sábado, 31 de maio de 2014

Democracia Direta (Mas Pode Chamar de Soviética)

Não podemos considerar surpreendente o que o Partido dos Trabalhadores tem feito com o país. Mentiras, promessas falsas, corrupção exponencialmente aumentada, concessão de privilégios às minorias... Todas estas características do governo PT, quer na era Lula quer na era Dilma, são absolutamente coerentes com tudo o que o partido acredita e prega. O objetivo é um só: desestabilizar a sociedade para que o partido tenha uma justificativa para aumentar o seu próprio poder. E nós estamos caindo como patinhos. Não meus caros, o que estou dizendo não é delírio de um direitista-fascista-neo-liberal-conservador-dos zóio azul: está lá nas diretrizes do PT, em suas resoluções, em seus documentos, em seu manifesto de criação. Nada é secreto; tudo está lá. Basta ler. Infelizmente o brasileiro médio tem aquela ideia de que elegemos "a pessoa", mas se esquece que por trás dela existe um partido no qual ela se filhou e, evidentemente, concorda com suas posições, apesar dos movimentos internos deste.
O próximo passo petista é a modificação da democracia como conhecemos. A desculpa agora é a de "promover a participação direta da sociedade nas decisões políticas do país". Bonito isso não? Agora nós, o povo, decidiremos os futuro do país de forma direta sem precisarmos de intermediários... Só tem um probleminha meus caros: qual é a pessoa que, ocupada de seus afazeres profissionais, domésticos, pessoais, culturais e familiares tem condições de respirar política sete dias na semana e estar preparada para participar das assembleias e votações da democracia direta? Nenhuma, alguns dirão. E é aí que está o erro. Essas pessoas existem e, inclusive, são pagas para pensar em política todo o tempo de suas vidas. E pagas com o meu, o seu, o nosso dinheiro. Duvida? O que dizer então dos "movimentos sociais"?
Ora, não é segredo para ninguém que entidades criminosas como o MST, a Via Campesina, os Black Blocks e associações de classes como os conselhos profissionais e os sindicatos são financiados ou diretamente pelo governo ou pela contribuição dos trabalhadores que são obrigados a pagar a "contribuição sindical". Não é segredo, tampouco, que esses organismos sociais são politicamente alinhados, ocupados e treinados pela esquerda, cujo líder maior é o Partido dos Trabalhadores. Ah, não vamos esquecer da UNE, e dos DCEs da vida. (Só uma observação: porque no Brasil o estudante faz tudo... exceto estudar?). São essas pessoas (que não trabalham, não estudam e não produzem absolutamente nada) pagas com o nosso dinheiro e que passam suas vidas envolvidas em política que terão as melhores condições de poder e, principalmente, tempo de serem os agentes da participação direta. E quem é o maior interessado nisso: Ora, o PT. Afinal, para esta organização criminosa, a democracia existe para um único objetivo: alçar o partido ao poder e mantê-lo nele. É apenas um meio, não um fim. O Orçamento Participativo que o diga! (os conselhos dos bairros eram formados por militantes do??? PT! e adivinhem quem é que ia nas votações??)
Acabar com a democracia representativa é tarefa chave para a legitimação do governo totalitário que vivemos. Imaginem a votação do PNDH, do Kit Gay e da legalização do aborto sem a interferência de Jair Bolsonaro ou da bancada evangélica? Resultado previsível não? Se estes temas fossem posto à votação direta, quem é que estaria com a palavra? Os movimentos sociais... E aí o resultado é mais que previsível. Traduzindo: o PT quer dar aos movimentos sociais o status de legítimos representantes de toda a sociedade. Acontece que a população brasileira não elegeu o MST,  o movimento sindical e as entidades de classe como seus representantes! Por pior que sejam, nossos representantes encontram-se no Congresso Nacional. Acreditem: os parlamentares são infinitamente mais confiáveis do que qualquer "movimento social". Pelo menos temos o poder de substituí-los pelo voto. Temos o mesmo poder sobre o MST, a CUT, a UNE ou a OAB por exemplo? Não! E vamos deixar que estas entidades sejam nossos representantes? 
Alguns poderão dizer: "ah, mas é só tu participares das votações e está tudo certo". Caímos novamente no que já foi dito: enquanto os sindicatos e movimentos sociais estão respirando política 24 horas por dia 7 dias da semana e estão sendo pagos para isso, o restante da população está produzindo a riqueza do país, preocupada se não vai ser assaltada ao sair do trabalho. Possui posições políticas definidas? Sim. Para isso, elege pessoas com as quais tem um alinhamento de ideias para que estas a representem no governo, visto que os parlamentares tem maior preparo e disponibilidade de tempo para defender o ponto de vista de seus eleitores. Ademais, perceberam como o assunto veio à tona e a presidente resolveu enviar o projeto da democracia direta com urgência, beneficiando os movimentos sociais? Justamente quando a suposta candidatura de Jair Bolsonaro à presidência foi maciçamente apoiada (embora os entendidos jurem que não)? Entretanto não é Bolsonaro o problema petista, mas a possibilidade de que os partidos políticos, ou outros setores da sociedade, percebam que, se lançarem uma candidatura de direita nas próximas eleições, esta possui grande chance de ser eleita. O medo do PT é, enfim, que apareça alguma agremiação partidária que realmente represente os anseios e o pensamento da maioria da população. E este pensamento é de direita (queiram os intelectuais, artistas e universitários ou não).
O sistema político brasileiro possui inúmeras falhas. Um dos poucos acertos que temos é o sistema democrático representativo. A promoção da democracia direta é mais um ardil da esquerda, capitaneada pelo PT, para impor ao Brasil um regime literalmente soviético. O resultado, para qualquer estudante do assunto, desenha-se catastrófico. Não podemos permitir que os planos petistas se concretizem. Aliás, este partido só não tomou de vez o país porque (ainda) não domina uma parcela da sociedade que, ao longo de toda a história da humanidade, mostrou-se fundamental para a implantação de regimes totalitários: as Forças Armadas.




segunda-feira, 19 de maio de 2014

Trem Para Milão

O dia era frio, mas não tão frio como deveria ser, disse-me o gondoleiro. Os cinco graus do inverno veneziano fê-lo mesmo afirmar que "este ano está quente". Não vimos neve dessa vez, a não ser durante o trajeto de trem entre Milão e Roma. Depois, nada. 
Após cerca de quatro dias em Veneza era chegada a pior hora do viajante: voltar para o Brasil. Forçosamente, deveríamos voltar a Milão para tomarmos o avião que nos traria de volta ao país da Copa das Copas. Na estação de Santa Lucia, tomamos o trem rumo a Milano Centrale, destino final de um bela estadia na Itália. A composição da Frecciabianca partiu no horário marcado. 
A viagem corria bem, não fosse a janela estranhamente embaçada do nosso lado, o que forçou-me a ver a paisagem pela abertura oposta. Nada de anormal, tudo estava tranquilo... Até que, da frente do vagão, uma mulher negra e alta resolveu sair de seu assento e acomodar-se na poltrona junto à janela que me permitia vislumbrar o mundo lá fora. Vi que ela ficou curiosa pelo fato de eu estar olhando por essa janela e, em inglês, começou a puxar assunto acerca da infelicidade da minha janela estar embaçada. Descobri que ela era funcionária do governo norte-americano, economista; eu disse a ela que era brasileiro. E aí... Bom, aí ela resolveu perguntar-me sobre o que eu pensava de nosso querido governo e dos preparativos para a Copa e as Olimpíadas.
Não me surpreendeu o fato de ela não ter convicção de que Brasília era a nossa capital ou que o português era nosso idioma oficial. Mas outras coisas me surpreenderam e me deram a convicção de que, ou os gringos não estão nem aí para nós ou eles acreditam em tudo o que sai das fontes oficiais. Disse-lhe que, no Brasil, não existe trens como aquele que estávamos viajando e que nossas estradas além de insuficientes e mal planejadas eram em sua maioria precárias e cheias de buracos. Contei-lhe sobre a compra de votos do bolsa família, da estatização excessiva de nossa economia, dos pesados impostos a que somos submetidos e da subserviência de nossa imprensa em relação aos desmandos do governo. Sobre a saúde, respondi que, embora possuíssemos um programa universal (SUS) este era ineficiente e que seus usuários, na grande maioria das vezes, ficam dias, semanas ou meses esperando para marcar um exame ou fazer uma intervenção cirúrgica. 
Com certo espanto, ela indagou-me sobre como um turista pode se comunicar no Brasil. A resposta: use o português. Espanhol, se for falado devagar, nós entendemos também. Inglês? Forget it! Nossos estudantes não aprendem uma língua estrangeira como o inglês e encontrar um falante deste idioma entre taxistas, lojistas e funcionários do governo é algo muito raro. Ademais, o brasileiro sempre vai querer levar vantagem em tudo, muito embora se esforce em ajudar. E a força polícial? São corruptos? ela me perguntou. Existem casos, respondi. A corrupção no Brasil está infiltrada em praticamente todo tecido estatal e os policiais não fogem à regra embora a maioria seja honesta. Acontece que no meu país, quando um bandido é preso, ele sai antes da delegacia do que o policial que o prendeu. A legislação brasileira é extremamente tolerante com o crime. E aí o policial acaba se desmotivando. Ela arregalou os olhos, incrédula. Mas não sabemos nada disso nos EUA, me falou. Pois é.
Mas o pior, continuei, não é termos uma infraestrutura risível, um sistema educacional dos piores do mundo e uma saúde que beira o caos. O pior é que, todos os anos, mais de 50 mil pessoas morrem por conta da violência. Veja bem, 50 mil pessoas, fora as mortes decorrente de doença e causas naturais. No Brasil, as pessoas parecem que estão anestesiadas pela violência. Quando se tem a notícia de um homicídio ou ouvem-se tiros na vizinhança damos isso como normal. Não nos chocamos mais com essas coisas porque nossa população se acostumou a elas. Não possuímos no meu país a principal razão de ser do Estado: segurança... Oh my God, exclamou, num misto de choque e incredulidade. Sequer tinha noção dessas coisas... 
Pois é. Este é o país que vai  sediar nos próximo dois anos, os dois maiores eventos esportivos do mundo. Sinceramente, eu gostaria muito de dizer que estou sendo exagerado, mas não. Obras atrasadas e que não serão feitas a tempo são os menores de nossos problemas... Bom, chegamos a Milão. Uma boa viagem de volta aos EUA, desejei. Pra vocês também, respondeu-me.