domingo, 27 de julho de 2014

Israel e os Palpiteiros Tupiniquins

Entender o conflito que ocorre no Oriente Médio entre Israel e o Hamas não é apenas tomar partido de um lado ou outro baseado em acontecimentos recentes. Entretanto, muitos são os especialistas, famosos e anônimos, que resolvem opinar sobre o assunto. O próprio governo, por intermédio de seu pessoal de relações internacionais, resolveu condenar a reação de Israel sob o argumento da desproporcionalidade de seus ataques à Gaza. Como resposta, foi chamado de “anão diplomático”. Não sem razão.
Não há possibilidade de se fazer uma análise do que acontece entre os árabes e israelenses se o analista desconhece, pelo menos, alguns aspectos que o caracterizam: religião, conflito assimétrico e desinformação. Sem considerá-los, qualquer opinião sobre o que acontece no Oriente Médio entre esses dois povos é mero palpite, má intenção ou vigarice mesmo.
Para que se possa ter um entendimento acertado é preciso que se estabeleça a natureza do conflito; e ela é religiosa. Compreender, pois, os fundamentos do judaísmo e do islamismo é condição fundamental para que se tenha a real dimensão do que se passa. Não obstante, a simples leitura da Torá ou do Corão não é suficiente para que se tenha o conhecimento necessário de como funcionam essas religiões (ou qualquer outra). É preciso, também, que se tenha contato com as suas doutrinas e isso significa ler, entender e refletir sobre o que os sacerdotes e teólogos mais proeminentes e influentes de cada religião deixaram como ensinamento da mesma e a influência que têm dentro dela. Completado este estudo, o investigador terá os subsídios necessários para saber os reais objetivos de cada contendor e os motivos que o levam a, por exemplo, utilizar-se de escudos humanos contra seu agressor.
Entendido o aspecto religioso, é preciso voltar-se para a questão do conflito assimétrico, que não é apenas o embate entre forças desproporcionais. A assimetria dá-se muito além do fator estritamente militar e estende-se a questões de direito internacional de guerra, opinião pública e população civil. Se de um lado há um exército organizado, do outro temos forças paramilitares, terroristas e milicianas. Estas forças utilizam-se de técnicas de guerrilha, notadamente a urbana, onde o emprego da população civil como escudo humano é vista como normal. Escolas, hospitais e mesmo templos religiosos são utilizados como fachadas para abrigarem terroristas e servirem como base de lançamento de bombas, mísseis e foguetes contra alvos inimigos. A batalha dá-se, resumidamente, entre um exército nacional (geralmente comprometido com os tratados e leis da guerra) e uma força terrorista cujo único comprometimento é a “causa” que é, neste caso, a sua própria religião.
Ao fazer o enlace entre esses dois fatores teremos as condições necessárias para efetivamente opinar sobre o conflito de maneira coerente e com propriedade. Para o estudioso do assunto, o entendimento da religião e do conflito assimétrico é suficiente para que se tenha um retrato mais aproximado das motivações e objetivos de cada contendor. Entretanto, para quem se encontra um pouco mais afastado dessa realidade, é necessário considerar, ainda, um último fator: desinformação.
Desinformar não significa apenas emitir uma informação errônea, maliciosa ou, ainda, omitir os fatos como eles são. É preciso que esta falsa informação seja divulgada em veículos que apresentem boa credibilidade diante da opinião pública (assim como impedir que a informação verdadeira seja divulgada por estes). A desinformação é, portanto, a grande responsável pela distorção da verdade e por transformar vítimas em criminosos e vice-versa. Poucos fatos sofrem tanto os danos da desinformação como o conflito entre árabes e israelenses. Este é um dos motivos (o principal é o alinhamento ideológico) que fez com que o Brasil desse a infeliz declaração acusando Israel de “reação desproporcional”. No embalo, inúmeros palpiteiros da internet e alguns articulistas embarcam no mesmo bote.
Seria por demais ambicioso esperar que nossos jornalistas, diplomatas e professores estudassem a questão do conflito. Seria demais exigir que eles conhecessem a fundo a religião judaica e islâmica. Também é demais que queiramos que nossos “intelectuais” tenham a ideia do que seja o conflito assimétrico. O que não se pode admitir, porém, é o silêncio sobre os bombardeiros diários que Israel sofre de grupos como o Hamas. O que não se pode admitir é que não se considere declarações como a do Irã que quer “varrer Israel do mapa”. O que não se pode admitir é que uma reação de Israel contra os inúmeros bombardeios que sofre seja tachada como “desproporcional” porque atingiu alvos civis. Ora, o Hamas os utiliza justamente para obter a comoção internacional.
As acusações que são feitas contra Israel me faz lembrar a reação de Hitler quando a Força Aérea Brasileira afundou um submarino alemão após os U-boats terem afundados inúmeros navios brasileiros em nosso litoral, inclusive na navegação de cabotagem. Disse o Führer ser inadmissível que o Brasil atacasse um submarino alemão sem uma declaração formal de guerra...
Nossos diplomatas e alguns palpiteiros acham “desproporcional” a reação de Israel. Além de omitirem as razões pelas quais Israel teve que reagir, esforçam-se para esconder que o Hamas vem sistematicamente quebrando os períodos de cessar-fogo. Isso só pode ser ignorância, canalhice ou ativismo político. Fico com o último.




quarta-feira, 16 de julho de 2014

A Culpa Também é dos Militares

As redes sociais proporcionam uma difusão de informações como nenhum outro meio de comunicação é capaz e fazer. O volume de textos, artigos, vídeos etc. que são disponibilizados para o público é realmente enorme. Entretanto, quantidade não é qualidade e cabe ao leitor consciente buscar não apenas analisar criticamente o que lhe é exposto como também verificar a fidedignidade da fonte daquilo que está sendo divulgado. Por falta desses critérios, muitos são os pensamentos e ideais que são atribuídos a autores que simplesmente não a escreveram ou endossam-nas. Os exemplos são muitos e variados.

Ao entrar na minha conta do Facebook, deparei-me com uma mensagem “postada” por um de meus amigos que supostamente seria da autoria do Gen Paulo Chagas, posicionando-se contrário a uma intervenção militar para conter o avanço socialista no país. As justificativas para tal posicionamento é a de que o povo foi quem escolheu, por intermédio da democracia, estar na situação na qual nos encontramos. Questiona, ainda, quais seriam as instituições que se posicionariam a favor de uma reação militar ao arrepio da legalidade e porque outras se calam diante do constante crescimento socialista no país (MP e OAB por exemplo). Lembra o general que em 1964 a situação era completamente diferente, visto que existia um apoio (mesmo um apelo eu diria) para que as Forças Armadas lutassem contra a ameaça comunista que era flagrante no país.  

Imediatamente, busquei verificar se o texto fora escrito pelo Gen Paulo Chagas. Constatei que consta em uma página de mesmo nome, porém não é possível saber se a página é autêntica um pseudônimo ou coisa do tipo. Ademais, a autoria do texto não é mais importante do que o conteúdo dele. E nesse aspecto é possível concordar com quase tudo o que está escrito ali. Uma intervenção militar não é a resposta e nem a solução para todos os problemas. Não foi, porém, o posicionamento do autor que me chamou a atenção no texto. Na verdade, o que me atraiu de maneira mais contundente foi o seguinte trecho:

Da mesma forma, serve de exemplo a “Parábola do Semeador” que põe em relevo a ação de semear a Palavra por toda parte, não importando o terreno que acolhe a semente. Quando há “terra boa” a palavra é ouvida e compreendida, a semente frutifica. Apesar dos obstáculos (pássaros, terreno pedregoso, espinhos), no final, a colheita é sempre abundante.
Por que a direita não semeia o que é direito até que se esgotem os recursos da democracia? Será que o medo de declarar-se de direita ou conservador tomou conta de nós e nos impede de semear seus ideais?
A direita está semeando sim o que é de direito dentro dos recursos da democracia e não é o medo que nos impede de declarar nosso posicionamento político e ideológico. O que acontece é que a quantidade de semeadores, apesar da boa qualidade, é ainda baixíssima e isto se deve, em grande parte, ao período no qual fomos governados pelos militares.
Apesar de ter desmantelado o aparato paramilitar dos movimentos de esquerda nossos governos militares cometeram um erro grave: nada fizeram contra a ameaça cultural. Nossas universidades foram sendo, pois, infiltradas por professores e intelectuais a serviço da ideologia comunista e isso não ocorreu por acaso. Ao verem-se derrotados no campo militar, perceberam que a tomada do poder pela força não seria possível em virtude da determinação das Forças Armadas em derrotá-las. Optaram, então, pela forma pacífica. Nossos governantes militares nada fizeram para combatê-la, visto que acreditavam ser tal situação parte do jogo da democracia.
Assim, silenciosamente e em plena vigência do dito Regime Militar, a esquerda não só formou seus intelectuais orgânicos como criou uma massa de idiotas úteis dentro do círculo da alta cultura que, cerca de trinta anos depois, iriam aparelhar as entidades de classes (OAB inclusive), sindicatos, meios de comunicação e a classe artística. Essas pessoas disseminaram o ideal comunista e desconstruíram as características conservadoras da população brasileira ao ponto de fazer com que estes se sintam acuados em declarar seu real posicionamento.
O semeador da esquerda encontrou terra fofa e preparada para lançar suas sementes e elas germinaram. Hoje, porém, o terreno está repleto dessas ervas daninhas e, além de serem poucos, os semeadores do pensamento conservador precisam fazer com que suas sementes atinjam o solo e desenvolvam-se em cima de um sufocante e hostil ambiente que só foi possível pela colaboração/omissão dos presidentes militares (especialmente Geisel e Figueiredo) em entender e combater o fronte cultural. O pensamento de direita foi literalmente extirpado e suas lideranças capadas ainda no final da década de 1960 pelos militares.
O autor ainda sugere que aproveitemos a derrota humilhante que a Seleção Brasileira sofreu da Seleção Alemã para retirarmos ensinamentos e colocarmos em práticas medidas que podem efetivamente salvar o país antes de se recorrer à intervenção armada. Colocação perfeita. Melhor seria se os militares fizessem uma análise desapaixonada acerca do período em que estiveram no poder. Só assim poderiam ver que o preço de terem se omitido diante da infiltração cultural esquerdista foi determinante para o status quo vigente.
O aparelhamento das instituições democráticas do país pela esquerda, capitaneada pelo PT, não é delírio, ilusão ou teoria da conspiração: é fato. Assim como também é fato que, durante a vigência dos governos militares, a esquerda teve toda a liberdade para preparar seus intelectuais e militantes sem nenhuma oposição por parte daqueles que tinham o poder para reagir. O resultado é que inúmeras batalhas foram ganhas, mas a guerra foi perdida.
PS: Também sou completamente contrário a uma intervenção militar, mesmo porque o único golpe militar que houve no país foi o republicano, que nos deixou nessa merda.












E o PT Foi Brilhante. De Novo

Não vai ter Copa. Pelo menos é o que diziam os movimentos sociais, Black Blocks e Cia. A chamada "primavera brasileira", embora em pleno inverno, parecia um despertar do país para diante da fartura de recursos que se destinaram à realização do evento da FIFA. Os "movimentos sociais" entraram em polvorosa: ou vai ou racha. Não são pelos vinte centavos que lutamos. E não era mesmo.
Ocorre que, durante a realização do Mundial de futebol no Brasil, pouquíssimos foram os protestos que aconteceram contestando a FIFA, o Governo e a Copa em si. Nada de Black Blocks, marchas estudantis, das vadias, do sem-tetos... Nada de #vemprarua. Teriam os jogos de futebol, aliados à multidão de turistas que vieram ao país, arrefecido os ânimos dos protestadores? Absolutamente. Tudo estava planejado. O movimento aparentemente difuso tinha (e tem) um comando central. O envolvimento de políticos do PSol é inegável. A influência do PT também. Movimentos sociais são apenas mais um setor da sociedade que está instrumentalizado pela esquerda liderada pelo partido governante.
Mesmo que a redução da tarifa dos transportes públicos aparentemente tenha solucionado o problema e agradado aos manifestantes, não era esse o objetivo dos protestos. Qual seria, então? Ora, isso está tão claro quanto água: fornecer uma justificativa válida para que fosse implantada a Política de Participação Social. Esta seria uma resposta à demanda do "povo" representado pelos movimentos sociais. Qual a sua finalidade? Enfraquecer o Poder Legislativo e, sob a falácia da democracia direta, transformar o país em uma República Soviética. Simples assim.
A estratégia adotada pela esquerda (PT) foi novamente brilhante, embora repetitiva: utilizaram os "movimentos sociais" há muito tempo instrumentalizados por integrantes do partido, para criar um ambiente de crise no país e depois vender a solução. Bem parecido com uma máfia aliás (que exige um pagamento para nos proteger dela mesma). O putsch soviete que representa a Política de Participação Social é o real motivo pelo qual ocorreram os protestos. Agora, resta-nos rezar para que a tentativa de oficializar o regime totalitário petista no Brasil seja rejeitada pelo Congresso Nacional.
Muitos podem se perguntar o porquê do partido não estar muito comovido com a prisão de alguns de seus colaboradores, como a tal de Sininho e seu grupo de terroristas. Nada mais normal dentro do movimento revolucionário. Como disse no texto anterior, os protestadores são apenas peões no tabuleiro de xadrez. Uma vez cumprida a sua tarefa, são sumariamente eliminados. Nenhuma surpresa quanto a isso; sempre foi assim em todas as revoluções socialistas "do povo" que o mundo conheceu.

domingo, 13 de julho de 2014

O Sucesso da Copa

O fracasso previsto para a Copa do Mundo de Futebol no Brasil que finda este final de semana não aconteceu. O colapso da segurança, dos transportes e da organização à brasileira não veio, para o deleite de governistas e entusiastas. As “aves agourentas”, que afirmaram e previram o fiasco, são confrontadas com o fato que, se não foi perfeita, a Copa saiu a contento. E realmente saiu. Teve organização, segurança e transporte público para os torcedores. O que tinha tudo para se tornar um símbolo da incompetência nacional em organizar grandes eventos reverteu-se para mostrar a capacidade brasileira em rapidamente adaptar-se, superar as dificuldades e, com um sorriso no rosto, bem receber e conduzir os visitantes.
Ocorre que, para que as coisas andassem, o Brasil utilizou-se da sua incrível habilidade de tapar o sol com a peneira. Se houve organização na Copa ela se deve ao fato de que não foi o governo brasileiro, ou qualquer outro órgão nacional, responsável por ela: foi a FIFA quem coordenou, recrutou, treinou e planejou a execução da Copa. Tinha até território próprio sob seu controle! Alia-se a isto uma massa de voluntários dispostos e solícitos em conduzir e resolver os problemas dos torcedores e pronto! Uma bela organização.
Na questão do transporte público as soluções adotadas foram simples, baratas e eficientes: dia de jogo não tem expediente, diminuindo sensivelmente a demanda pelo serviço. Alocam-se os meios para a condução dos torcedores ou mesmo cria-se uma norma determinando que somente os possuidores de ingressos para a partida de futebol possam utilizar o sistema. Problema resolvido. Transporte para os turistas garantido.
No que tange à segurança não houve dificuldade em garanti-la para as praças onde se realizaram os jogos. Ora! O governo tem, a sua inteira disposição, trezentos mil homens do Exército que não hesitarão (e não hesitaram) em atender ao seu chamado para desempenharem funções completamente alheias a sua destinação constitucional, mesmo que não exista qualquer garantia ou segurança jurídica para seus integrantes. Sorte dos militares que não houve muitos confrontos contra os meliantes. Gente do calibre da Mary of Rosary adoraria processar praças e oficiais por reprimirem seus amiguinhos bandidos. Acontece que, em uma cidade onde homens com fuzis, carros blindados e viaturas operacionais fazem a segurança, a bandidagem se recolhe. Adiciona-se a convocação de efetivos extras das polícias militares e temos nas ruas das cidades-sede um aparato de segurança pública como “nunca antes na história desse país”, mas que se desvanecerá ao som do apito final.
Além de tudo isso, temos a visão que o turista tem do Brasil. Qualquer pessoa que venha a nosso país sabe que não encontrará aqui a organização alemã ou a pontualidade inglesa. Eles sabem que nossos aeroportos são ruins, que as estradas são ruins e que a segunda língua nacional é o “mimequês”. Aliás, muitos pensam que aqui só existem silvícolas a andar nus pela selva. Assim, qualquer lembrança de algo que remeta a uma sociedade minimamente civilizada já satisfaz o visitante estrangeiro. Finalmente, a única coisa que o turista espera do Brasil ele encontrou em todos os lugares: a putaria generalizada. Não havia como, pois, a Copa ser o fiasco que muitos previram.
A questão, porém, não é se a Copa seria ou não um sucesso. Sucesso seria e foi. Qualquer pessoa em sã consciência não poderia questionar o êxito do evento, justamente pelas razões apontadas acima. O que se criticou foi utilizar-se da justificativa da Copa para que o recurso público, o dinheiro que vem do bolso de cada trabalhador brasileiro, fosse empregado indiscriminadamente no financiamento de estádios e na execução de obras de infra-estrutura que deveriam melhorar as condições de nossas cidades-sede e que tiveram seus valores constantemente aumentados em relação à previsão inicial. Mais: foi preciso a Copa (e agora as Olimpíadas) para que o governo começasse a pensar em fazer esforços para, acreditem, realizar melhorias para a população. Ou seja: aquilo que o governo deveria fazer, com ou sem esses eventos, passou a ser mais uma justificativa para a realização destes! Mas será que foram realizados?
Os dias de jogos tornaram-se um verdadeiro tormento para os habitantes não-torcedores das cidades-sede. Todo o esforço da administração pública foi destinado à condução dos entusiastas do esporte. Assim, duas situações ocorreram: aqueles que foram/vão aos jogos são presenteados com uma organização eficiente e transporte público adequado enquanto as pessoas normais são obrigadas a tomar rotas alternativas e realizar desvios constantes a fim de se evitar o “território FIFA”. Aqueles que queriam tomar o transporte público tiveram ainda mais dificuldades, visto que todo o esforço foi direcionado para a condução dos turistas. Como, geralmente, em das de jogos nas cidades-sede o expediente foi reduzido ou simplesmente eliminado, as pessoas não se deram conta de que melhora efetiva na estrutura das cidades não aconteceu. Apenas o esforço de toda a cidade foi concentrado em um único ponto, dando a falsa ilusão de que o transporte coletivo, por exemplo, era funcional.
Certamente, passada a euforia, as pessoas dar-se-ão conta de que, efetivamente, o legado da Copa ainda não chegou. Os aeroportos continuam caóticos, o transporte público deplorável, a segurança inexistente. Isso sem considerar o sistema de saúde, a educação, etc. O cronograma das obras não foi cumprido e virtualmente todas elas foram “inauguradas sem estarem prontas. Não obstante, as investigações acerca dos evidentes superfaturamentos, se ocorrerem, nos darão a dimensão exata do quão grande foram os desvios de recursos e os enriquecimentos ilícitos que tornaram muitos políticos e empresários ainda mais ricos. Justamente por isto que fui, e sou contrário à realização da Copa no país. Não precisamos de uma Copa do Mundo para investir em segurança, infra-estrutura e saúde. Isso são coisas básicas que um governo deve fazer, quer seja diretamente quer seja através de uma política mais liberal que garanta à iniciativa privada fazê-lo.
Ao som do apito final acordaremos do sonho do Mundial e voltaremos à dura realidade nacional. Como naquela música de Tom Jobim: “A gente trabalha o ano inteiro/ por um momento de sonho pra fazer/ A fantasia de rei ou de pirata ou jardineira/ E tudo se acabar na quarta-feira”. A referência é ao Carnaval, mas cabe muito bem à Copa. Terminada a festa, enfrentemos a realidade nua, crua e crônica que, de tão quotidiana, já não nos causa espanto: serviços públicos inexistentes, criminalidade generalizada, saúde em coma e infra-estrutura ridícula. Pelo menos o sinal da internet deve melhorar, visto que não é mais necessário destinar a pífia banda nacional para os centros de imprensa espalhados pelo país.

E o pessoal do “não vai ter copa”, do “passe livre”, os Black Blocks? Ora, eles também não incomodaram como parecia que iriam fazer. Os protestos quase não ocorreram e nem iriam ocorrer. O objetivo desses grupos não é atingir a Copa. Não foi para isso que foram às ruas. São peões no tabuleiro de xadrez e já desempenharam o seu papel. Mas isso é assunto para o próximo post.