sexta-feira, 1 de abril de 2016

1964 e 2016.


Não há como negar as semelhanças entre o momento que vivemos hoje no país e o que vivíamos na década de 1960. Naquela ocasião, o Brasil passava por um dos períodos mais conturbados de sua história. Uma grave crise institucional permeava todos os setores da sociedade. A infiltração comunista dentro dos partidos políticos, sindicatos e redações de jornais trazia a tona, novamente, o fantasma da ditadura proletária.
As origens da penetração da Internacional Comunista nos rumos da vida brasileira remontam aos anos 1920, à Coluna Prestes e à Intentona de 1935 que objetivava, por meio da violência e do derramamento de sangue, implantar no país um regime que, já àquela altura, produzia mais de 50 milhões de mortos, especialmente na antiga URSS e China.
Impossível é separar o Brasil do contexto mundial da época. Vivia-se a Guerra Fria, com uma clara divisão entre os sistemas capitalista e socialista. Ingênuo é pensar que não havia ingerências externas nos altos setores da administração nacional por parte dos EUA. Mas, ainda mais ingênuo, é acreditar que o Bloco Soviético se mantinha alheio ao que se passava por estas terras. Se alguns atribuem aos EUA a gestação do “golpe” é preciso lembrar que o STB, serviço secreto Tcheco, extensão da KGB, atuava de forma ativa por aqui.
Seus agentes de influência, alguns próximos a João Goulart (o Jango), contribuíram para a forte guinada à esquerda que o presidente deu. Não podemos esquecer, também, o papel de Leonel Brizola que, financiado por Cuba, exigia as reformas “na lei ou na marra”. Essas reformas, chamadas “de Base”, nada mais são do que o modus operandi soviético para consolidar a revolução proletária. Soma-se a isso tudo, a fraqueza de Jango, algo que o tornava facilmente influenciável.
Nos quartéis, a situação não era muito diferente. Os militares estavam divididos entre aqueles que eram leais a Jango e os que queriam sua queda. Reuniões de praças e oficiais subalternos demandavam a quebra da estrutura hierárquica e disciplinar das Forças Armadas. Chegamos ao ponto de dois contingentes militares, de valor exército, marcharem um contra o outro e, não fossem os cadetes da Academia Militar das Agulhas Negras, comandada pelo General Médici, poderíamos ter uma guerra civil.
O então Ministro da Guerra, Mal Castelo Branco, (que fora nomeado pelo próprio Jango) organizou e articulou a defesa da democracia. Não estava sozinho. Tinha, além do respaldo moral, o apoio de amplos setores da imprensa, da Igreja, da sociedade civil e dos governadores Ademar de Barros e Carlos Lacerda. Sua liderança foi fundamental para manter a coesão dos militares e uni-los na defesa dos interesses nacionais de preservação das instituições.
Desprovido do apoio do dispositivo militar, Jango decide partir voluntariamente para o exílio. Castelo Branco, eleito pelo Congresso em 11 de abril de 1964, assume a presidência com o objetivo de depurar a política e devolver o poder aos civis. Entretanto, o acirramento da luta armada pela esquerda, que tinha entre suas lideranças a atual Presidente da República e nomes como Dirceu, Lamarca e Marighella faz com que a permanência dos militares no poder fosse necessária para combater o terrorismo urbano e rural que atemorizava o país.
Passados cinquenta e dois anos, muitas são as semelhanças entre aqueles dias e o atual momento que vive o Brasil. Naquele tempo, comícios pró Jango foram organizados. Em contrapartida, manifestações contrárias também ocorreram e, como agora, com um número de participantes muito maior que aquelas.
Porém, há uma sensível diferença. Se na década de 1960 as manifestações contrárias a Jango foram organizadas por setores da imprensa, da política e da Igreja, hoje elas brotam espontaneamente, convocadas pelas mídias sociais. Não há, nelas, cartazes, faixas ou bandeiras de partidos políticos ou de lideranças específicas. Apenas a exigência do afastamento da Presidente e o apoio ao juiz Sérgio Moro, responsável direto por expôr ao público o assalto ao Estado capitaneado pelo Partido dos Trabalhadores.
Se naqueles anos as Forças Armadas estavam envoltas pela possibilidade de ruptura institucional, com grave ameaça à sua hierarquia e disciplina, hoje elas estão coesas, unidas e prontas a responderem o chamamento dos Poderes Constitucionais para, caso a crise não seja resolvida nas esferas políticas e jurídicas, salvaguardar a vontade da população e o cumprimento da Lei.
A maior diferença, porém, reside no fato de que, desta vez, o grupo político, a imprensa e os artistas que desejam a permanência da quadrilha que tomou de assalto a República, não são financiados por uma organização externa. São financiados pela estrutura criminosa do Foro de São Paulo que, apesar de supranacional, tem no Partido dos Trabalhadores seu criador, mentor e financiador, consubstanciada na figura do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Os crimes cometidos pelo partido que ocupa o governo são, também, infinitamente mais graves. O desmantelamento da máquina pública, por intermédio de seu aparelhamento; o assalto ao patrimônio dos contribuintes, como o caso do Petrolão; e, o mais grave de todos: o aparelhamento do Poder Judiciário e a compra do Parlamento.
Há os que dizem que o processo de impeachment é um golpe. Parecem se esquecer de duas coisas básicas: o PT foi o partido que, na oposição, mais pediu o afastamento do chefe do Executivo Federal e não há maior prova de democracia do que a população destituir do poder aqueles que foram eleitos por ela. Por mais que as manifestações favoráveis ao PT, regadas a sanduíches de mortadela, ônibus fretados e estadias em hotéis pagas pelo nosso dinheiro, queiram deslegitimar um processo legal e democrático.

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