domingo, 13 de novembro de 2016

O Descuido do Não.

A ocupação das escolas e universidades brasileiras por estudantes e os protestos dos eleitores de Hillary Clinton contra a vitória de Trump, têm algo em comum. A maioria dos participantes são jovens e não aceitam a derrota. Eles não aceitam o "não".
A mudança da percepção do mundo que foi imposta à nossa juventude, pelo menos há 30 anos, fez com que fosse criada uma geração de adultos incapazes de aceitar um revés. E isto não afeta somente a esfera política da coisa, mas todos os aspectos da vida em sociedade. Não por acaso, multiplicam-se os casos de homens e mulheres que, por exemplo, não aceitam o fim de um relacionamento e acabam por matar a pessoa que os rejeitou (ou cometem suicídio). E assim é com tudo que vá de encontro àquilo que acreditam: "se não é do meu jeito, tá errado e eu vou queimar tudo".
A causa principal deste tipo de comportamento vem ainda no seio familiar. Impregnados por informações dadas por psicólogos, pedagogos e educadores, os pais do século XXI esquecem por completo a educação que receberam e passam a seguir o que os novos gurus mandam que seja feito. Assim, recusam-se a corrigir e direcionar o comportamento de seus filhos. Se recusam a utilizar a palavra mais importante para a formação da personalidade e da consciência humana: o "não".
Sob a justificativa de se "evitar traumas", crianças são criadas com todo tipo de mimo e liberdade. Não conhecem limites para suas vontades e, caso contrariados, basta um choro e têm tudo o que desejam. Forma-se, pois, uma personalidade incapaz de lidar com os fracassos e derrotas que a vida fatalmente irá impor. Isolar uma pessoa da dura realidade do mundo é torna-la não só indefesa para ele, mas fazê-la incapaz de perceber seus próprios erros.
O processo segue na escola. Muitos estados, como o Rio Grande do Sul, possuem leis que impedem o aluno de ser reprovado (mais uma vez, para não causar trauma na criança). O resultado vai muito além de um estudante despreparado para o próximo degrau do conhecimento: em sua mente, ele sempre está certo e os outros, errados. Impõe-se a vontade mimada de jovens e adultos que são incapazes de fazer uma avaliação do mundo e da realidade que os cerca. Para eles, suas atitudes são sempre corretas.
Não é por acaso, também, que observamos inúmeros artistas, jornalistas e escritores medíocres reivindicarem reconhecimento por seus trabalhos, mesmo eles sendo... Medíocres! Qualquer coisa que a criança ou o estudante faça, qualquer coisa que escreva, diga ou opine é imediatamente catapultada a uma condição de criação genial. Poucos são os pais e professores que dizem "Joãozinho, tua redação é horrível" ou "Mariazinha, esta pintura que fizeste é ridícula". Quando, finalmente, a vida lhes diz isso a pessoa fica traumatizada e passa a atacar todos aqueles que possuem pensamento ou ideias opostas à dela; e o faz sem qualquer conflito de opinião ou debate. Pudera! Foram ensinados, desde a mais tenra idade, que tudo o que produzem é lindo e maravilhoso.
Embora a escola e, especialmente, a academia tenha muita culpa no processo de imbecilização e "mimação" dos novos jovens e adultos, é a família a grande responsável por formar uma geração de rebeldes sem causa e sem argumentos. A criança precisa entender que nem tudo o que ela faz é certo, bonito, lindo e maravilhoso. Ela precisa entender que uma sociedade, para funcionar, precisa de regras que devem ser respeitadas. Ela precisa do não!
Caso contrário, continuaremos a ter estudantes protestando por algo que eles não entendem e controlados por pessoas que eles não conhecem. Já está mais do que na hora deles perceberem que não são os donos das soluções e da verdade. E que estariam ajudando muito mais a sua sociedade se, ao invés de ocuparem escolas e atacarem a propriedade privada, saíssem da dependência de seus pais, arrumassem um emprego e estudassem a sério. É preciso que essas pessoas voltem à realidade que se impõe sobre as suas vontades e desejos. Vocês não são nada do que pensam que são.



quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Bonecos de Ventríloquo

Aqui vamos nós, de novo. Escolas ocupadas em protesto "pela educação", ocupações justificadas porque "a escola é dos estudantes". Não, não é. A escola pública, seja de que nível for, é propriedade exclusivamente dos pagadores de impostos. De ninguém mais. Nós é que estamos pagando para que um espaço que deveria instruir nossa juventude esteja, agora mais abertamente, formando militantes políticos. É do nosso bolso que sai os salários dos "professores" que apóiam esses movimentos. Professores que deveriam pagar para usar este adjetivo e serem presos por corrupção de menores.
Quanto aos estudantes... Bem, eles são apenas vítimas. Buchas de canhão utilizadas pela esquerda para promover sua ideologia falida e rejeitada. São jovens ingênuos e analfabetos que falam com desenvoltura sobre planejamento estratégico de políticas educacionais, orçamento e arrecadação de impostos. Estes jovens nada produzirão de concreto para contribuir com o desenvolvimento de nosso país. Deste grupo, apenas sairão políticos, artistas e novos intelectuais prontos a lançar seus esporos em uma nova safra de mentes inocentes. São vírus, prontos a se replicar e sugar a parte produtiva da sociedade.
Alguns poderão dizer que os jovens que ocupam as instituições de ensino são alienados e doutrinados. Isso é uma meia verdade. Alienados, sim. Doutrinados, não. Nossos estudantes já estão passando por um processo de pós-doutrinação que poderíamos chamar de aculturação. Afinal, doutrinar significa confrontar idéias e valores antagônicas com o favorecimento explícito daquela que se deseja. Não é o que vemos nas cadeiras escolares. O que temos é a inserção do jovem em uma nova cosmovisão marxista que vai influenciá-lo pelo resto de sua existência. 
A capacidade de raciocínio lógico é completamente aniquilada e substituída pelo dogmatismo da esquerda que não admite questionamento. E, quando confrontado, já tem as respostas prontas: "você é fascista, filhote da ditadura, burguês", etc. Outro estratagema bastante difundido é a simples fuga: ignorar a disputa e jamais discutir com alguém que possua ideias diferentes das suas. Ora! Quem pode saber mais que o deus Marx e seus anjos e santos, os professores?
Um exemplo recente é o caso da estudante Ana Júlia Ribeiro, discursando na Assembléia Legislativa do Parana em favor das ocupações e "emocionando" a audiência. A jovem foi catapultada à condição de intelectual pela mídia brasileira. Entretanto, o que se viu e ouviu de seu discurso nada mais foi do que um texto muito bem decorado. A estudante, sem perceber, era apenas um boneco repetindo tudo o que seu mestre mandava. Nada mais do que isso. "Suas mãos estão sujas de sangue", disse ela aos deputados, imputando-lhes a culpa pela morte de Lucas Mota dentro de uma escola ocupada. 
Aninha aprendeu bem a lição: acuse-os do que você é. Na verdade, não aprendeu: apenas seguiu o dogma que a religião marxista impôs à sua mente vazia. E faz questão de dizer que "não somos doutrinados"... 
O que vemos e ouvimos ultimamente dos jovens que ocupam escolas, colégios e instituições de ensino superiores ou participa de qualquer manifestação organizada por sindicatos e entidades de classe nada mais são do que bordões, slogans, frases prontas e respostas automáticas aprendidas em sala de aula. Cada vez que um estudante discursa em favor das ocupações, não é a ele que ouvimos, mas a seu professor. Este está controlando sua mente e usando sua voz para espalhar a ideologia nefasta que defende. Ele se torna um verdadeiro controlador e manipulador mental. 
A vítima, sequer consegue perceber. Afinal, seu mundo gira exclusivamente em torno do que seus mestres lhe mostraram e seu horizonte de conhecimento limita-se aos portões da faculdade que cursa. 
A educação só é solução quando ela é independente. Na atual estrutura, ela é a principal causa do problema.