quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Tiroteios e Prioridades.

Mais uma noite, mais um tiroteio; lugar-comum na capital gaúcha. A violência, outrora uma realidade mais próxima do centro do país tomou conta da Porto Alegre. Basta sintonizar a televisão e assistir ao telejornal, folhear as páginas do jornal ou ligar o rádio para saber que pelo menos uma dezena de pessoas perderam a vida na cidade. Vítimas surgem por todos os motivos e, progressivamente, a morte causada pela criminalidade passa a ser vista como algo comum, ordinário e quotidiano. Nos tornamos cada vez mais insensíveis a ela.
A escalada da violência em Porto Alegre (aliás, em todo o Rio Grande do Sul) tem muitos motivos. Alguns vão dizer que isso é culpa da sociedade que exclui as pessoas ao ponto de não restar-lhes outra escolha que não o crime. Este é o mantra referido pela esquerda. E, como ela é corrente dominante das universidades, do jornalismo e do meio artístico, acaba sendo a explicação para a onda de crimes que assolam a cidade.
Ao mesmo tempo, uma campanha permanente de ataque às forças policiais é perpetrada. Um agente da lei que atira e mata um marginal, um bandido, é automaticamente transformado em um. A imprensa, particularmente, faz um papel de pinça: exige o aumento da força policial ao mesmo tempo que reprova a ação policial. Assim, o bandido tem a certeza da impunidade, a certeza de que a grande mídia e os "dotô" das universidades irão tratá-los como pobres coitadinhos. Eles sabem que, no final, haverá sempre uma Maria do Rosário disposta a defendê-los em nome dos "direitos humanos".
A verdade é que o ser humano só respeita o que ele teme. E os criminosos não temem mais nada. Antes da Constituição Federal de 1988, um cidadão que violentasse uma mulher sabia que o pai, namorado ou marido desta iria caçá-lo e eliminá-lo. Fosse a julgamento, provavelmente seria absolvido. Isto dissuadia o marginal a pensar duas vezes antes de cometer o crime. Hoje, se uma filha tua for estuprada e resolveres matar o estuprador, é capaz de ficares mais tempo preso do que ele. Alguém que fosse cometer um assalto não tinha ideia de quem poderia ou não estar armado e isto o fazia pensar se valia mesmo a pena arriscar sua vida tentando cometer um crime contra alguém. Hoje, com a população desarmada, a reação da vítima passou a justificar o crime do bandido. "Pô dotô, eu tive que atirar porque a vítima reagiu". Ou seja, nos foi tirado o direito de reagir a uma violência cometida contra nossa integridade física e patrimonial.
O Brasil esquerdista, que começou efetivamente com os governos FHC, aprisionou seus cidadãos nas grades da incapacidade. Não somos capazes de nos defender porque  nos é negado o porte de armas. Não somos capazes de reagir a uma agressão sob pena ou de sermos culpado pela nossa própria morte ou por agredir o agressor. Não somo capazes de defender a nossa família contra um agressor, sob pena de sermos condenados por termos matado o estuprador de nossas filhas. Nos transformamos em uma geração de frescos, fracos e efeminados.
Diante de tudo isso, o crime prospera em todos os níveis. O bandido perdeu o medo de entrar em nossas casas e hoje somos nós que os tememos. A polícia não consegue agir sem ser criticada por "uso excessivo da violência" ou outra justificativa qualquer que a denigra. E, como arremate, as escolhas individuais das pessoas que resolverem enveredar para o crime são debitadas de nossa conta. Uma completa inversão do estado normal das coisas.
E o resultado está aí. Vivemos cada vez mais enclausurados em castelos, presos atrás de grades enquanto os bandidos correm soltos pelas ruas. Tiroteios são cada vez mais comuns, mas não parece que isso nos incomoda tanto quanto o aumento de 50 centavos na passagem urbana. Passamos a valorizar mais nosso dinheiro do que a segurança de nossas vidas.
E há solução imediata? Claro que há. Não tenham a menor dúvida de que os órgãos de inteligência da Brigada Militar (a PM do RS) sabe quem são e onde vivem as quadrilhas de traficantes que disputam o poder nas periferias porto-alegrenses. O que fazer? Uma operação para eliminar os criminosos um a um. Simples assim. Mas isso fere interesses políticos de muitos candidatos que são financiados pelo tráfico.
Situações extremas exigem medidas extremas. Mas não é isso o que vemos. O que vemos é a maioria sendo acoada por uma minoria que atemoriza e lança o terror em toda a população de uma cidade. E, mesmo assim, são chamados de "coitadinhos vítimas da sociedade má". 
Mas imaginem que, por uma fagulha de razão, o governo ordenasse que houvesse a eliminação dos bandidos que nos assolam todos os dias? Sabe o que aconteceria? O Judiciário sairia em defesa dos pobres bandidos (possivelmente motivado por uma ação do PSol e do PT). E ainda teríamos que aguentar as reações indignadas pelo "uso de tamanha violência pela Brigada Militar" do Túlio Milman e do Cláudio Brito. Infelizmente, a segurança pública não parece ser prioridade para nossos formadores de opinião. 
Suas prioridades são: manter a integridade física dos bandidos, mudar a regra de um colégio para que as alunas possam usar minissaias, proibir os saleiros nas mesas de bares e restaurantes e impedir o aumento da tarifa do transporte público. 
Afinal, morte e tiroteio tem todo o dia mesmo...

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Os Castelos de Porto Alegre.

Quarta-feira, 17 de fevereiro. Final de jogo no estádio Beira-Rio em Porto Alegre. Vitória do Internacional sobre o Avaí pela Primeira Liga. Saí do local feliz pela vitória colorada (nem tanto pelo desempenho da equipe) e comecei a fazer o percurso de retorno à residência de meus pais. O mesmo que tantas vezes fiz desde, pelo menos, 1995. E comecei a subir a rua Silvério. Já tinha anoitecido.
Sem rádio (saí na correria porque acabara de atravessar o Estado de automóvel uma hora antes) somente tinha a mim mesmo como companhia. E, sem mais nem menos, comecei a pensar sobre castelos. Sim, castelos! Símbolos da Idade Média e Moderna na Europa... Uma pergunta me veio à mente: O que eles são?
Mais que depressa, a resposta: castelos são estruturas militares de caráter defensivo que surgiram da necessidade de proteção contra as invasões bárbaras às terras que pertenciam ao Império Romano. Com o seu colapso, a nobreza romana (detentora de terras) deu abrigo aos demais integrantes da sociedade que chegava a seu fim. Em troca, exigia o seu trabalho. Esta relação social era o colonato: trabalho em troca de proteção.
Conforme o tempo foi passando, as propriedades rurais da nobreza romana começaram a ficar cada vez mais fortificadas. Isso tinha como objetivo aumentar a proteção àqueles que viviam dentro dela. Surgiam os feudos, cujo símbolo mais famoso é o castelo. O feudo, murado, bem guarnecido e protegido muitas vezes por um fosso, garantia que o nobre proprietário e os servos ficassem protegidos dos ataques bárbaros e de grupos que promoviam a violência pelo território europeu.
Entretanto, com o surgimento dos Estados Nacionais, os castelos começaram gradativamente a perder sua função primeira.  A unificação política do território sob um único monarca garantiu à população a segurança que havia sido perdida. Começaram a surgir cidades (burgos) que atraíram os servos para fora dos muros dos castelos. Assim, podemos entender que é o surgimento (ou ressurgimento) do Estado como garantidor da segurança que transformou os castelos de estruturas defensivas a residências.
Já no meio da rua Silvério, entre alguns viciados em crack e o cheiro de dejetos humanos, me impactou a maneira como aquele caminho que eu fazia quase todas as semanas após o jogo do colorado tinha mudado. Muros mais altos, cercas elétricas, concertinas, segurança particular. O motivo é óbvio: preservar a segurança dos moradores.
Foi então que enxerguei que cada casa ou condomínio da cidade passou a ter as características necessárias para proteger seus residentes. Passaram a ser estruturas defensivas contra a violência cada vez mais crescente na capital gaúcha. A insegurança da Idade Média parecia ter voltado. E voltou. Sob nova roupagem é verdade. Não temos hordas bárbaras vagando entre os feudos. Agora temos facções criminosas lutando pelo tráfico, gangues de ladrões, viciados em crack que fazem absolutamente tudo por mais uma pedra.
O Estado, que deveria garantir nossa segurança, resolve se imiscuir em assuntos que não podem fazer parte da sua alçada. Como a lei ridícula que proíbe os saleiros nas mesas dos bares e restaurantes da capital. O Estado quer se meter em tudo: o que lemos, o que comemos, o que escutamos, se fumamos, se bebemos, quais sites acessamos, que coisas compramos... Mas ele não se mete naquilo que é sua razão de ser: segurança. Como resultado, temos o surgimento dos novos castelos. Diferentes na arquitetura, mas idênticos na função.
Passamos a nos acostumar com casas e edifícios gradeados, com segurança particular e com o surgimento de bairros privados. Queremos ter alguém armado que possa nos proteger, já que o Estado nos tirou este direito mesmo que tenhamos votado contra o desarmamento no referendo.

Queremos uma polícia eficiente e que possa nos manter seguros, mas a imprensa (principalmente) faz questão de denegrir sua imagem sempre que pode (e a tratar todo bandido como um pobre coitadinho, vítima da sociedade). A violência passou a fazer com que passássemos a construir estruturas que nos sirvam de abrigo mais do que de moradia. O Estado, como outrora, não garante mais a nossa segurança. E Porto Alegre passou a ter cada vez mais e mais castelos. 

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

O Capitalismo Fracassou... Será?

Há alguns dias atrás vi compartilhado um texto no facebook escrito por Gustavo Tanaka versando sobre a falência do capitalismo. Nele o autor enumera 8 motivos pelos quais, segundo ele, o sistema capitalista não deu certo. E que seria a hora de aceitarmos isso.
O texto começa com uma pequena apresentação do autor, destacando o fato de que ele não é um integrante da esquerda. Pelo contrário. É "um cara que sempre foi um capitalista", dentre outras peculiaridades biográficas e os motivos gerais que o levaram a desacreditar do capitalismo (e pretende dar um certo ar de credibilidade ao texto, anticapitalista, escrito por um capitalista.
Mas será que o capitalismo não deu certo? Vejamos os pontos do sr Tanaka:

1- Esgotamento dos recursos

O autor fala em "esgotamento dos recursos", dizendo que não temos mais reservas minerais, que estamos destruindo a amazônia, vivemos num mundo poluído, cinza e cheio de fumaça e que temos uma agricultura de monocultura que "detona o solo". Como arremate, diz que comemos alimento com veneno e bebemos água suja.
É óbvio que o desenvolvimento econômico causa impactos ao meio ambiente. Mas daí a dizer que não temos mais reservas minerais é um pouco forçado. Penso que o autor quis dizer que elas estão esgotadas. Afinal, descobertas ou não, nossas reservas minerais são fixas. Porém não me parece que elas tenha se exaurido. 
Quanto à destruição da amazônia, esta ocorre por dois fatores apenas: exploração da madeira e expansão da fronteira agrícola. E o que o capitalismo tem com isso? Ora, no início da exploração madeireira a extração da matéria-prima era realmente intensa. Até que um capitalista malvadão pensou: "posolha tchê! (naquela época a gauchada já dominava o mundo) E se a gente ao invés de cortar toda essa madeira, passasse a plantar árvores específicas para atender à demanda?" E assim surgiram os móveis com madeira de reflorestamento.
O mesmo aconteceu com a exploração agrícola. A necessidade CAPITALISTA de se reduzir custo levou ao desenvolvimento de tecnologias que permitisse o aumento da produtividade com menos necessidade de terras. "Ah mas a monocultura que 'detona o solo' e tal?" Parece que inventaram a solução para isso também. E ainda na Idade Média! Já ouviu falar em crop rotation ou rotação de culturas? É aquela coisa que aprendemos nas aula de geografia da 6ª série (pelo menos eu aprendi) que serve justamente para... Repor as perdas do solo. Soma-se a isso, os pesticidas e alimentos transgênicos que possibilitaram o aumento da produtividade da agricultura acarretando, consequentemente, menos terras e menos desmatamento. E, claro, menos custo. (custo, aquilo que o capitalismo insiste em diminuir, porca miséria!)
O desenvolvimento da civilização humana provocou, fatalmente, a poluição do ambiente. É por isso que viemos em "um mundo poluído, cinza e cheio de fumaça". Calma aí cara-pálida. Eu não! Isso é coisa de cidade grande! Ah, mas não queres abrir mão da internet mega-power-hyper rápida, do cinema no final de semana ou de um show de sertanejo universitário... Bom, aí a escolha é sua. Mas só para constar, o desenvolvimento de tecnologias ecologicamente corretas só esta´sendo possível devido à acumulação de capital causada pelo... Capitalismo.
Ah, já ia me esquecendo que comemos alimento com veneno e bebemos  água suja por casa do capitalismo? Pois é... Deve ser por isso que, desde a Revolução Industrial, a expectativa de vida mundial mais que dobrou. "Ah mas tem câncer, doenças genéticas e tal". Sim, e querias ficar velho com a saúde de um garotão? Isso é pro Benjamin Button!

2. Desconexão com a natureza

Neste item, o texto dia que "ninguém sabe como se planta um tomate, que só se ensina na escola o que se pede no vestibular, que precisamos de pessoas com diplomas que consigam bons empregos". Calma lá! Eu aprendi na escola ( e com meu pai também) como se planta um tomateiro (e um pé de cenoura, como se faz um canteiro de alface, etc...) na disciplina "técnicas agrícolas". No PRIMÁRIO! Deve ser porque eu fiz o primário durante a terrível e horrenda ditadura militar. Hoje sim que é bom! Na escola se aprende mais a trepar do que a "matéria do vestibular". Põe a culpa no capitalismo não fío! Destruição da sociedade e ensino de coisas inúteis é coisa de socialismo.

3. Condição bizarra que alçamos a economia

Aqui, o autor diz que o homem teme a economia (antes eram os deuses e a natureza), mas que a economia não existe, não é um ser vivo e que nós a criamos e que ela controla nossas vidas. Ainda, que nós não nos preocupamos se está chovendo o suficiente, se o clima está mudando, etc. O simples fato do mercado impactar em nossas vidas, implica a sua existência real. Não inventamos a economia mas a descobrimos. Desde os primórdios da civilização estávamos sujeitos às suas leis (notadamente a lei da escassez). Também nos preocupamos sim se está chovendo ou com a mudanças climáticas que afetam as plantações. Afinal, estes fenômenos acabam afetando nossas vidas e... A economia!

4- Uma sociedade de escravos do sistema

Pessoas que vendem suas vidas por um salário no final do mês, que têm muitas coisas para pagar, mas que não são culpadas. Assim o autor defini nossa escravidão ao capitalismo e, claro, culpa-o. Mas quem ele pensa que é para dizer que as pessoas "vendem" suas vidas?
O que elas vendem é o valor do seu trabalho. E se não ganham mais, é porque o Estado intervém e obriga o empregador a pagar-lhes uma série de direitos compulsoriamente. Ora, se não se pode abrir mão de um direito, ele não é um direito! Tudo é uma questão de escolha. Se quisermos fazer algo diferente do que fazemos, temos toda a liberdade para isso, mas somos prisioneiros das consequências de nossa escolha, para o bem e para o mal. Se não devemos vender nosso trabalho, vamos fazer o quê? Deixar que um Estado defina como devem ser nossas vidas? É meu caro. O socialismo já tentou isso... E deixou 100 milhões de mortos...

5- Meritocracia não é um modelo justo

Vou colocar o que o autor escreveu literalmente: "Quem merece mais que o outro? Você deve responder que é o cara que se esforçou e se dedicou mais, certo?Mas o que está por trás dessa dedicação?Talvez eu e você estejamos competindo pela mesma promoção. Eu trabalhei 12 horas por dia e você “apenas” 8. Então a lógica é que a vaga seja minha.Mas eu não tenho filhos, não tenho dívidas, não sou casado e nem tenho familiares doentes. Você tem 2 filhos pequenos, uma esposa sem emprego, dívidas que você herdou e um pai doente e que necessita de cuidados.Faz sentido essa meritocracia?"
Na verdade... Faz. Aqui há a clássica confusão entre o merecer e o precisar. Novamente, temos ilustrada a questão da escolha. Há pessoas que escolhem trabalhar 12 horas por dia. Outras que tem 2 filhos, dívidas de herança, etc. E não conseguimos dizer, apenas com esses dados, qual delas é a mais feliz. Se temos um pai doente e uma família numerosa, devemos trabalhar e economizar o dinheiro. Se queremos mais, devemos estudar mais e trabalhar mais, sacrificando o convívio com a família. É assim que funciona, e isso não vai mudar só porque você quer. Novamente, é tudo uma questão de escolha "inclusive dos pais que deixam dívidas para seus filhos". Este item retrata a idéia tosca que temos no Brasil de que alguém precisa nos amparar. Errado. Nós somos os responsáveis pela escolhas que fazemos.

6- Uma sociedade que não valoriza a arte

Neste item, o texto fala que "é mas importante ser produtivo que criativo" que pessoas que são "boas de matemática" ganham mais do que quem pinta ou esculpe e que matamos inúmeras obras de arte antes de nascer (sic) etc. Primeiro: não houve na história nada que apoiasse mais as artes do que o capitalismo. Ora, foi o acúmulo de capital, notadamente da burguesia comercial italiana, que possibilitou o Renascimento Clássico. O acúmulo de capital fez com que aristas pudessem ser financiados! Simples assim. O problema é que, hoje, qualquer zé das couves se acha "o" artista. Aliás, qualquer idiotice que os filhos fazem, os pais e professores correm para dizer-lhes "nossa, genial isso!"
A arte está decadente porque inventaram essa imbecilidade de que "tudo é igual, funk é cultura" etc. E sabe quem prega a igualdade né? Sim, o socialismo! Então meu caro, não venha culpar o capitalismo pela existência de uma sociedade que, segundo tua observação, não valoriza a arte (não valoriza mesmo). A culpa é da educação, mais precisamente, de Paulo Freire. O capitalismo foi e é o responsável pelo sustento dos artista, quer queira, quer não. Quanto à qualidade da arte, aí depende do nível da cultura de cada povo.

 7- Nunca é suficiente 

Uma outra queixa do texto é a de que as empresas almejam um crescimento constante e que isto seria impossível A busca pelo constante aumento de vendas, lucros, etc. As empresas querem crescimento todo ano e que isso deixa as pessoas ansiosas (aliás, o texto chega a perguntar ao leitor se "já viu alguma empresa ter como meta reduzir seu faturamento" o que, por motivos óbvios, não merece qualquer comentário). O texto segue perguntando se é possível crescer o tempo todo e vender mais e mais. E isso, segundo o artigo, traria dificuldade para vivermos o agora, pois sempre estamos com a cabeça no futuro.
Ora. Estabelecer metas de crescimento não significa manter este crescimento. A questão aqui é motivar os quadros da empresa a buscarem os melhores resultados diante das dificuldades que o mundo lhe apresenta. Crescimento como objetivo não significa certeza dele.  Se em um determinado ano a empresa cresceu, ótimo; mantenha-se a meta de crescer mais. Se ela não cresceu... Bem, estabelecer uma meta de crescimento me parece óbvio não.
Quanto ao "deixar de viver o agora para pensar no futuro" parece ser meio contraditório. Fosse assim, florestas seriam desmatadas e ambientes poluídos para que se alcançasse o "agora" sem se preocupar com "o futuro". Aqui, mais uma vez, a estrutura capitalista nos faz viver o presente, mas buscando condições de melhorar nossa capacidade produtiva no futuro para que possamos, entre outras coisas, reduzir o impacto no meio ambiente.

8- Vida sem equilíbrio

Por fim, o autor diz que comemos mal e não fazemos exercícios porque não temos tempo. Ainda, que não nos conectamos com a natureza porque a cidade é feita de asfalto e concreto, não meditamos, somos criticados porque dormimos até tarde ou porque queremos sair de férias com a família. 
Novamente, tudo é uma questão de escolha, ambição. Se alguém foca em sua carreira e, para isso, abre mão de tudo o que o autor disse, foi a sua escolha. De outra sorte, existem pessoas que já estão satisfeitas com a sua posição e que podem usufruir daquilo que, pelo texto, o capitalismo as nega. 
Aliás, que tal mudar para uma cidadezinha no interior, para um sítio ou para uma montanha e lá começar a cultivar sua própria comida, ter tempo para meditar, dormir mais tarde, respirar ar puro, e tudo o mais? Com certeza não terá asfalto ou a vista do escritório para mais e mais prédios! Ah... Mas aí não tem internet, cinema, teatro, barzinho... A escolha é toda sua e ninguém irá interferir nela (embora a esquerda adore querer mandar nas escolhas alheias). Vale lembrar que, não fosse a existência de cidades com edifícios que possibilitam a otimização da ocupação do espaço, quanto será que o meio ambiente já estaria degradado?
O texto é finalizado com um ataque ao capitalismo (sistema que criamos) e que deveríamos criar um outro sistema para equilibrar as coisas.
Mas não criamos o capitalismo. Ele é apenas a aplicação natural das regras da natureza na economia. O termo "capitalismo" é criação de Marx. Ou alguém aí pode apontar um grande pensador capitalista? Mesmo porque, o capitalismo já foi e é aplicado nos regimes socialistas.
Grande parte das falhas colocadas na conta desse sistema não são propriamente dele, mas da intervenção que o Estado faz nele. Todas as vezes que foram criados regimes que interferiram direta ou indiretamente nas regras de mercado, o desequilíbrio aconteceu e o caos foi semeado.
A única maneira de se modificar o capitalismo, como quer o sr Tanaka, é através do controle sistemático das paixões humanas, coisa que o próprio Deus não é capaz de interferir. É o tal do livre arbítrio. E todas as vezes que surgiram iluminados com sistemas milagrosos capazes de transformar todos em iguais, os resultados foram sangrentos. 
Ninguém é obrigado a nada. Pode-se simplesmente mudar de vida e largar tudo pro alto. Mas querer os benefícios de uma vida que só o capitalismo pode trazer e a tranquilidade e paz de espírito que às vezes sua ausência nos proporciona é algo difícil de se conciliar. Mas trabalhando duro e juntando recursos, quem sabe não compramos um sítio ou uma cabana no meio da floresta?
É evidente que o sistema capitalista não é perfeito e está sujeito a falhas. Mas muitas delas têm origem no afastamento dos valores religiosos, principalmente os cristãos, que caracterizam nossa sociedade moderna. Esta negação à religião é que nos tornou "escravos" do sistema, deixando valores como caridade, humanidade e bondade, relegados a um segundo plano. E isso, meu caro, não é culpa do capitalismo.
Foi o acúmulo de riquezas e recursos causados por ele que, como dito, os grandes artistas, arquitetos, engenheiros, músicos e tutti quanti puderam expor seus talentos. Pesquisas científicas e as grandes inovações em todos os campos do conhecimento humano aconteceram por intermédio de iniciativas individuais geralmente financiadas por empresas ou pessoas que, ao longo do tempo, acumularam recursos para patrociná-los. Inclusive no caso de ajuda humanitária e desastres naturais (os EUA, capitalista por excelência, é o país onde mais pessoas realizam doações voluntárias)
Se estamos neste estado depressivo que o texto sugere a culpa não é do capitalismo. Talvez seja a de nossos próprios egos que, afagados desde a mais tenra idade, nos faz crer que somos lindos e maravilhosos quando, muita vezes, não passamos de medíocres.

PS: nunca vi alguém ser criticado ou criticar outrem por querer passar férias com a sua família.