azambuja dentre outros foram aqueles que, em um esforço hercúleo, resolveram assumir a responsabilidade de preparar, informar e contrapor o pensamento dominante. Foi por esta razão que a esquerda não conseguiu sua vitória total.
Além desta atitude, essas mesmas pessoas passaram a adotar uma tática que, transportada para arte da guerra, caracterizar-se-ia por ações irregulares. Negado o acesso aos meios de informação e opinião regulares, passaram a utilizar o mercado editorial (em editoras menores) para expor suas obras, suas idéias e as informações que possuíam. Em alguns casos chegaram a ocupar um espaço, extremamente reduzido é verdade, na redação dos grandes jornais onde puderam entregar ao leitor uma visão diferente da homogeneidade reinante. Isto até suas presenças tornarem-se inconvenientes. Neste caso são sumariamente eliminados (Olavo que o diga).
Mesmo com todas as restrições impostas (justamente por aqueles que se auto-intitulam defensores da liberdade), conseguiu-se formar novos defensores do pensamento conservador. O aporte de novos estudantes, jornalistas, filósofos e profissionais das mais diversas áreas deram um novo ânimo às forças conservadoras a ponto de ser possível quebrar o cerco e partir para o enfrentamento mais contundente. Mas como?
Estando em uma situação de cerco, existem duas maneiras de se quebrá-lo: um resgate ou um ataque maciço no seu ponto mais fraco. Como a primeira opção estivesse fora de cogitação, utilizou-se a segunda tática, atacou-se o ponto no qual a esquerda não detinha a supremacia: a internet. Através de páginas pessoais, revistas eletrônicas, blogs e redes sociais, o pensamento conservador conseguiu romper o cerco, atingindo grande parcela da população.
A grande vantagem, entretanto, está no fato de que a população brasileira é de viés predominantemente conservador. Órfã de quem expressasse sua opinião, seus anseios, seus receios e seu pensamento, o povo começou a ter na grande rede mundial de computadores o eco que não ouvia no restante da mídia. Novos nomes surgiram, defendendo os valores conservadores e liberais e a população se deu conta de que aquelas pessoas a representava. A esquerda, inebriada em seu próprio transe, acreditava que seus ideais eram comungados com o povo. Enganou-se redondamente.
Para fazer frente à investida conservadora, tratou de enviar sua tropa especial: pessoas e grupos treinados e preparados para derrubar páginas, hackear perfis em redes sociais, lançar calúnias e atacar em todas as frentes a índole e a moral de seus inimigos (visto que no campo da argumentação, o embate é simplesmente impossível em virtude da incapacidade desta esquerda refutar, anular ou contrapor o que lhe é apresentado). Ao mesmo tempo a população descobriu que era na internet (e não na mídia tradicional) que ela encontraria um contraponto consistente e com credibilidade à monotonia esquerdista, passando a entender melhor o que se passa tanto no Brasil quanto no mundo (especialmente em nossos vizinhos).
A esquerda, identificando sua fraqueza, não tardou a agir. Passou a defender como algo fundamental a criação do famigerado marco civil (tanto da imprensa como da internet). Só assim ela teria a justificativa legal para vetar conteúdo, calar vozes e aparelhar ainda mais esses meios de comunicação com seus quadros, sob a falácia de “democratizá-los”. Ocorre que a tarefa, desta feita, não será assim tão simples de se executar, em virtude do espaço conquistado por aqueles que, outrora marginalizados, foram adotados como representantes dos anseios dos brasileiros pelo próprio povo. A oposição a essas medidas decorre não apenas do fato delas serem planejadas especificamente para silenciar (outra vez) o pensamento conservador e liberal, mas por se tratar de evidentes atos atentatórios à liberdade.

O cerco ao qual o pensamento conservador esteve submetido foi rompido. Resta saber se, finalmente, encontraremos eco na política para pormos fim a décadas de hegemonia socialista no Brasil. Para isto, porém, é imperativo que as forças dispersas se reúnam e passem a se organizar em torno do próximo objetivo: a reconquista do espaço político. É isso ou as forças, ainda divididas, serão destruídas uma a uma. Pode ser que desta vez, porém, ocorra uma aniquilação total dos remanescentes. Se há alguma coisa que a esquerda faz muito bem é analisar suas ações, identificar os erros, corrigi-los e aprimorar seus métodos (exatamente como uma força armada faria) em busca do sonhado e utópico novo mundo possível.

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