quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Burguesia: a Inimiga.

A iniciativa individual é o motor do mundo. As grandes conquistas da humanidade não vieram por intermédio de vontades estatais ou por decretos de governantes. Foi a curiosidade individual a responsável por fazer os grandes progressos de nossa história. A mente do indivíduo, livre e soberana, foi determinante para, ao longo do tempo, trazer o desenvolvimento que hoje gozamos.
E qualquer estrutura social de qualquer civilização, teremos sempre a seguinte estratificação: a elite, os comerciantes e industriários (burguesia) e o trabalhador (aqui incluído escravos e servos). É claro que, dentro destas três classes, existem subdivisões. Mas em um sentido lato, foi e é assim que qualquer sociedade se organiza. As mudanças ocorrem na interação entre os estamentos sociais que podem permitir que os indivíduos transitem por eles ou não. 
Por razões econômicas, culturais ou religiosas, haverá sempre o domínio de um pelo outro. Geralmente, a elite domina as demais. É ela que detém o poder (principalmente o político). Usualmente, é composta por altos funcionários do governo e por pessoas ligadas a ele de uma maneira ou outra. Durante a antiguidade estes funcionários tinham possessões de terras na área rural das cidades, especialmente durante o Império Romano. O sistema de colonato romano associado às invasões bárbaras que ameaçam toda a Europa dão origem ao feudalismo e à aristocracia europeia que conhecemos. Esta passa a ser a elite da época, dominando as demais classes. Mas há um "porém".
Mesmo durante a Antiguidade Clássica um estamento social sempre desafiou o domínio da elite. Esta classe social passou a ser enxergada como o inimigo a ser destruído. E qual classe era essa? Ora, a dos comerciantes e industriários. Ou seja, a burguesia (apesar de o termo vir dos burgos da idade média, classe em si existe desde o início da civilização). Mas por quê? Simples: a burguesia, geralmente, possui o poder econômico.
Este poder econômico é fruto quase que exclusivamente de uma coisa: trabalho. Assim, a classe burguesa mostra aos trabalhadores comuns (proletários) que é possível melhorar substancialmente sua condição econômica sem depender da elite ou do governo. Para isso, basta apenas dedicação, trabalho, empenho e uma dose de coragem. Foi com esses predicados que os comerciantes fizeram surgir as futuras cidades da Europa. Sem a proteção de um suserano, arriscaram e enfrentaram um território inóspito e inseguro. E prosperaram! Tanto que são eles os responsáveis pelo surgimento do Estado Moderno como forma de garantir segurança e padronização para suas negociações. Também são eles os responsáveis pela queda do antigo regime, quando os impostos que lhes eram cobrados serviam apenas para sustentar uma elite que nada produzia.
Em seguida, com o advento do comunismo, a burguesia foi acusada de ser a grande exploradora dos trabalhadores do mundo. Era preciso fazer com que os proletários guiassem o seu próprio destino. O resultado foi o surgimento de regimes que, além de assassinar mais de 100 milhões de pessoas ao redor do mundo, eliminaram a classe burguesa, fazendo com que os países que o adotaram passassem a contar apenas com duas classes: a elite e o proletariado. A elite, agora formada pelos integrantes do partido, precisa eliminar a burguesia, de maneira que o proletário pense que apenas ela pode conduzi-lo para uma condição de vida melhor.
A burguesia é, pois, a inimiga número um da elite. A existência de pessoas que podem prosperar sem o auxílio do governo e seus funcionários é inadmissível para a elite partidária. Aliás, é essa burguesia que dará emprego e renda para toda a população do país. Suas empresas, seus indústrias e empreendimentos são os grandes impulsionadores da economia. Não a iniciativa de um governo! (qualquer que seja ele). 
Ao mesmo tempo que é sua inimiga, a burguesia é também o seu sustentáculo. É o dinheiro dos pesados impostos cobrados que mantém a camada mais privilegiada da sociedade. Uma camada que, pelo que produz, recebe os maiores salários do país. A carga tributária absurda faz com que o proletariado não consiga comprar produtos de alta qualidade ou usufruir de serviços com maior valor agregado. Isso tudo é reservado à elite.
Os pesados tributos cobrados possuem três funções: garantir polpudos recursos para que os donos do poder possam usufruir das benesses do mundo capitalista e impedir que o proletariado consiga fazer o mesmo (já que encarece substancialmente qualquer tipo de bem ou serviço). Como arremate, faz parecer que a culpa é da classe empreendedora.
Assim, ao contrário do que os professores de história vêm ensinando em salas de aula, a burguesia não é inimiga do proletariado, mas da elite. Esta não admite que possam existir pessoas que, pelo suor do seu trabalho e iniciativas individuais, possam conquistar o que ela tem.

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