quinta-feira, 23 de abril de 2015

Romantismo Sangrento.

Túlio Milman, colunista do jornal Zero Hora e comentarista da RBS TV ficou "aliviado e cheio de esperança" com o discurso de Catalina Botero no Fórum da Liberdade que foi realizado em Porto Alegre na semana passada. O evento, marcado pelo seu caráter liberal, foi bastante pródigo em duras críticas à esquerda e aos desmandos petistas, como bem observa o jornalista. Previsível. Afinal, o caos no qual o PT mergulhou o país é sem precedentes na História tupiniquim (pelo menos desde os tempos da Pangeia). Mas não reside aí a esperança do colunista.

Seu alívio veio conforme podemos observar na última parte de sua coluna publicada em Zero hora:

Voltando à terça-feira passada: Catalina Botero subiu ao púlpito. "Concordo com muita coisa que ouvi aqui. Mas não concordo com outras tantas." Silêncio. Catalina prosseguiu: "Vou contar pra vocês do que eu falo quando eu falo em liberdade". E falou.
Liberdade é, em primeiro lugar, defender o direito do outro. O direito a se expressar, a acreditar no que bem entender. Não sou socialista, mas o socialismo é uma ideia, e na sua dimensão de ideia, é tão bela quanto qualquer outra. Muita gente morreu nas mãos das ditaduras de esquerda, é verdade. Mas também morreu nas de direita, como na Alemanha, no Chile ou mesmo aqui no Brasil. Qualquer radicalismo é ruim. É disso que eu falo quando falo em liberdade.


Catalina foi aplaudida.

O que me deixou aliviado.

E cheio de esperança.

Liberdade é defender o direito do outro, conforme ela disse. Inclusive o direito de falar e pensar asneiras como essa. Observem bem o trecho em negrito. Nele, não há dúvidas de que Catalina acredita que toda a ideia é bela. Não há margem para outra interpretação correto? Então, podemos dizer que se alguém defende a escravidão, o totalitarismo, o nazismo e o fascismo, essa pessoa está apenas falando de "ideias tão belas quanto qualquer outra". Mesmo que essa ideia seja responsável pela morte e o sofrimento de milhões de pessoas.

Não Catalina. O socialismo não é belo. A aplicação prática de suas ideias causou fome, pobreza e a morte de mais de cem milhões de pessoas. O socialismo é a ideia que mais persegue e mais destrói a liberdade que você tanto defende. O socialismo destruiu culturas milenares como a chinesa, semeou a fome nos países africanos, e espalhou morte e terror por todos os lugares porque passou. E, por favor, não queira comparar qualquer ditadura de direita com o que ocorreu nos regimes socialistas. Todas elas, se somadas (e pode incluir até mesmo o nazi-fascismo, que é um socialismo com supremacia de raça ao invés de classe social) não chegam a um décimo da carnificina de esquerda. 

Quanto ao Túlio Milman... Bem nada a declarar. É claro que ele enxerga esperança e alívio quando, em um evento liberal, alguém defende a liberdade de se justificar e compreender a esquerda, mesmo com tantas mazelas e crimes que esse pensamento espalhou pelo mundo. Típico do jornalista brasileiro, que tem no "belo e romântico" ideal socialista uma venda que o impede de enxergar a realidade como ela é: sangrenta.