quinta-feira, 23 de junho de 2016

Indignação Seletiva

Imunidade não pode ser sinônimo de impunidade. Este é o titulo do artigo de Rosane de Oliveira publicado no jornal Zero Hora de ontem. Nele, a jornalista celebra a decisão do STF de processar  o deputado Jair Bolsonaro por apologia ao estupro e injúria contra a deputada Maria do Rosário (ao arrepio da imunidade parlamentar). Como o artigo está disponível apenas para assinantes, vamos a ele:


Ao aceitar a denúncia contra o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) por injúria e incitação ao estupro, o Supremo Tribunal Federal abre um novo capítulo na interpretação da imunidade parlamentar. Por quatro votos a um, a 1ª turma do Supremo entendeu que a proteção não é absoluta. Como disse a ministra Rosa Weber, imunidade não pode ser sinônimo de impunidade. 

Acostumado a atacar colegas que discordam de suas posições, Bolsonaro vai responder a dois processos porque não só agrediu a deputada Maria do Rosário em um bate-boca na Câmara, como repetiu os impropérios numa entrevista a Zero Hora:— Ela não merece (ser estuprada) porque ela é muito ruim, porque ela é muito feia, não faz meu gênero, jamais a estupraria. Eu não sou estuprador, mas, se fosse, não iria estuprar, porque não merece.

Não há outra interpretação possível para uma frase estúpida como essa que não seja a de que certas mulheres merecem ser estupradas. Se isso não é incitação ao estupro – um crime hediondo de acordo com a legislação brasileira –, os ministros do Supremo teriam de retornar aos bancos escolares para estudar interpretação de texto.

Bolsonaro se defende dizendo que foi agredido primeiro por Maria do Rosário e que apenas reagiu, mas os ministros levaram em conta que, depois, de cabeça fria, na entrevista a ZH, ele repetiu a frase que caracteriza o estupro como um presente a que teriam direito as mulheres bonitas. 

É do ministro Luiz Fux, relator, a definição precisa:

— O emprego do termo "merece", pelo deputado, confere ao crime de estupro um prêmio, favor ou uma benesse, que dependem da vontade do homem.

Em outra frase, Fux arrematou:

— A violência sexual é um processo consciente de intimidação pelo qual as mulheres são mantidas em estado de medo.

No momento em que o mundo discute o abominável caso do estupro coletivo de uma adolescente no Rio, o Supremo não podia tratar esse caso como se fosse apenas mais um dos ataques histéricos do folclórico deputado que, em outras manifestações, se revelou racista e homofóbico e na votação do impeachment na Câmara homenageou um torturador.  
 
Pois bem. 
 
A imunidade parlamentar existe para proteger o senador ou deputado para que possam expressar seus posicionamentos e opiniões que, pelo calor das disputas, poderiam caracterizar crimes contra a honra, falseamento da verdade, etc. Se imunidade, nos dizeres da ministra Rosa Weber, não pode ser sinônimo de impunidade, então deveriam ser revistas as inúmeras declarações injuriosas que todo o parlamentar sofre pelos seus adversários. Afinal, injúria é crime, não é mesmo?
 
Na coluna, a jornalista se utiliza de uma falácia ao tentar desqualificar Bolsonaro por ele "atacar quem discorda de suas posições". Ora, senhora jornalista! A isso, chamamos debate. A isso, chamamos democracia. Os "ataques" do deputado se dão com argumentação sólida, lógica e precisa. Não é, como a senhora quer deixar a entender, um ataque físico ou uma distribuição gratuita de impropérios. É a mera disputa de idéias no meio de uma sociedade democrática algo que, pelo jeito, não lhe parece uma boa idéia (a não ser, claro, que as pessoas concordem com sua opinião).

A frase dita pelo deputado é uma figura de linguagem. Acho que a jornalista sabe o que são as figuras de linguagem, não é mesmo? Aqui, há uma ironia. O máximo que se pode extrair da declaração de Jair Bolsonaro é que Maria do Rosário é feia de doer (e ela não é assim tãããão feia).

A jornalista afirma que, dizer que alguém não merece ser estuprada é dizer que há outras que merecem. Nada mais falso e canalha. Ora, de um fato não se pode deduzir um valor. Não é porque Bolsonaro diz que Maria do Rosário não merece ser estuprada que existam mulheres que merecem o estupro.

Para isso, seria necessário provar que Bolsonaro é um apologista do estupro. E a jornalista sabe que ele não é. Afinal, querer a castração química do estuprador e a redução da maioridade penal são incompatíveis com querer que as mulheres sejam estupradas.

Como analogia, é como dizer que "se as colunas da Rosane Oliveira não merecem ser lidas as dos outros jornalistas merecem". Então, há sim outra interpretação possível...

Muito diferente seria se o deputado declaresse "que todas as mulheres merecem ser estupradas, menos a Maria do Rosário, que é feia". Parcebe a diferença? É. Parece que não são só os ministros do STF que devem retornar aos bancos escolares.

Fosse uma profissional imparcial, Rosane não teria omitido o fato gerador do ataque do deputado. Ele estava sendo entrevistado por uma emissora de televisão e dizia que queria a diminuição da maioridade penal, motivado pelo crime de assassinato e estupro cometido pelo menor conhecido por Champinha, de 16 anos. A deputada Maria do Rosário interrompeu a entrevista e acusou Bolsonaro de ser estuprador. Então, cara jornalista, foi sim uma defesa a um ataque gratuito e canalha que ele recebeu.

Ao repetir a declaração ao Zero Hora "já de cabeça fria", Bolsonaro não está incitando o estupro mas, novamente, utilizando-se da ironia. Seu objetivo é caracterizar Maria do Rosário, que defendeu o estuprador, como sendo uma pessoa indigna de qualquer sentimento. Pudera! O histórico desta parlamentar é caracterizado pela defesa de criminosos autores dos crimes mais bárbaros sob o manto do vitimismo social.

Comentar a declaração do ministro Fux é dispensável, visto que segue a mesma linha falaciosa da jornalista.

Como arremate, a colunista acusa o "folclórico deputado" de ser racista e homofóbico. Quando isso aconteceu? Ela não exemplifica. Aqui temos claramente um libelo contra o deputado. A fundamentação utilizada pela jornalista não se baseia em fatos, mas em argumentação ad hominem por Bolsonaro posicionar-se fortemente contra a agenda revolucionária. E isso, para a jornalista, é inadmissível.

Por fim, acusa-o de fazer apologia a um torturador (Bolsonaro lembrou do cel Brilhante Ustra em seu voto sobre o impeachment). Mostre-nos, jornalista, onde está o processo transitado em julgado que concluiu que o cel Ustra foi um torturador! Não há. O que existe é apenas a palavra de supostos torturados, tratadas como evidências cabais por nossa justiça débil e aparelhada.
 
O processo contra Bolsonaro é meramente político-ideológico. Está no caderno de teses do PT (que aparelhou todo o Estado, inclusive o judiciário) que "o deputado Jair Bolsonaro precisa ser cassado e, por consequência, ejetado da disputa presidencial. Eles sabem que ele é a única oposição real. Está fora do esquema PSDB-PT para transformar o Brasil em um país comunista por intermédio da clássica estratégia leninista das tesouras.


Posando de imparcial, Rosane mostra nesta coluna seu real posicionamento ideológico a esquerda, consoante com o jornal para o qual escreve. Zero Hora se diz imparcial, mas mantém um único colunista conservador entre seus colaboradores, que escreve quinzenalmente aos domingos (Percival Puggina). 

Quanta imparcialidade, não é mesmo!

Complementando. 
 
A indignação da jornalista parece ser seletiva. Quando Paulo Ghiraldeli disse publicamente que a jornalista Rachel Sheherazade deveria ser estuprada, não houve uma única linha de indignação. Porque? Onde estava a indignação dela e de toda a imprensa quando houve, agora sim, uma clara incitação ao crime de estupro? Ou será que, no íntimo de seu cérebro esquerdopata, a jornalista concorda com Ghiraldeli por ser Rachel Sheherazade uma jornalista inteligente, conservadora e bonita?

Para a cabeça lobotomizada de Rosane Oliveira, um deputado que defende penas mais severas contra estuprdores, sua castração química e diminuição da maioridade penal é um incitador ao estupro porque se utilizou de uma ironia.

Em contrapartida, Maria do Rosário, que defendeu o estuprador e acusou Bolsonaro de ser um deles, não comete qualquer crime, qualquer falha. Neste caso, finda-se a tese da "imunidade não pode significar impunidade"...

Pelo jeito, Maria do Rosário goza de uma dupla imunidade: é mulher e é de esquerda.







Um comentário:

  1. Já que não podem acusar o Bolsonaro de corrupção, tentam inventar factóides e pretextos para silenciar ele.

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