terça-feira, 4 de julho de 2017

Mulher Maravilha - Um Filme Conservador

Mulher Maravilha é um belo filme.
Mesmo não sendo um grande fã da heroína, é inegável a qualidade da obra. O longa-metragem conta de maneira didática, porém não cansativa, a história de sua personagem título dando ao expectador as informações necessárias para que ele a compreenda. O roteiro, a direção, os efeitos visuais e a atuação de Gal Gadot credenciam a película como uma das melhores já produzidas sobre o tema, ao lado da trilogia "Batman" de Nolan. 
A recepção dos críticos especializados foi muito boa. Especialmente entre as mulheres. São inúmeras as resenhas que elogiam o "girl power" ou, para as feministas de plantão, o "empoderamento" feminino. Uma mulher com superpoderes capaz de vencer uma guerra praticamente sozinha. "Fuck you, men!" Mas há um detalhe que parece desapercebido: a temática do filme é flagrantemente conservadora.
Deixando de lado a questão do simbolismo religioso da obra (para uns, judaico-cristão, para outros "coisa do demo") o fato é que a temática do filme gira, em última análise, sobre a origem da maldade nos homens, do porquê de tantas guerras, conflitos, etc. E é justamente nesta abordagem que fica clara o viés conservador do filme. Aliás, é o que acontece com quase todas as histórias de super heróis do universo DC.
Na obra, vamos observando como Diana se torna a Mulher Maravilha; desde sua infância até a vida adulta, quando ela parte para a I Guerra Mundial a fim de destruir Ares, o deus da guerra e que, para ela, é o responsável pela corrupção do Homem. Assim, bastaria Diana matá-lo para que a humanidade encontrasse a paz e vivesse em harmonia. Mas não é o que acontece.
Ao confrontar o deus da guerra, este mostra que o homem não nasce "puro", mas que possui a maldade inerente a seu caráter. Ele apenas "dá uma forcinha" para despertá-la e trazer à tona a verdadeira natureza humana. Diana não acredita em suas palavras e, após um difícil embate, acaba derrotando-o. Por fim, Diana percebe que, por mais que tenha derrotado Ares, a maldade humana perdura e que, por fim, o deus da guerra tinha razão. Entretanto, ela acredita que há um poder capaz de modificar a natureza humana e fazê-la mais bondosa: o amor. (que, aliás, é o centro da fé cristã).
O papel do piloto Steve Trevor, que declara seu amor a Diana, em sacrificar sua vida para evitar a destruição de populações inteiras (ele impede um bombardeiro de despejar suas bombas, ao explodi-lo no ar) mostra que, mesmo capaz de fazer coisas abomináveis, o Homem é capaz de atos extremamente nobres.
Assim, Mulher Maravilha não é um filme que trata sobre o poder feminino. É uma obra que conta a história de uma super heroína, que crê na bondade nata do Homem, mas que descobre que a natureza humana não é bondosa. Ela acaba percebendo que é o poder do amor o único capaz de modificar o comportamento da humanidade e que é por isso que ela deve lutar. 
Ou seja: basicamente o pensamento cristão e conservador.