domingo, 3 de agosto de 2014

Cale-se.

Nenhum Estado democrático possui tantas ferramentas de censura quanto o Brasil. Ao concentrar o poder político, econômico e cultural na União, o chefe (ou chefa) do Poder Executivo nacional tem ao alcance de suas mãos a espada para cortar quantas cabeças forem necessárias. Ainda, fruto de tamanho poder, consegue aparelhar (e já aparelhou) os diversos órgãos da administração estatal (incluindo os outros dois poderes) o que significa grandes empresas, universidades, agências reguladoras, enfim, tudo aquilo que gera ou tem o poder de influenciar a política, a economia e a cultura do país. Ademais, o fato dos meios de comunicações serem concessões estatais aliados com a quantidade enorme de receita publicitária proveniente diretamente dos cofres públicos para eles, torna um pedido do governo virtualmente uma ordem. Rachel Sheherazade que o diga. Sorte que o "Patrão" tem colhões...
No Brasil é quase impossível de se dizer a verdade sem que seu emprego esteja ameaçado. Olavo de Carvalho é exemplo disso. Denunciou e provou a ligação do PT com Castro, Chávez e as FARCs via Foro de São Paulo há mais de uma década. Foi ejetado dos jornais e revistas nos quais era colunista. Boris Casoy, ao entrevistar o então candidato Lula, perguntou-lhe sobre essas ligações. Este,  apenas esquivou-se com respostas vagas e uma ameaça velada. Que aconteceu? No outro dia, o jornalista estava na rua. E que dizer do Celso Daniel? Bastou ameaçar denunciar a máfia do transporte coletivo no ABC envolvendo a cúpula do PT e foi eliminado. 
Recentemente, mais um caso de censura aconteceu no país. Uma analista do banco Santander foi sumariamente demitida porque disse o óbvio: PT subindo, economia caindo. Qualquer pessoa que não esteja alienada vê isso. Mas, sob a acusação de "terrorismo eleitoral" (seja lá o que isso signifique), a funcionária pagou o pato. Detalhe: o que ela fez foi emitir um comunicado aos clientes preferenciais do banco para que estes pudessem ter mais subsídios para tomar suas decisões de investimento. Tudo bem que dizer o óbvio não ajuda muito, mas ela estava defendendo os seus clientes. E o Santander demite. Por quê? Porque Lula "pediu" e a presidanta ameaçou processar o banco... Processar pelo quê? 
Triste, mas de maneira alguma surpreendente, é que inúmeros entendidos defendem a atitude do governo. Teve gente dizendo que "quem estava ali era a presidente, não a candidata, por isso a reação". Sei... Quer dizer então que se a analista tivesse dito que "se Aécio subir nas pesquisas a economia vai cair" ela teria tido a mesma atitude? Afinal, ela agiu como presidanta, não candidata não é mesmo? E querem que eu acredite nisso? Conta outra aí vai, que essa não cola.
Não parece meus caros, mas o que aconteceu é grave. O que ocorreu foi um ataque direto à liberdade de opinião. Qualquer pessoa tem o direito de expressar que o PT é ruim, ou que o PT é bom; ou que ser gay é legal, ou que ser gay é errado; ou que o Inter é bom e o Grêmio é ruim. Pode-se concordar ou discordar delas, mas censurá-las? Isso é característica típica de um Estado totalitário. Estamos sim caminhando para isso e para a consolidação da agenda socialista (embora o Marcos Rolim ache que está tudo muito bem e que o socialismo só exista em mentes doentias). Mas tem gente que acha isso normal...
Ocorre que, para censurar, não é preciso a existência de um departamento especializado como nos tempos de Getúlio Vargas ou da figura do censor dos tempos dos governos militares. Para censurar não é preciso o uso de aparato policial em redações de jornais ou instituições financeiras para obrigá-los a publicar e informar apenas o que convém ao governo. Para censurar basta apenas duas coisas: ter os poderes político e econômico na mão e aparelhar o Estado. A primeira, o PT recebeu de mão beijada, fruto de nossa República positivista. A segunda ele encarregou-se de fazer desde 2002. 
No Brasil petista, perdemos o direito de opinião e informação. Perdão, ainda o temos, desde que seja tudo a favor do governo, exaltando como o PT faz bem para o país. Do contrário, a nossa cabeça pode (e vai) rolar.



Um comentário:

  1. Bela análise Lenilton Morato.
    Sua abordagem é condizente com o que venho fazendo desde 2001. Mas nada muda no Brasil.
    Ainda há pouco estava observando o perfil dos três candidatos com chances de chegar à Presidência da República. Até parece que irão entrar na politica nacional apenas em outubro de 2014, mesmo que alguns já estejam a nos encher a paciência desde 1961.
    Teotônio Vilela disse em 1979, após a lei da anistia, que a redemocratização do Brasil não daria certo: O BRASIL PERDEU SUA CAPACIDADE DE PRODUZIR HOMENS DE VERDADE.
    Gostemos, ou não, destas palavras, fato é que em 2014 (34 anos após), e ainda não temos um HOMEM DE VERDADE PARA NOS REPRESENTAR. Ai é necessário TERCEIRIZAR UMA REVOLUÇÃO COMUNISTA PARA O FANTASMA DO FIDEL CASTRO.
    O Brasil acabou.

    Leônidas Correia das Neves
    Autor de CRIMINOCRACIA: O Poder do Crime no Brasil!

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