terça-feira, 25 de abril de 2017

O Corruptor.

A cada dia que passa, a Operação Lava Jato vem expondo à sociedade o tamanho da corrupção no Brasil. Quanto mais se investiga, quanto mais escândalos são descobertos, parece que ocorre uma reação em cadeia; mais e mais esquemas de desvios, propinas, favorecimentos e enriquecimento ilícito são achados. A coisa parece não ter fim. Por incrível que pareça, já ultrapassamos o fundo do povo e, do jeito que a coisa anda, daqui a pouco estaremos saindo em uma província chinesa...
Diante de tamanho roubo, é compreensível que a população queira o óbvio: punir os que fizeram-na de trouxa. E aí vem políticos, empresas, marqueteiros, juízes (acreditem, vai aparecer) todos envolvidos até os pescoços em tenebrosas transações que subtraem a nossa pátria mãe distraída.
Mas, afinal, como chegamos a esse estado de coisas? Como nos tornamos a cleptocracia que vemos? Qual é a causa real de tamanha catástrofe moral? Ora, se analisarmos a situação friamente, distante das características paixões que nos assolam, chegaríamos a uma conclusão: a causa do problema é o Estado. Mas calma aí! Isso não exime os demais agentes da culpa. Claro que não! Mas é a estrutura e o tamanho de nossa máquina pública o maior problema. Vejamos.
O Estado brasileiro concentra em suas mãos, três poderes vitais para controlar a tudo e a todos: o poder cultural, o político e o econômico. É através deles que quem está ocupando o governo central pode escolher adversários e selecionar empresas que serão vencedoras de suas licitações.
Acontece que quando tudo está nas mãos do Estado, com recursos de toda a nação, sem a necessidade de se produzir lucro e, principalmente, sem o risco de investimento, o que acontece: os agentes estatais, notadamente aqueles que se encontram nas mais altas esferas da administração pública, acabam exigindo favores e vantagens financeiras em troca de  "amolecer" a legislação e facilitar a vitória de determinado grupo em um processo licitatório, por exemplo.
Quando é o Estado o promotor do desenvolvimento por intermédio de sua atuação direta em obras de infraestrutura, por exemplo, a corrupção vai acontecer. Por um motivo simples: os que nos governam não tem qualquer preocupação com o nosso dinheiro. Simples assim.
É por isso que temos, por exemplo, estádios da Copa de 2014 abandonados em Manaus, Cuiabá e Brasília! E sabem porque? Por que eles foram erguido com o dinheiro dos pagadores de impostos. Imagine se fossem empresas privadas a construir os estádios com recursos próprios financiados por bancos privados?! Jamais elas os construiriam nas localidades citadas. Por um motivo simples: as cidades não possuem demanda para o futebol e o dinheiro a ser investido seria do bolso dessas empresas. Assim, nenhum investidor em sã consciência investiria em Manaus, Cuiabá e Brasília.... Imaginem o quanto de recursos foi sendo desviado para o bolso de políticos e funcionários públicos?!
O Estado, com sua atual estrutura e excessiva centralização, praticamente obriga a empresa concorrente a ceder alguma forma de benefício em troca de sua participação em uma obra, por exemplo.
Os bancos estatais, as obras financiadas com dinheiro público, enfim, retiraram das empresas os riscos do investimento e passaram-no para nós, os pagadores de impostos! E qual empresa será elegida para participar de uma grande obra do governo? Aquela que sempre está disposta a "dar uma ajudinha".
Enquanto não nos conscientizarmos de que é a iniciativa individual e privada a grande promotora do desenvolvimento seguiremos querendo que o Estado  nos dê tudo. E o Estado vai seguir centralizando cada vez mais nossas vidas e nosso dinheiro. E mais e mais escândalos de corrupção aparecerão.

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