terça-feira, 23 de agosto de 2016

Conselhos Incoerentes


Acabo de ler, no jornal Zero Hora, um artigo de Jorge Barcellos, entitulado “uma agenda para a esquerda”. Nele, o articulista propõe como a esquerda deverá nortear sua agenda para que possa retornar ao poder. Como não deveria deixar e ser, o ataque principal se dá no campo econỗmico, notadamente contra a economia “neoliberal” e a “religião do mercado".

Primeiramente, o autor fala sobre a possibilidade de “retorno da esquerda ao poder”. Ora, mas quando foi que a esquerda apeou dele? Inferir que PMDB e PSDB são representantes da direita é um verdadeiro estelionato intelectual. O máximo que se pode admitir é que eles são representantes da “direita da esquerda”. Ademais, o articulista cai no erro pueril de restringir toda a ideologia de esquerda ou direita à esfera econômica. Para alguém que se propõe a falar sobre isso, é algo imperdoável.

A seguir, apregoa que a esquerda deve bradar contra o mercado, pois a economia mercantil (sic) (livre de amarras) seria destruidora da “economia humana”. Cita, inclusive, o madamento “não matarás” como forma de ilustrar que regulações e proibições existem o que, por consequência, devem ser aplicadas ao sistema econômico. Para o autor, “o liberalismo aniquila a noção de interesse público ou coletivo”, o que nos faria viver em “espaços de guerra”. Como aremate, escreve: “o futuro do liberalismo é transformar-se num novo estalinismo (sic)”.

O que ele sonega é que a regulação de uma economia livre se dá justamente pelo interesse dos indivíduos, famílias, vizinhanças, cidades, estados e países envolvidos. Porque deveria o Estado interferir nos interesses privados de cada um? Porque o Estado deveria impor seus impostos, taxas de importações e tantos outros mecanismos restritivos para as trocas comerciais? Simples: para buscar o “bem coletivo” que, trduzindo, siginifica “fazer com que a população fique escrava de seu governo”. 
 
O liberalismo econômico não aniquila a noção de interesse público e privado. Pelo contrário, o fortalece a medida que deixa claro cada um deles. Ainda, os "espaços de guerra" são criados pela esquerda, que divide a sociedade entre "nós e eles" e fomenta o atrito entre grupos discordantes como forma de justificar cada vez mais a intervenção estatal.
 
Quanto ao stalinismo surgir de uma economia liberal é algo que sequer pode ser admitido em uma análise séria. Foi justamente a regulação estatal, centralismo administrativo e taxação da produção que causou o que se chama de “stalinismo”. Aliás, este é cria da esquerda, ou melhor, é a própria economia da esquerda. Aqui, vemos o clássico estratagema do “acuse-os do que você é”.

Prossegue o autor dizendo que Lula e Dilma deixaram-se seduzir pelo “canto liberal”, e que isso foi um erro. Sério? Apossar-se da coisa pública como se fossem suas, sufocar a produção através de pesados impostos, aparelhar empresas estatais (e mantê-las!) é ser liberal? Tenha a santa paciência! Prossegue dizendo que “no passado, a economia estava incluída nas demais relações, sociais, políticas e culturais (Karl Polanyi), agora ela procura dominar todas as demais”. 
 
Se a economia, no passado, esta incluída nas demais relações citadas, deve-se ao fato de que ela não era controlada pelo Estado, mas por seus próprios agentes. Foi a liberdade econômica que possibilitou, por exemplo, o renascimento europeu. Foram comerciantes e burgueses da Idade Média que financiaram a produção cultural e artística daquele período, o que nos deu obras de beleza e profundidades imortais.
 
Quando o Estado entra na economia, sabe o que acontece? Homens tocando o ânus um dos outros passa a ser visto como arte! A estatização da economia é a responsável por torná-la dominante sobre os demais aspectos da vida humana, não o contrário. Afirma, também que “se o político ou individual só existirem para seguir o mandato econômico, tudo está perdido”, colocando na conta do liberalismo econômico tal situação. A realidade, entretanto, mostra que é a esquerda que busca seguir o mandato econômico, pois ela se apossa da riqueza produzida por outrem, fica com a maior parte para os “amigos” e distribui as migalhas para aqueles que a produzem.

Finalmente, termina o artigo afirmando que “a base de sua crítica (esquerda) deve ser a recusa do conceito de ‘pleonexia’, termo grego que significa ‘querer mais do que a sua parte, querer sempre ter mais’. Para Dufour, ninguém é bom como Rousseau ou mau como Hobbes, mas pode ser ‘simpático’, isto é, ser capaz de pensar em si mesmo, recusar os excessos do capital e pensar para viver com o próximo”. Segue dizendo que “os candidatos de esquerda devem apresentar propostas de cidades para indivíduos além dos valores de mercado e contra a acumulação do capital.”

Todos esses conselhos que o articulista dá à esquerda são justamente o oposto do que é a esquerda. É ela que quer sempre mais, seja dinheiro, seja poder. Recusar os excessos do capital e pensar para viver com o próximo é uma caracterísitca própria do pensamento de direita, visto que ele tem suas bases na moral judaico-cristã (sim, há mais coisas dentro de um posicionamento ideológico político do que a economia). Fazer campanha contra o acúmulo de capital é simplesmente uma burrice. São as grandes fortunas que, investidas por seus detentores, proporcionam aos indivíduos a possibilidade de conseguir um emprego, patrocínio, e mesmo doações para as mais diversas atividades. 
 
Fazer uma capital (creio que seja Porto Alegre e relacionado ao pleito municipal) para os indivíduos significa dar a eles a liberdade de poder trabalhar, estudar, ter horas de lazer e segurança. Consiste, por fim, em intrometer-se o mínimo em suas vidas. A riqueza de uma sociedade não se mede pela fortuna de suas intituições ou pelo caixa do governo, mas por aquela que está no bolso de cada cidadão. E isso somente uma economia liberal é capaz de garantir.

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