terça-feira, 4 de março de 2014

O Ator Solitário do Século XX

O mês que ora se inicia tem, no seu último dia, o marco do momento mais importante da história recente do Brasil. Nesse dia, o movimento cívico-militar de 1964 alcançará o seu jubileu de ouro e muito provavelmente, por força da caneta vermelha petista, pouco ou nada será dito nas Organizações Militares brasileiras espalhadas no território nacional (órgãos civis, nem pensar). Sobre isso, nada a declarar (aliás, já declarei). Os cinqüenta anos da contra-revolução de 31 de março de 1964 muito provavelmente serão relembrados da maneira corrente que este período da história nacional é tratado, ou seja, muita desinformação e falsificações (como tem sido a tônica do estudo historiográfico tupiniquim).
Precisamente sobre esse período nossos ilustres pesquisadores, historiadores e jornalistas de meia pataca em geral, resolvem sacar do contexto histórico o período dos governos militares, retirando-lhe de um quadro complexo e simplificando-o como sendo “uma ditadura sanguinária que torturava inocentes, censurava, perseguia e era contra a democracia”. A coisa, porém, não é tão simples. A ascensão dos generais à presidência da república não é fruto do nada e tampouco foi um movimento unilateral das Forças Armadas; foi a resposta dada ao clamor popular contra a implantação do comunismo em solo pátrio, regime este amplamente reprovado pelo povo brasileiro (e de retumbante fracasso em todos os países que o adotaram).
Entretanto, não é desta maneira que os estudiosos brasileiros enxergam o período. Para eles os militares só chegaram ao poder por intermédio dos EUA, que interferiram diretamente na política nacional. Tem até filme sobre assunto. O interessante é notar que, para os entendidos tupiniquins, a história do século XX foi protagonizada por um ator solitário: os Estados Unidos da América. Ignoram por completo que desde os primórdios do século passado o mundo tem sido dividido entre os norte-americanos e a antiga URSS, hoje Rússia.
Mesmo com o surgimento da China ou dos países árabes como atores importantes no cenário internacional, o conflito cultural e político ainda está polarizado entre esses dois países que lutam constantemente por exercerem sua influência nos recantos mais longínquos do globo. Ainda assim, nossos autores insistem em extirpar da cena histórica a decisiva influência russa, mais precisamente da Internacional Comunista, no Brasil. Ainda hoje quando se fala que a contra-revolução foi necessária para impedir o avanço comunista no país os formadores de opiniões torcem o nariz.
Contudo, a ameaça vermelha (e eu não estou falando do glorioso Sport Club Internacional) era e é bastante real. Pelo menos desde 1935, quando da Intentona Comunista, o Brasil vem sendo constantemente alvo de pessoas, partidos e governos que insistem em implantar um sistema comunista ou socialista no país. Durante a ditadura do Estado Novo, o Partido Comunista Brasileiro entrou para ilegalidade e foi duramente reprimido por Vargas. Nesse período, continuou a doutrinar as massas proletárias de todos os setores da sociedade, (inclusive os militares, notadamente as praças) com o objetivo de disseminar o ideal comunista e angariar apoio e novos militantes para a “causa”.
Para obter sucesso o movimento comunista utiliza-se de variadas táticas para poder alcançar seu objetivo estratégico final, qual seja implantar a ditadura do proletariado (na prática, a ditadura do partido). O comunismo é um movimento de dominação totalitária e apátrida que possui um modus operandi de amplo espectro, pois pode ter seus objetivos atingidos pela via violenta ou pacífica.
Em 31 de março de 1964, optou-se pela via violenta, a ponto de Luis Carlos Prestes (a essa altura um agente da Internacional Comunista treinado e doutrinado em Moscou) acreditar que as Forças Armadas estavam sob seu controle ideológico. Por um momento o Exército chegou a estar dividido entre legalistas que apoiavam a permanência de Jango e aqueles que estavam dispostos a enfrentar a ameaça comunista. De fato, não fosse a intervenção do general Emílio Garrastazu Médici (então comandante da Academia Militar) e seus cadetes, poderia ocorrer um conflito dentro do Exército que possivelmente desembocaria em uma guerra civil no Brasil.
Por intermédio de uma maciça movimentação popular (a maior que o Brasil já teve), envolvendo todos os setores da sociedade, os militares viram-se obrigados a responder ao clamor das ruas e impedir que o país fosse transformado em mais uma “república popular ou democrática”. A tentativa de golpe dos comunistas havia sido desarticulada e neutralizada em um espaço de tempo extremamente curto e o Brasil pode ver-se livre do genocídio que somente o comunismo pode proporcionar.
Mas a luta armada daqueles que queriam a ditadura proletária no país não iria parar. Grupos financiados e treinados pela URSS através de seu posto avançado, Cuba, passariam a aterrorizar a população e a promover o terrorismo no país sendo o atentado ao aeroporto de Guararapes, em 25 de julho de 1966, um importante sinal de que a luta estava apenas começando. Esta e outras ações terroristas justificariam a publicação do AI-5, uma resposta tardia do governo à violência praticada pelos “pobres defensores da democracia”. A partir daí, surgiriam grupos terroristas tais como o MR-8, a VAR-Palmares (da Dilma), a ALN e o Partido Comunista Brasileiro Revolucionário. Esses grupos foram responsáveis por inúmeros atos de violência contra pessoas inocentes e forças de segurança do governo. Mataram, seqüestraram, estupraram e roubaram. Hoje seus ex-integrantes recebem polpudas indenizações por terem sido “perseguidos políticos da ditadura".
Esses grupos, assim como as células organizadas e comandadas por Leonel Brizola (que recebia dinheiro de Cuba para treinar seus quadros) não eram financiados por doações de pessoas que acreditavam em sua causa. Havia duas maneiras destas organizações terroristas se manterem: ou conseguiam seus recursos através de atos criminosos ou eram financiadas por algum órgão estrangeiro que, no caso, era Moscou. O treinamento doutrinário e ideológico era baseado nos ditames estabelecidos desde o Kremlin e realizado em campos localizados em Cuba. Mas porque, então, a história oficial brasileira (aquela aprovada pelo MEC) omite criminosamente tão importantes informações?
A resposta está na outra estratégia comunista de tomada do poder: a via pacífica. Nela, a luta armada deixa de ser importante e a dominação dos meios formadores de opinião passa a ter o papel principal. Apesar de ser um movimento de longo prazo, sua eficácia pode ser comprovada ao folharmos os jornais, assistirmos uma aula de humanas em uma universidade qualquer, ou prestarmos atenção ao sermão da missa. Invariavelmente, os valores comunistas estarão lá, elevados à condição de tábua de salvação. Toda a iniciativa contrária é condenada e imediatamente expurgada do cenário acadêmico, jornalístico e artístico.
No caso da busca pelo entendimento do que aconteceu durante o período militar no Brasil, a coisa acontece da seguinte maneira: tudo o que for denegrir a imagem dos governos militares é elevado à condição de idéia pétrea para o entendimento do regime. Não podemos esquecer claro, da intervenção dos EUA. Analogamente, tudo o que é dito em defesa deste mesmo período, mesmo que fartamente provado, é colocado sob suspeita, invalidado ou (mais corriqueiramente) ignorado. Influência russa? Isso é coisa de paranóico! Assim, progressivamente, a história vai sendo reescrita ao bel prazer da burocracia estatal, cuja Comissão da Verdade é o ápice da ânsia falsificadora esquerdista.
Negar a influência russa e colocar em cena os EUA como único ator do período é de uma canalhice sem tamanho. Querer contar a história brasileira (ou de qualquer outro país), desconhecendo as técnicas de desinformação soviéticas, da conquista pacifica do poder ou sua estratégia de subversão moral é querer participar do grupo de observadores míopes da história. É demasiado ingênuo crer que somente “a direita” recebia apoio do exterior (EUA) e que a Rússia assistia a tudo tranquilamente bebendo Vodka e fumando charutos cubanos!
Os militares, contudo, também possuem sua parcela de culpa. Ao combaterem a guerra de guerrilhas (com sucesso, algo bastante raro na história militar), esqueceram-se do front cultural. Neste aspecto, perderam a guerra no cômputo geral, pois além de o Brasil ter se tornado um país socialista, o período 1964-1985 vem sendo alvo sistemático de desinformação. Isto foi possível devido à formação de uma geração de acadêmicos e intelectuais comprometidos ideologicamente com o ideal comunista. Pouco a pouco, a versão daqueles que efetivamente vivenciaram o período foi sendo substituída pela história oficial.
O tiro de misericórdia foi a estratégia do silêncio adotada pelos chefes militares ao entregarem a presidência aos civis, sob o argumento de que a história julgaria o período. E eis a Comissão da Verdade fazendo seus julgamentos. O preço deste auto-boicote não está sendo cobrado apenas das Forças Armadas, mas de toda a população brasileira que vê seus direitos individuais sendo paulatinamente seqüestrados pelo Estado. Não fossem iniciativas como os livros do coronel Brilhante Ustra e a ação de articulistas como Olavo de Carvalho, Carlos Azambuja e outros, a essa altura, muito provavelmente, nada teríamos que não fosse material comunista.

Ao contrário do que muitos pensam a verdade não possui lados ou versões. A verdade, em si, é uma só. O elemento variável é a capacidade de observação do estudioso que, se não for isento e dotado de senso crítico e rigor científico, irá invariavelmente distorcer aquilo que ele está enxergando. Anular qualquer fonte de dados pelo simples motivo de ser proveniente do “governo da época” ou “da direita” é contribuir para a disseminação de uma visão distorcida da verdade histórica. Infelizmente, as pessoas que são supostamente treinadas e formadas para realizarem tais pesquisas são, na verdade, doutrinadas para perpetuar as informações e os fatos que já estão cristalizados no imaginário acadêmico, especialmente no que tange ao governo dos militares. 

3 comentários:

  1. Lenilton, parabéns pela brilhante síntese, perfeitamente representativa da verdade.
    Confirmando seus comentários, a Rússia vai invadindo a Criméia ucraniana....o leão só mudou de pele, mas continua o mesmo!
    Não foi à toa que Nossa Senhora disse em Fátima: "A Rússia espalhará seus erros pelo mundo..."
    Esperançosa saudação!

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  2. Os Petralhas enxovalham os Governos Militares de 64 a 85 mas, aplaudem, beatificam e doam o dinheiro público em cachoeira para tiranos da Venezuela e Cuba.
    Como assim, companheiros??

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