segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Tempos Estranhos... Mesmo.

Tempos Estranho é o nome da coluna assinada por Luis Fernando Veríssimo na página dois da Zero Hora deste domingo. Nela, o comediante (para mim, de nível mediano) escreve que direita e esquerda inverteram os papéis na questão da Petrobrás Um lado teria assumido o lado do outro. Segundo ele, há um deleite da direita em ver os “capitalistas sendo presos” enquanto a esquerda realiza o sonho direitista de “desmoralizar para melhor desnacionalizar a Petrobrás”.

No decorrer da coluna, o autor utiliza a “cartelização” em São Paulo e os escândalos da Petrobrás para provar “o que está no Marx para principiantes: o caminho natural do capital é para o monopólio”. Para dar sustentação à tese, diz que “O compadrio das empreiteiras faz pouco da importância da competição no mercado supostamente autorregulável da pregação liberal”. Finaliza com um discurso de que existem “entreguistas” que estão festejando a desmoralização da Petrobrás feita “irônica e dolorosamente, sob um governo de esquerda”, visto que dá mais argumentos favoráveis à sua privatização. 

O que o autor esconde (o que é normal, já que não passa de um humorista), é que o motivo pelo qual se formam monopólios e cartéis é justamente devido ao fato de o capital estar efetivamente na mão do... Governo! Não há autorregulação do mercado, mas um único agente (Estado), com o monopólio de um serviço (Metrô, Petróleo, etc.) que não visa o lucro e, portanto, não precisa ser eficiente, tanto que seus diretores são apadrinhados políticos. Ainda, sendo estas empresas estatais fica muito facilitado o acobertamento de suas espúrias ações principalmente na situação que nos encontramos, com os poderes da República completamente aparelhados.

Finaliza mostrando como países como a Inglaterra e o Chile permaneceram com suas cidadelas socialistas (sistema de saúde e cobre respectivamente) ao passo que a brasileira (Petrobrás) foi atacada desde dentro. Não contendo seu posicionamento à esquerda, procura amenizar a responsabilidade do governo ao final do texto, mesmo que ele próprio tenha dito que a desmoralização da Petrobrás ocorreu sob um governo de esquerda. 

Enfim, o texto é confuso. Seus argumentos são vazios e fracos, especialmente quando diz ser a autorregulação do mercado a responsável pelo surgimento de cartéis e propinas, ignorando o fato de que os dois exemplos que utiliza são... monopólios estatais!

A cegueira deste cidadão o impede de perceber que a estatização da economia tende a casos de corrupção como aqueles que ele cita na coluna. Sob um partido revolucionário como o PT a coisa torna-se ainda mais grave visto que qualquer resquício de ética é derrubado se for necessário para a causa. Se como humorista Luis F. Veríssimo é mediano, suas últimas investidas nas questões políticas vem mostrando que ele está mais para idiota útil do que para intelectual orgânico.

Tempos estranhos mesmo, onde opiniões tão desprovidas de nexos são levadas a sério e publicadas em jornais de grande circulação.

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