quarta-feira, 16 de julho de 2014

A Culpa Também é dos Militares

As redes sociais proporcionam uma difusão de informações como nenhum outro meio de comunicação é capaz e fazer. O volume de textos, artigos, vídeos etc. que são disponibilizados para o público é realmente enorme. Entretanto, quantidade não é qualidade e cabe ao leitor consciente buscar não apenas analisar criticamente o que lhe é exposto como também verificar a fidedignidade da fonte daquilo que está sendo divulgado. Por falta desses critérios, muitos são os pensamentos e ideais que são atribuídos a autores que simplesmente não a escreveram ou endossam-nas. Os exemplos são muitos e variados.

Ao entrar na minha conta do Facebook, deparei-me com uma mensagem “postada” por um de meus amigos que supostamente seria da autoria do Gen Paulo Chagas, posicionando-se contrário a uma intervenção militar para conter o avanço socialista no país. As justificativas para tal posicionamento é a de que o povo foi quem escolheu, por intermédio da democracia, estar na situação na qual nos encontramos. Questiona, ainda, quais seriam as instituições que se posicionariam a favor de uma reação militar ao arrepio da legalidade e porque outras se calam diante do constante crescimento socialista no país (MP e OAB por exemplo). Lembra o general que em 1964 a situação era completamente diferente, visto que existia um apoio (mesmo um apelo eu diria) para que as Forças Armadas lutassem contra a ameaça comunista que era flagrante no país.  

Imediatamente, busquei verificar se o texto fora escrito pelo Gen Paulo Chagas. Constatei que consta em uma página de mesmo nome, porém não é possível saber se a página é autêntica um pseudônimo ou coisa do tipo. Ademais, a autoria do texto não é mais importante do que o conteúdo dele. E nesse aspecto é possível concordar com quase tudo o que está escrito ali. Uma intervenção militar não é a resposta e nem a solução para todos os problemas. Não foi, porém, o posicionamento do autor que me chamou a atenção no texto. Na verdade, o que me atraiu de maneira mais contundente foi o seguinte trecho:

Da mesma forma, serve de exemplo a “Parábola do Semeador” que põe em relevo a ação de semear a Palavra por toda parte, não importando o terreno que acolhe a semente. Quando há “terra boa” a palavra é ouvida e compreendida, a semente frutifica. Apesar dos obstáculos (pássaros, terreno pedregoso, espinhos), no final, a colheita é sempre abundante.
Por que a direita não semeia o que é direito até que se esgotem os recursos da democracia? Será que o medo de declarar-se de direita ou conservador tomou conta de nós e nos impede de semear seus ideais?
A direita está semeando sim o que é de direito dentro dos recursos da democracia e não é o medo que nos impede de declarar nosso posicionamento político e ideológico. O que acontece é que a quantidade de semeadores, apesar da boa qualidade, é ainda baixíssima e isto se deve, em grande parte, ao período no qual fomos governados pelos militares.
Apesar de ter desmantelado o aparato paramilitar dos movimentos de esquerda nossos governos militares cometeram um erro grave: nada fizeram contra a ameaça cultural. Nossas universidades foram sendo, pois, infiltradas por professores e intelectuais a serviço da ideologia comunista e isso não ocorreu por acaso. Ao verem-se derrotados no campo militar, perceberam que a tomada do poder pela força não seria possível em virtude da determinação das Forças Armadas em derrotá-las. Optaram, então, pela forma pacífica. Nossos governantes militares nada fizeram para combatê-la, visto que acreditavam ser tal situação parte do jogo da democracia.
Assim, silenciosamente e em plena vigência do dito Regime Militar, a esquerda não só formou seus intelectuais orgânicos como criou uma massa de idiotas úteis dentro do círculo da alta cultura que, cerca de trinta anos depois, iriam aparelhar as entidades de classes (OAB inclusive), sindicatos, meios de comunicação e a classe artística. Essas pessoas disseminaram o ideal comunista e desconstruíram as características conservadoras da população brasileira ao ponto de fazer com que estes se sintam acuados em declarar seu real posicionamento.
O semeador da esquerda encontrou terra fofa e preparada para lançar suas sementes e elas germinaram. Hoje, porém, o terreno está repleto dessas ervas daninhas e, além de serem poucos, os semeadores do pensamento conservador precisam fazer com que suas sementes atinjam o solo e desenvolvam-se em cima de um sufocante e hostil ambiente que só foi possível pela colaboração/omissão dos presidentes militares (especialmente Geisel e Figueiredo) em entender e combater o fronte cultural. O pensamento de direita foi literalmente extirpado e suas lideranças capadas ainda no final da década de 1960 pelos militares.
O autor ainda sugere que aproveitemos a derrota humilhante que a Seleção Brasileira sofreu da Seleção Alemã para retirarmos ensinamentos e colocarmos em práticas medidas que podem efetivamente salvar o país antes de se recorrer à intervenção armada. Colocação perfeita. Melhor seria se os militares fizessem uma análise desapaixonada acerca do período em que estiveram no poder. Só assim poderiam ver que o preço de terem se omitido diante da infiltração cultural esquerdista foi determinante para o status quo vigente.
O aparelhamento das instituições democráticas do país pela esquerda, capitaneada pelo PT, não é delírio, ilusão ou teoria da conspiração: é fato. Assim como também é fato que, durante a vigência dos governos militares, a esquerda teve toda a liberdade para preparar seus intelectuais e militantes sem nenhuma oposição por parte daqueles que tinham o poder para reagir. O resultado é que inúmeras batalhas foram ganhas, mas a guerra foi perdida.
PS: Também sou completamente contrário a uma intervenção militar, mesmo porque o único golpe militar que houve no país foi o republicano, que nos deixou nessa merda.












Um comentário:

  1. Eu particularmente seria favorável a uma intervenção militar, desde que fosse realmente eficaz na extirpação do câncer socialista. Já tive problemas com professores militantes de esquerda tanto no ensino médio quanto no superior, e juro, teria vontade de ver alguns deles pendurados num pau-de-arara levando choques elétricos e golpes de taco de baseball...

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