domingo, 23 de novembro de 2014

Porque o PT (ainda) Não Caiu.

O que temos acompanhado nos últimos 12 anos poderia ser chamado de "era das pizzas", ou "era dos escândalos". Vimos um partido político apoderar-se de todos os mecanismos da República nas três esferas do poder, na administração pública, na mídia e no ensino. Assistimos com bovina ingenuidade a um presidente, Lula da Silva, comprar o Congresso Nacional via mensalão. Agora, assistimos à sangria sem precedentes de recursos da maior empresa estatal do país transformada em máquina de dinheiro de campanhas políticas e de subornos, associada a empresas privadas. Tudo isso possível pelo fato de a Petrobrás ser uma empresa estatal, o que significa que está subordinada a interesses políticos-partidários. Não deveria ser assim, mas é. Todo o Estado que detém para si o poder econômico está fadado não apenas a falir como a corromper a própria economia. É isso que o PT tem feito.
Tem-se ainda, como agravante, a distorção ética que este partido conseguiu impor: tudo é válido para conquistar e manter o poder. Subornos, assassinatos, queima de arquivos, quebras ilegais de sigilos bancários e telefônicos. Tudo isso o PT fez; e nós acabamos nos acostumando com isso (rouba, mas faz). O caso aqui é que só há roubo. Na tentativa desesperada de justificar o injustificável, a presidente afirma com grande estardalhaço que os escândalos só vieram a tona porque o seu governo fez as investigações... Mas se seu partido não tivesse capitaneado a compra do Congresso e agora a sangria da Petrobrás, haveria algo a se investigar?
Impossível acreditar que tanto Dilma quanto Lula não sabiam de nada nunca, como sempre dizem. Pelos cargos que ocuparam e ocupam dentro da administração do país e dentro do seu partido, não é aceitável que eles ignorassem o que se passava nas salas adjacentes. Não é aceitável, tampouco, que os condenados pela justiça pelo processo de compra do Congresso Nacional sejam alçados à categoria de heróis injustiçados, adjetivo que o PT carimbou em Dirceu e Genoíno e que foi prontamente aceito pela presidente e seu mestre. Temos, portanto, dois presidentes que concordam com a ideia de compra do Poder Legislativo. No mínimo estranho.
Nada disso parece, entretanto, causar suficiente indignação na população que a faça sair às ruas gritando pelo impeachment de sua presidente. E olhe que eu nem citei as tenebrosas transações do Foro de São Paulo, infinitamente mais graves que a má administração e corrupção. A impressão que dá é que a indignação popular é controlada pelo governo. E é.
Por meio de sindicatos, entidades de classes, UNE, MST (quantas invasões tivemos no governo PT?) e tuti quanti, o PT domina as manifestações populares desde o governo Collor. Não foi a imprensa que o derrubou, como muitos dizem. Foi o PT. Ainda que o ex-presidente não tivesse o apoio e nem a simpatia do Congresso Nacional, foi a pressão dos caras pintadas que deu ao Legislativo a força e a justificativa para impedi-lo de prosseguir no mandato. Nada mais. Perto do que Lula e Dilma fazem, Fernando Collor é um exemplo de candura, honestidade e probidade. E mesmo assim, com tantas denúncias estourando, com tanto dinheiro sendo roubado e com o nosso país aliado a parceiros no mínimo estranhos, o povo se cala. Ou melhor, se calava.
O ponto de inflexão das manifestações foi o que ocorreu em junho de 2013. Naquela ocasião, pelos R$ 0,20 de aumento na passagem, os "movimentos sociais" foram às ruas exigir essa e muitas outras mudanças. Esses movimentos, como UNE, Black Blocks, CUT, etc. estão nas mãos do PT. O objetivo principal era acelerar a reforma política que, a ser aprovada, levará o Brasil a tornar-se uma República Soviética. Ocorre que a coisa não correu como o desejado e, de maneira surpreendente, dezenas de milhares de pessoas passaram a protestar contra... o governo do PT. E aí o controle fugiu das mãos do PT que teve que rapidamente dispersar o movimento. Novamente, a esquerda errou na sua avaliação: a população brasileira é conservadora. E deu mostras disto.
Em novembro deste ano, a surpresa. Dezenas de milhares de pessoas foram protestar contra o escândalo da Petrobrás, fraude nas eleições, corrupção, Foro de São Paulo, etc. Estas pessoas, ao contrário das manifestações "made in PT", carregavam consigo bandeiras do Brasil ao invés das vermelhas. Pela primeira vez na história da Nova República, ocorreu uma manifestação popular desprovida de orientação partidária, exigindo unicamente que o governo dê um basta nos desmandos causados pela administração PT. Teve gente pedindo até intervenção militar. Isso causa verdadeiro pavor à esquerda. Afinal, ela sabe que não dispõe do apoio popular que ela acha ter. Os seus apoiadores são os movimentos das minorias (crias da esquerda), a mídia, o meio artístico e o meio acadêmico. Por possuírem o monopólio da imprensa e da mídia, parecem ser infinitamente grandes quando, de fato, representam parcela ínfima da população.
Aparentemente parece que o povo acordou. Acontece que, diferentemente do que aconteceu com a campanha do "fora Collor", não dispõe dos movimentos sociais, centrais sindicais, entidades de classe e da mídia, todos ainda dominados e subordinados ao PT. Alguns acreditam que o PSDB poderia encabeçar e unir os diversos matizes das manifestações. O problema é que ele está comprometido estrategicamente com o PT. É por isso que o movimento atual está sem liderança alguma, muito embora disponha de grande contingente de pessoas que resolveram lutar além de acordar.
Este é o motivo pelo qual Dilma (e antes Lula) e o PT ainda não caíram. Eles possuem o apoio político do Congresso e o monopólio dos formadores de opinião. Isto torna-os entidades blindadas, acima do bem e do mal. Romper este monopólio é fundamental para que possamos vislumbrar a depuração do Estado brasileiro, totalmente contaminado pela chaga petista. Para isso é preciso, além das manifestações de ruas, pressionar os editores dos grandes jornais a relatarem a verdade e a gravidade do que acontece no país. O rei (e a rainha) estão nus. Até quando nossos jornalistas vão insistir no contrário? Até quando permitirmos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário