sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Comemorar o Quê?

Neste dia 15 de novembro, comemora-se a Proclamação da República. Conforme o "Méqui" nos ensina, foi graças a este fato que saímos de uma forma de Estado arcaica e que favorecia apenas "azelite", a Monarquia, para entrarmos na maravilha republicana que tirava do Imperador (aquele tirano insensível, autoritário e centralizador) o poder de decidir sobre os rumos do país e de seu povo. Agora um Presidente eleito pela população iria nos governar e o Estado não mais seria propriedade do Monarca e passaria a ser público (res publica - coisa pública). Tudo muito lindo e maravilhoso.
Acontece que a história não é bem assim, a começar pela própria Proclamação da República. Esta veio sem qualquer respaldo popular. Simplesmente o Marechal Deodoro, que aliás era monarquista, deu uma quartelada e, no único golpe militar que o Brasil viu em sua história, transformou o Império do Brasil em uma República Federativa. E adivinhe o que aconteceu? O poder acabou na mão do povo, "só que não". A elite foi quem, efetivamente, passou a governar o país, e desde então jamais deixou de fazê-lo.
Não obstante a questão militar e a questão religiosa terem tido certa influência para a execução do golpe republicano, foi a questão da escravidão que efetivamente derrubou o Imperador. Justamente porque o Império do Brasil começava a promover a... libertação dos escravos (!) Durante o século XIX, sucessivas leis foram sendo implementadas com o objetivo de acabar com a escravidão no Brasil, até chegar à sua completa extinção pelas mãos da Princesa Isabel. 
O que o aluno "mequiano" não é capaz de entender é que os grandes proprietários de terras que detinham escravos não viam com bons olhos a abolição. Foi esse o motivo que levou o Imperador a fazê-la de maneira lenta e cautelosa, evitando uma cisão abrupta do país caso resolvesse, unilateralmente, pelo fim da escravidão. Entretanto, o fim progressivo da escravidão acabou custando à Família Imperial sua coroa, culminando na proclamação republicana. Imediatamente, uma grande campanha de difamação da Monarquia começou, fazendo com que o jovem aluno (ao menos aqueles que vão a escola para estudar) seja levado a crer que o Brasil, quando Império, era governado por um soberano déspota. Difamação pura. 
O período imperial foi o momento no qual o Brasil mais se destacou dentre as nações do mundo. E para aqueles que pensam que o imperador era um boçal, vale lembrar que todos os seus gastos eram pagos com recursos oriundos de investimentos da Família Imperial. Como uma mera observação, acrescento ainda que o período de maior turbulência da monarquia foi justamente quando o trono estava vago. O Imperador era fator de coesão de toda a população.
A fim de elucidar o que foi o Império do Brasil, poderia falar da política, a economia, os avanços em infra-estrutura, ciência, artes e educação. Poderia mesmo explorar as características pessoais de nossos dois imperadores, especialmente D Pedro II. Porém, tal empreitada seria assunto para um livro tal a distorção histórica sobre o período imposta pelo "méqui". Fiquemos, pois, com a aclamada República! O que ganhamos com ela? 
Para responder a essa questão, basta olharmos para o período republicano: Começou com dois governos autoritários de marechais. Uma república militar por assim dizer. Finda esta fase, começamos a enfrentar a política das oligarquias. Aqui um paradoxo: a República, que viera para tirar o poder da  elite, estava dando-lhe cada vez mais poder. Cada vez mais o poder concentrava-se nas mãos do Presidente que passava a governar uma federação de araque, posto que a União centralizava cada vez mais o poder em suas mãos. Os Estados da federação foram esquecidos em detrimento de MG e SP. Nossa República Federativa era, na verdade, unitária. Por incrível que pareça, a Monarquia era mais republicana e federalista do que a República imposta pelo golpe que a derrubara.
Mas ainda haveria mais. Passaríamos pela ditadura da era Vargas, onde a repressão e a censura foram tão fortes que fazem o regime de 64 parecer brincadeira de criança. Com Getúlio no poder, a União centralizou ainda mais poderes em suas mãos, transformando-nos, virtualmente, em um Estado fascista. Com JK, tivemos um curto período de relativa estabilidade e prosperidade, logo frustrado pela ameaça comunista que fez com que, empurradas e chamadas pela população, as Forças Armadas assumissem o controle do país, fazendo com que mergulhássemos novamente em um período autoritário. 
Mesmo com o grande desenvolvimento econômico do país, os militares criaram uma tecnocracia e sufocaram o pensamento político, sabotando o pensamento conservador e permitindo que o pensamento comunista pudesse ser difundido nas universidades; os militares apenas se preocupavam com a ameaça da guerrilha. Realmente, não entendiam nada de política.
Terminada a época de sermos presididos por militares, chegou a vez da assim chamada redemocratização. E o resultado é que, de lá para cá, tivemos o aparelhamento de empresas públicas, inúmeros casos de corrupção, compra de votos e a compra do Congresso Nacional. Mas ninguém parece dar muita bola para isso. Para arrematar, o cidadão brasileiro sustenta, por força de lei, os ex-presidentes e ex - governadores, formando um sem-numero de pequenas "famílias reais" que apenas oneram o bolso do contribuinte. O tesouro público, patrimônio sobre o qual o imperador D Pedro II zelava com rigor e austeridade, passou a ser patrimônio de um seleto grupo de partidos que se revezam no poder eternamente.
Comemorar o quê neste 15 de Novembro? O único golpe militar que o Brasil teve em sua história? Não muito obrigado. Estávamos muito bem como Império. Éramos a nação mais desenvolvida da América Latina e respeitados na Comunidade Internacional. Hoje em dia, qualquer índio cocalero toma o nosso patrimônio. E nós achamos normal simplesmente ficar calado.


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