quarta-feira, 23 de abril de 2014

O Cálice Vermelho II

Não se pode oferecer o veneno (ou o feitiço) se ele for amargo. Isto aprendemos desde os contos infantis. A bruxa má jamais tentaria Branca de Neve com um brócolis envenenado. Melhor uma doce e suculenta maça. João e Maria não seriam presos para engorda se, ao invés de uma casa de doces, encontrassem uma cabana feita de couves, cebolas e limões. A armadilha, para ser eficaz, precisa parecer agradável. Somente assim poderá atrair suas vítimas e eliminá-las.
Um texto aparentemente justo, agradável e que atende as demandas da população. Foi assim que o PT aprovou o Marco Civil da Internet. Aliás, nem precisava disfarçar tanto. Tendo comprado o Poder Legislativo (e em vias avançadas de adquirir o Judiciário), o partido-Estado poderia dar-se ao luxo de fazer um documento "em claro", sem as artimanhas características da novilíngua socialista. 
Na nova regulamentação da internet (cujo conteúdo era uma das poucas coisas que funcionava a contento neste país justamente por ser livre) aprovada pelo Senado Federal, e que será sancionada pela Estela, escancara-se a censura a blogs, redes sociais e sites em geral. Basta que o governo resolva  que um blogueiro, jornalista (ou qualquer Zé das Couves como eu) esteja prejudicando-no e voilá: censurado. Tudo para blindar o partido-Estado a qualquer custo sob a desculpa de proteger e garantir a liberdade e a função social da rede, claro, no melhor estilo "para proteger a liberdade da internet vou combater a liberdade na internet". Tipicamente esquerdista.
Não é só no meio digital, entretanto, que a sanha controladora do PT mostra-se ativa. Os recentes episódios de silenciamento de Rachel Sheherazade e Paulo Martins, ambos jornalistas do SBT, remete-nos àquela entrevista do então candidato Lula a Boris Casoy no ano de 2006. Na ocasião, o jornalista indagou Lula sobre a aliança Lula-Chavez-Fidel (Foro de São Paulo). O que aconteceu? Rua... Boris Casoy foi pra rua. Percebam que não é de hoje que o PT elimina qualquer um que ouse passar pelo seu caminho (Celso Daniel que o diga, se estivesse vivo). Rachel Sheherazade e Paulo Martins cometeram o mesmo erro: ousaram desnudar o partido. 
Censura a internet, censura a emissoras de televisão. É só o começo. Mesmo sem ter um órgão oficial de controle dos meios de comunicações, como o DIP de Vargas, o PT consegue silenciar vozes e destruir reputações. Como isso é possível? Elementar meu caro Watson! Eles receberam prontos duas características brasileiras para o setor que facilita muito o controle da mídia: concessão pública e empresas estatais. Utilizando-se da primeira, o governo pode simplesmente não renová-la sob o argumento de que... Ele não quer renovar e pronto! Utilizando-se da segunda, o mesmo governo pode apenas retirar a verba publicitária que ele injeta no rádio e, principalmente, na televisão; e não é pouco. O Governo Federal é, pasmem, um dos três maiores anunciantes do Brasil. Isto é mais do que a AmBev gasta com publicidade por exemplo. Imaginem uma emissora de TV ou rádio que resolvesse manter uma "persona non grata" ao PT contra a sua vontade. Perderia uma boa parcela de suas receitas publicitárias que, em suma, a mantém funcionando. Entendem o porquê de cada vez mais o governo querer retirar anunciantes do mercado? (começou com cigarros, veio para cervejas e agora o alvo são os anúncios voltados às crianças. Virão mais.); e qual argumento utilizado? ora que "estamos proibindo este tipo de anúncio para proteger a população". Será mesmo? Lembram da armadilha agradável? Do veneno adocicado? Pois é.
A censura no Brasil não é mais uma ameaça: é fato. O PT está oferecendo seu doce veneno; e parece que estamos cada vez mais enfeitiçados pelo seu cálice.




Um comentário:

  1. A obsessão dessa quadrilha já ultrapassou as raias do absurdo a muito tempo. Tudo para eles tem a desculpa da "função social" como pretexto. Num dos pontos do tal marco falava-se em manter a "neutralidade" da rede, mas como nós bem sabemos isso nada mais é do que uma tentativa de monopolizar o direito à voz. Isso vindo logo do partido que se apregoava como uma reserva moral e que se vangloriava pelo engajamento contra a censura prévia praticada durante o Regime Militar, mostra que a verdadeira face do esquerdismo é a incoerência, a obsessão pelo poder a qualquer custo.

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